— Você não vai falar comigo?
O silêncio é tudo o que ele consegue. O bufo irritado de Alexandro é tudo o que ouço enquanto puxo os lençóis das suas mãos.
Olhando para ele com o canto do olho, posso ver a sua mandíbula cerrada e a suas sobrancelhas unidas.
Deitado na cama, minutos se passam e ele ainda está sentado no meio da cama.
— Eu não acho que o acidente de carro foi um acidente. Ele finalmente cuspiu.
As suas palavras não ficam registradas na minha mente por um bom tempo, mas quando o fazem, eu pulo na cama e olho para ele com confusão clara no meu rosto.
Vendo a expressão no meu rosto, ele suspira antes de se aproximar de mim e se deitar nas cobertas, abrindo os braços, eu hesito por um momento, mas aos poucos vou cedendo e me aconchegando nele.
Mais alguns momentos de silêncio se passam antes que ele continue novamente. — Quando descobri o que havia acontecido, imediatamente pedi às pessoas que verificassem tudo, caso houvesse algum crime e eu pudesse estar certo.
— O que você quer dizer? Pergunto olhando para ele, ainda confusa. Certamente ninguém iria querer machucá-los, certo?
E se sim, quem?
Apenas o pensamento de alguém fazendo isso envia um arrepio de medo na espinha.
Os braços de Alexandro apertam ao meu redor e me puxam para mais perto dele.
— Tenho motivos para acreditar. Ele começa lentamente. — Em quê? Eu murmuro, esperando que ele continue. — Tenho motivos para acreditar que é Máximo.
O meu sangue congela nas minhas veias quando ouço as palavras saírem da sua boca.
Medo, ansiedade, raiva.
Todas essas emoções criam confusão dentro de mim e não sei como processar nada.
— Tem certeza? Eu sussurro, a minha voz está rouca por algum motivo. — Ele foi para a Inglaterra ou para qualquer outro lugar. Por que ele faria tudo isso?
A minha pergunta está pairando no ar e sei que provavelmente não obterei a resposta.
— Ele está ferrado da cabeça. É tudo o que Alexandro diz.
Virando-me para olhar bem nos seus olhos, pergunto: — Há algo que você não está me contando?
Um lampejo de algo passou por seus olhos muito rápido para eu ver qualquer coisa e a luz fraca da lua também não ajudou muito, já que m*al se infiltrou no quarto.
— Não. Isso é tudo o que ele diz, mas sua voz é muito monótona, muito cortante.
— Alexandro, me casei com você porque te amo e confio em você. Preciso que me contaria tudo, não porque o meu irmão estava lá no acidente, mas porque Stella e Abby são tanto sua família quanto minha.
Alexandro exala profundamente, o seu hálito quente acariciando a minha bochecha. Ele finalmente parece tomar uma decisão enquanto afrouxa a sua mandíbula cerrada.
— Ok, eu vou te contar tudo. Eu tento abrir a boca mas ele me interrompe. — Vou te contar tudo pela manhã, já está ficando tarde.
— Alexandro! Eu digo num tom agudo. — Eu juro, está tudo bem, eu prometo.
— Você? Pergunto inclinando a cabeça para olhar nos seus olhos agora escuro castanho chocolate, agora percebendo como eles parecem quase pretos pela falta de luz. — Você promete?
Alexandro olha para mim e acena com a cabeça. — Eu prometo.
Desta vez, pelo seu tom de voz e pelo olhar nos seus olhos, posso dizer que ele realmente quis dizer isso.
Apertando os olhos, eu olho para cima do meu rosto sendo praticamente empurrada contra o peito de Alexandro durante a noite.
Tentando me sentar um pouco, olho para o relógio digital preto na mesa de cabeceira apenas para ver os dígitos "06h30". piscando para mim.
Pelo menos acordei na hora.
Olhando para Alexandro, o seu rosto completamente calmo e relaxado me garante que ele está dormindo.
Pulando da cama, vou ao banheiro tomar um banho rápido sem incomodá-lo.
Acabo de tomar banho e visto uma camiseta cinza-claro que roubei de Alexandro e coloco a minha calça de moletom, mais uma vez deslizo para a cama.
Quase imediatamente, o braço de Alexandro me puxa para ele mais uma vez, embora ele ainda esteja inconsciente para o mundo, os roncos leves que ele emite deixam claro que ele está tendo um sono agitado.
