"Cresci em Paranaguá, cidade mais antiga do Paraná.
Enquanto criança sempre escutava os mais velhos contando uma lenda da cidade, achei na internet e vou colocar na íntegra aqui, depois da lenda tem meus comentários!
“O Mistério da Casa Afundada - Uma lenda sobre a Semana Santa
Durante o século 19, Paranaguá era ainda chamada de Vila, e o Rocio, de Arraial. E nessa época, o capitão-mor recebeu a visita de um vigário, e de um mensageiro do "Arraial do Rocio". Estes lhe comunicavam que estavam em Semana Santa, e nenhuma atividade profana seria de agrado à Santa Igreja. Ciente do problema, o capitão-mor proibiu toda a festa naquele dia, mandou fechar os bordéis e decretou Lei Seca durante aqueles dias.
Só que havia um problema: um cidadão, chamado Robert Inglês, que organizava o fandango (o baile típico daqui) se recusava a cancelar o baile daquele dia.
E de tanto aquele falar, os cidadãos chegaram à conclusão que era besteira obedecer tanto a Igreja quanto o capitão-mor.
E o fandando daquela quinta-feira Santa ocorreria como organizado.
uma garota, chamada Lilica, ficou em casa com o irmão, Felipe, e a avó, enquanto os pais viajariam naquele dia e só voltariam no Domingo de Páscoa. Decidida a ir ao fandango mesmo sendo na quinta-feira santa, ela e sua amiga Carminda planejaram pular a janela dos fundos da casa e fugir para o baile.
Nisso, em outra casa da região, um casal chamado Pedro e Isabel discutiam.
- Toma essa cangica, Pedrão.
- Eu num quero cangica nenhuma, Izabé! Eu quero é sargado, muié!
- Mas é quinta-feira Santa, Pedrão! Hoje é dia de jejua e orá!
- Cala a boca, Zabé! Vai pro d***o que te carregue!!
Nisso, um amigo do Robert Inglês chega na casa e chama Pedrão:
- Ei, Pedrão! O Robert Inglês tá te chamando pra tocar no fandango de hoje. Vamo?
- É pra já, cumpadre Maneco! Mior do que ficá ouvindo as bestera da Izabé!
E Isabel ficou a se lamentar, enquanto Maneco e Pedrão foram para o fandango, que aliás, já estava começando a encher.
Quando os dois chegam, logo começam a tocar. Robert Inglês e seus criados servem o caldo de cana e logo começam o grande baile.
Nisso, Lilica e Craminda se arrumam para sair. Elas verificam mais uma vez se Felipe e a vovó já dormiam, e logo pulam a janela. Elas seguem pro baile, a fim de aproveitar bastante.
As altas horas da noite, chega um misterioso cavaleiro, montado num cavalo n***o. De chapéu na cabeça e terno, ele entra, e cumprimenta Robert:
- Boa noite, moço. Pode chegar, que o baile é meu. Não paga nada pra entrar.
- Obrigado, tenho certeza de que irei me divertir muito essa noite...
E logo, com sua simpatia extrema, o galanteador conquista a todos na festa, principalmente das mulheres. A festa até começou a ficar mais divertida com a sua presença.
Isabel acordou assustada.
- Ai, meu Deus! Não vo dormi até o Pedrão chegar...
Ela se levandou e foi chamar as duas filhas, Safira e Maria.
- Acordem, meninas! Vamo busca o seu pai lá no fandango, que ele deve tá torrado...
- Vamos, mamãe.
Então, o galanteador misterioso se aproxima de Lilica.
- Muito prazer. Me chamo Luce.
- Meu nome é Lilica.
E os dois dançaram, e Lilica e Luce sentiram que estavam apaixonados um pelo outro. Mas algo parou Lilica, e ela parou de dançar para falar em segredo com Carminda.
- Carminda, vamos embora, por favor!
- Por quê, Lilica? Você estava se dando tão bem com aquele mancebo...
- Eu vi fogo nos olhos daquele homem, e além do mais, tive um pressentimento de que iríamos morrer esta noite...!
- Cruz credo, Ave Maria!! Vamos embora daqui, Lilica.
Assim que Lilica e Carminda saíram do fandango, Isabel chegou com Maria e Safira.
- Olhem só que bagunça, mãe!
- Esse povo não teme a um castigo de Deus...
Então, Luce sai do escuro e grita para o povo:
- Dancem, bebam e divirtam-se, minha gente! Dancem até morrer! Ahahahahahahaha.....
De repente, quanto o relógio bateu meia-noite, a casa tremeu e afundou. Todos que estavam lá gritaram e se apavoraram, mas os únicos que saíram foram Isabel, Maria e Safira. Só um riso ecoou no ar: o riso do d***o.
De manhã, os soldados do capitão-mor foram visitar a casa junto com o padre, mas nada encontraram. A casa havia afundado completamente.
De onde aconteciam grandes festas, não restou nem um sinal sequer. O chão que era firme, se tornou um pântano medonho o triste. Um cenário grotesco do castigo divino. Assim, a lenda da casa afundada foi passada de geração em geração, ficando conhecida como "o brejo que canta". E dizem que quem passa pelo terreno baldio, próximo à companhia Santo Antônio, próximo a Estrada Velha do Rocio, durante a meia-noite de quinta para sexta-feira Santa, ainda escuta os moradores fazendo festa, junto com gritos de pavor e do riso maldito do diabo.”
Essa é a história que escuto desde pequena, mas, o interessante é que diversos moradores mais velhos, tem diversas histórias de quando eram pequenos e iam para o suposto lugar onde a casa afundou, e toda quinta-feira santa, colocavam o ouvido no chão e escutavam gritos e música.
Onde supostamente ficava a casa, sempre foi um terreno sem nada, nada que construíam dava certo, sempre caia.
Anos mais tarde construíram um supermercado Condor, o maior da cidade. Depois de uns 5 anos, o supermercado pegou fogo do nada.
Os moradores mais velhos alertavam que nunca ia dar, por causa da casa afundada.
Quando estavam reconstruindo, um dos pedreiros morreu. Outro sinal que ali não deveria ter construção. Chamaram o bispo da diocese da cidade para benzer o terreno e depois disso nada mais aconteceu. Porém, ainda tem muita gente que conta que ainda escuta os gritos e as músicas vindo do chão!"
(A lenda foi retratada em um filme de Cito Matoso)