Maya
O homem de terno se chama James, ele me disse assim que sentamos em uma mesa no bar.
— Prazer em conhecê-lo, James. — Pego sua mão estendida, olhando-o com cautela, e coloco minha b***a no assento à sua frente.
Ele reclina-se na cadeira, alisando a gravata antes de lançar um sorriso descontraído em minha direção.
— Prazer em conhecê-la, Maya. Se importa que eu faça algumas perguntas? É importante saber disso antes de passar para o meu chefe.
Ser entrevistada em um bar no meio de noite? Que maravilha.
Eu concordo.
— Me diga, você tem namorado?
Eu o olho mais confusa que envergonhada.
— Desculpe, não deveria perguntar isso assim. Mas é uma das questões do meu chefe.
Archie Baltimore. O maldito arrogante e******o do c*****o.
— Eu não tenho namorado.
— Ah, sim. — ele balança a cabeça como se tivesse registrando.
Realmente não acredito que estou sendo entrevistada em um bar.
— Conte-me um pouco sobre você.
Minha mandíbula endurece. Eu quero que ele vá direto ao assunto. Com certeza não quero fornecer informações pessoais, mas se houver alguma chance de ele ter uma oferta aceitável de emprego... preciso saber mais.
Olho para os rapazes e para Anne, que agora está atrás do bar, fingindo não ouvir. Liam olha para mim com uma expressão nervosa.
Volto minha atenção para o Sr. Terno Caro James.
Bem, James, tenho quase vinte e três anos e posso listar no meu currículo um negócio falido, antecedentes criminais, uma vida amorosa de merda e zero orgasmos com penetração.
— Uh, não há muito para saber. Nunca fui boa em entrevistas, principalmente naquelas para as quais não me inscrevi. — Estou trabalhando no bar até me estabelecer em Nova York. Na verdade, sou uma boa florista. Trabalhei em uma floricultura antes de me mudar para Nova York.
Suas sobrancelhas se erguem em surpresa.
— Florista? Interessante. Eu nunca teria adivinhado. — Dou-lhe um sorriso tenso. Posso não ser médica ou advogada, nem ter um emprego que exija um diploma de formatura, mas tenho orgulho da minha profissão. E eu tenho um belo traseiro que fica lindo quando estou inclinada cuidando das flores.
— Bom, a Coppélia, sua tia. Ela disse que você seria ótima para o trabalho, mas meu chefe tem suas dúvidas, já que tiveram uma interação r**m no passado.
— Isso foi há meses. E ele tem 70% de culpa eu diria. Ele foi grosso comigo.
— Oh, eu entendo. Mas você sabe que vai trabalhar para ele, não é?
— Isso para mim já é passado, James.
— Sim, claro. Você já se candidatou para um emprego de babá antes, então imagino que você deva ser boa com crianças?
— Eu penso que sim. — Eu dou de ombros. Não que a agência tenha feito muita diligência. — Tenho três irmãos mais novos e eles foram difíceis de crescer. Minha mãe estava sempre trabalhando e meu pai fugiu da cidade, então ajudei a criá-los.
Ele gosta dessa resposta.
— Sabe cozinhar?
— Sim, não sou uma chef com estrela Michelin, mas sei cozinhar um ovo. — Ele não gosta tanto dessa resposta.
— Você usa drogas?
Meus olhos se estreitam.
— Não.
— Quanto você bebe por semana?
Uma bufada me escapa. Esse cara está brincando comigo?
— Chega de perguntas. Qual é trabalho exatamente?
Meu novo amigo James sorri.
— O senhor Baltimore precisa de uma assistente doméstica com algumas tarefas de babá.
— Minhas sobrancelhas se apertam. — O que isso implica?
— Cuidar da filha dele quando ele não está lá. Cozinha, anotar recados, limpar a casa, lavar roupas. É uma vaga temporária para os próximos meses que precisamos preencher com urgência.
— Como uma empregada? — Eu pergunto. — Uma babá?
Ele dá de ombros com indiferença.
— De certa forma.
Balanço minha cabeça para ele em dúvida.
— O que faz você pensar que sou uma boa opção para isso? Você não sabe nada sobre minha experiência.
Seu sorriso se alarga, destemido pela minha resistência.
— Porque você levará o trabalho a sério. Tenho um pressentimento sobre você.
Tradução: ouvi dizer que você está desesperada. Você fará qualquer coisa para permanecer no país.
Deixei escapar um zumbido cético.
— Além disso, a Coppélia insistiu muito sobre você. Ela acredita que você pode ensinar algo bom a sua neta, por ser britânica.
— É só isso?
— Bom, você também já conhece o temperamento do meu chefe e parece boa em lidar com ele.
— Então ele me quer para gritar com ele?
— Isso não, Maya. Você vai precisar se comportar.
— Tudo bem, Maya? — Liam chama rispidamente do bar.
— Sim, Liam. — Inclino minha cabeça para acalmá-lo com um aceno de cabeça.
Quando me viro, James está tirando um pequeno bloco de notas de sua jaqueta.
Ele rabisca algo no bloco e desliza para mim na mesa.
Eu olho para o papel. Um leve pânico toma conta de mim, como sempre acontece quando tenho que ler algo sob pressão. As alegrias da dislexia.
— O que é isso?
— O salário por mês.
Minha respiração falha quando olho duas vezes.