Me aconchego nele, repasso todos os pensamentos e perguntas na minha cabeça.
Por que Máximo estava fazendo tudo isso? Isso foi algum tipo de vingança?
Mas se sim, por quê?
Com todos os meus pensamentos girando na minha cabeça numa busca sem fim, demoro um pouco para perceber que Alexandro acordou e entrou no chuveiro.
Quando me sento, sou recebido por uma cade*la descontente que parece ter sido acordada do seu sono.
— Sei como se sente. Eu murmuro, dando um tapinha na cabeça dela. Ela apenas geme e coloca a cabeça nas patas.
Desço as escadas para a cozinha e começo a fazer o café depois que tudo está pronto coloco a mesa e vagarosamente ocupo o meu lugar no balcão, esperando que Alexandro desça para o café da manhã.
O barulho de passos descendo as escadas me alerta da sua presença e logo ele entra na cozinha, vestido com um terno cinza-escuro.
Olhando para a roupa dela, não falo nada enquanto ele se move pela cozinha.
De repente, Alexandro para e se vira para onde estou sentada, sorrindo inocentemente para ele.
— Bom Dia querido. Eu digo, o sorriso ainda no meu rosto. — Bianca? Ele fala devagar.
— Sim amor? Eu pergunto de volta.
— O que você está fazendo acordado tão cedo? Ele pergunta com os olhos estreitados.
— Eu poderia te perguntar a mesma coisa. O meu sorriso se alongou ainda mais, não deixando a minha fachada escorregar.
Murmurando algumas palavras bem escolhidas baixinho, ela finalmente bufa e se senta na minha frente.
— Eu não pensei que você fosse trabalhar hoje? Eu pergunto inocentemente.
O olhar que ele lança na minha direção me deixa ciente de que ele sabe o que estou fazendo.
— Bem, o que eu posso dizer? É tudo o que ele diz.
A única coisa que se ouve nos dez minutos seguintes é o som da faca contra os pratos e, além disso, o movimento das xícaras de café para cima e para baixo.
Terminando, Alexandro se levanta e pega os nossos pratos antes de pegar a minha mão e me levar para a sala.
— Eu sei o que você está tentando fazer. Ele diz sem expressão.
— Bem, você não é inteligente? Eu respondo quase sarcasticamente.
Ele revira os olhos e se senta, recostando-se no sofá enquanto me puxa para mais perto dele, me segurando firmemente em seu colo.
Virando-me para ele, levanto uma sobrancelha e espero que ele cumpra o que me prometeu ontem à noite.
Quase lembrando-o de me dizer a verdade, eu me pego cobrando ele.
— Você prometeu.
Alessandro assente com convicção.
— Eu prometi, não foi?
Ele me puxa para frente e coloca um beijo na minha testa antes de me puxar para mais perto do seu peito, me beijando mais uma vez, desta vez na cabeça, e então descansa a sua cabeça na minha.
— Ainda não tenho todas as informações, as pessoas ainda estão averiguando isso, mas pelo que sei até agora, esse desgraçado realmente está envolvido.
— Mas por quê? Eu fiz a mesma pergunta ontem à noite. Empurrando-me para cima, Alessandro me olha bem nos olhos. — Por que você acha?
Eu vasculho o meu cérebro em busca de respostas, juntando as peças como um quebra- cabeça.
— Por que ele está com raiva de você por algum motivo? Eu pergunto, embora seja mais uma declaração.
— Exatamente, Máximo queria provar que eu estava errado, me colocar para baixo de alguma forma e quando ele não se saiu tão bem, você sabe o que aconteceu.
— Mas por que esperar tanto, já faz um ano e meio?
— Máximo queria esperar eu baixar a guarda, passar despercebido. Ele realmente fez um bom trabalho nisso. Ele murmura para si mesmo.
— Mas Alessandro. Estamos falando de Máximo. O que ele pode realmente fazer? Quero dizer, sim, ele me obrigou. Eu tento reprimir um estremecimento com o pensamento e os braços de Alexandro em volta de mim me deixam saber que ele sente o mesmo. — Mas, além disso, o que ele pode realmente fazer?
— Você realmente não sabe, não é? Alexandro pergunta, com uma satisfação sombria nos seus olhos.