— O ponto está no lugar errado? — falo. Ele ri e toma um gole de sua cerveja.
— É o valor para morar em Manhattan, com horários pouco comerciais. Meu chefe quer compensar isso.
— Absolutamente não. — Deslizo o papel de volta para ele com desgosto. — Eu não faço esses trabalhos impróprios.
— Você tem razão em estar apreensiva, eu entendo. Mas não há nada de impróprio no trabalho. Você será babá... — Ele faz uma pausa. — Um assistente em sua casa e nada mais.
— Uma babá nua — eu zombo.
Ele luta contra um sorriso.
— Você não pode estar falando sério.
Estreito os olhos para ele, não convencida. Tenho certeza que isso é uma vingança do Archie. Ele vai me manter em sua casa e me torturar, enquanto me obriga a t*****r por dinheiro. O que não seria um sacrifício, porque o cara é um gostoso.
Meu padrinho fada de terno, James, se inclina, com as mãos entrelaçadas sobre a mesa.
— Se você aproveitar esta oportunidade — ele sorri para mim, — e você seria uma tola se não aproveitasse, dadas as circunstâncias, você estaria trabalhando para o Grupo Baltimore. Você pode fazer à equipe de RH todas as perguntas que precisar para se sentir tranquila. Basta estar pronta para ir ao escritório assinar o contrato e preencher os formulários de visto.
— Visto? — Repito sem fôlego. Meu novo amigo está pregando uma peça c***l comigo.
— Sim, Maya — diz ele, inclinando a cabeça para escrever mais alguma coisa no bloco. Ele sabe que me pegou, anzol, linha e isca. — O RH entrará em contato com você para marcar um horário amanhã.
Com o queixo apertado, vejo-o rabiscar um número de telefone.
Minha testa franze ainda mais enquanto meu coração dispara. Eu quero muito, muito, muito acreditar nessa história, mas…
— Deixe-me ver se entendi — eu digo lentamente. — Você está me dizendo que seu chefe está disposto a dar a uma garçonete qualquer no Queens, que ele claramente odeia, um visto, acomodação em Manhattan e uma quantia obscena de dinheiro para trabalhar como babá chique? — Faço uma pausa, examinando seu rosto. — Tudo porque uma tia distante de terceiro grau me recomendou?
Isso me rende uma risada. Ele relaxa na cadeira novamente.
— Não é tão glamoroso quanto parece. Meu chefe está pagando alguém para estar à sua disposição e morar em sua casa. Acredite, é um trabalho difícil. Preciso de alguém que possa começar imediatamente e não tenha compromissos. — Ele me dá o que só posso chamar de um sorriso de lobo. — Francamente, eu sei que você está desesperada o suficiente para tentar aguentar.
Eu engulo em seco.
— Por que é urgente agora? O que aconteceu com a última babá? Ele a matou?
Outra risada.
— Você é engraçada. Ele pode gostar de você. Sua empregada doméstica em tempo integral teve que sair do estado para cuidar da filha. Foi inesperado e ele precisa de uma resposta imediata. Houve algumas outras babás depois, mas...
— Mas? — Eu levanto minha voz.
Elas estão no sótão. Mortas.
Ele acena com a mão como se a informação fosse irrelevante.
Hum.
Estou vivendo meu próprio maldito conto de fadas. Exceto…
— Meu visto expira em sete dias. — eu sopro pelas minhas bochechas. — Mesmo que isso seja legítimo, é tarde demais.
Ele descarta isso com outro aceno.
— Vamos agilizar seu visto. — Minha pulsação dispara. Simples assim. — Precisaremos examinar você, é claro. Exames médicos, verificação de rotina.
— Me verificar? — Tento manter minha expressão neutra. — Verificação… como uma verificação de antecedentes criminais?
— Sim. — Ele examina meu rosto. — Isso preocupa você? — p***a.
— Claro que não.
Quer ele acredite em mim ou não, ele segue em frente, batendo o dedo no bloco de notas.
— Anote seu nome completo, e-mail e número de telefone. Esteja pronta para ir à nossa sede amanhã.
Concordo com a cabeça lentamente, meu cérebro procurando por perigo. Talvez Archie Baltimore não me odeia tanto, sei lá, foi apenas uma má impressão inicial. Ele nem deve lembrar de mim.
Enquanto James está anotando no bloco de notas, vou pesquisar por Archie na internet. Não que eu tenha esquecido dele. Um homem como ele não é capaz de se esquecer.
O cara não está na casa dos trinta. Cabelo escuro. Olhos azuis árticos.
Eu me lembro como minha prima foi elogiada na família por casar com um milionário americano lindo.
Ele é o tipo de homem que deixa qualquer mulher de quatro mamando em seu p*u.
Mas serial killers também são atraentes. E não consigo encontrar uma única foto de Archie sorrindo. Basta uma decisão errada para acabar num sótão.
— Qual é o nome da menina mesmo? — Lily. Ela tem sete anos. É a sua oportunidade, Maya. É pegar ou largar.
É pegar ou sair do país, é mais provável.
Mas se eles me verificarem, vou falhar, então o que tenho a perder?
No momento, é a única opção que tenho.
James também sabe disso, a julgar pelo sorriso em seu rosto. Ele bate os dedos nos números do bloco.
Deve ser assim que as pessoas acabam trabalhando para a máfia.