Capítulo 6.

1411 Words
— O quê? Caíram no chão? — digo, cortando-o. — Acho que a amiga estava tão enlouquecida que quando a ruiva abriu a porta, ela se jogou em cima dela, derrubando-a. Mas não ficaram machucadas. Eu verifiquei isso — ele responde apressadamente. — Continue — digo impaciente. — Bem, depois que elas entraram eu pude ouvir um pouco da conversa delas. Falaram sobre alguém chamado Brian e sobre o senhor. — O que disseram sobre mim? — pergunto realmente interessado. — A moça ruiva disse que o senhor a salvou ontem duas vezes, primeiro livrando-a de um assalto e depois quando veio e abriu a porta do apartamento dela para que pudesse entrar — ele diz resumidamente. — E o que mais? — pergunto agoniado. — Bom, não pude ouvir muito, pois elas estavam praticamente cochichando — ele diz como se pedisse desculpas. Quem seria essa amiga? E porque a deixou sair sozinha? Será que morava com ela? E quem era esse Brian? Seria seu tio? Não, ela mentiu sobre isso, tenho certeza. Aquilo não estava cheirando nada bem. Aliás, estava cheirando a encrenca e das boas. Espero estar enganado. — Tudo bem, Calvin. Peça um táxi e volte pra casa. Assumo a partir daqui. Precisarei de você apenas à noite. Anne está com Claire em casa e acredito que não vão sair durante o dia — digo dispensando-o. – Senhor, mais uma coisa. – Calvin diz antes de se retirar. — O que? — pergunto interessado. — Devo informá-lo que a senhorita ruiva não ficou muito contente em saber que o senhor me pediu para que ficasse aqui para mantê-la segura — ele diz ressabiado. — Eu resolvo isso, Calvin. Pode ir. Ah! Calvin! Essa amiga era uma loira peituda? — digo lembrando-me da desagradável prostituta da noite anterior. — Não, senhor. Ela é alta e morena — ele responde. — Ok. Bom descanso — digo e ele se retira apressadamente. As coisas saíram um pouco do controle. Tudo porque dormi demais. Pretendia render Calvin mais cedo e verificar se o tal tio de Jennifer existia, apesar de apostar minhas bolas que era mentira. Mas apaguei e agora teria que mudar um pouco minha abordagem. Essa garota está me cheirando à encrenca, mas não posso simplesmente virar as costas. Não enquanto estiver em dívida com a vida. Eu não que sou um bom samaritano, em busca de perdão ou com o propósito de salvar o mundo, estou muito longe disso. Certo, eu faço doações à caridade e participo de eventos filantrópicos, mas nada, além disso. No entanto Jennifer faz ressaltar cada instinto protetor que há em mim. Quem eu quero enganar? O que venho sentindo não tem nada a ver com proteção. Não sei exatamente o que é, mas não consigo ficar longe dela, nem que seja por uma maldita noite. Lembro-me vagamente do meu último pensamento. Pensei como seria beijá-la. Sacudo a cabeça para afastar o rumo dos meus pensamentos e bato na porta. Ninguém atende. Bato de novo um pouco mais forte. Nada. Resolvo chamá-la. — Jennifer! Jennifer abra a porta! — falo praticamente berrando. Fecho os olhos tentando me acalmar. Sei que ela está lá dentro. Vou contar até cinco e se ela não abrir a porta... — O que faz aqui? — ela abre uma brecha na porta abruptamente. Parada cardíaca! Abro os olhos e me arrependo no exato instante em que o faço. Se eu imaginei que ela fosse linda na noite anterior, agora não existem palavras no mundo para descrever tanta beleza. Olhos azuis, estático e sempre focado no horizonte, cílios naturalmente longos, nariz arrebitado, lábios carnudos e maçãs do rosto levemente coradas dão o toque final à obra prima. Uma verdadeira Afrodite, ruiva e linda de morrer. Seus cabelos estão úmidos e presos a um r**o de cavalo improvisado. Ela está usando um vestido branco de algodão e renda. Parece um anjo. Só de imaginá-la no banho, o sabonete escorrendo em sua pele aveludada, deslizando pelos s***s e descendo entre as pernas, já me faz endurecer. Merda. Tento frear meus pensamentos eróticos. — Deixe-me entrar — digo soltando a respiração que eu nem sabia que estava prendendo. — Não! — ela tenta fechar a porta. — Não foi um pedido, Jennifer — empurro-a gentilmente e entro. — Mas o que você está fazendo... — ela tenta elaborar alguma frase. Ignoro seu quase protesto e vou em direção à moça sentada no sofá. — Quem é você? — pergunto desafiadoramente. — Paige Fischer — ela responde com os olhos arregalados. — Sr. Durant! — Jenny grita cruzando os braços. — Neil. Chame-me de Neil, Jennifer! — digo sem desviar o olhar da morena que me encara visivelmente nervosa. — Não importa! — ela caminha até mim — Não pode invadir minha casa e interrogar meus amigos. — ela diz indignada. — Amiga? Que tipo de amiga deixa a outra amiga cega andar sozinha à noite, ser atacada e dormir na rua? — digo enfurecido. — Eu não dormi na rua — ela sibila. — Não graças a ela — aponto para a jovem que apesar do medo, começa a me encarar com petulância. — Neil... — Paige interrompe. — Sr. Durant para você, Srta. Fischer — encaro Paige duramente. — Sr. Durant eu estava trabalhando — ela me olha torto e se justifica. — Vai me dizer que ela é sua tia? — digo virando- me para Jennifer. — Não, eu... — Jenny balbucia, esfregando o pulso. — Eu agradeço o que fez pela Jenny, mas eu avisei para ela não ir se encontrar com o Kevin... — Paige murmura. — Fica quieta, Paige. Não é da conta dele — diz Jennifer rispidamente. — Já que eu salvei sua vida, mais de uma vez, creio que seja da minha conta sim, Jennifer — eu sei que ela tem razão, não é da minha conta. Droga! O sensato seria ir embora agora que vi que ela está sã e salva com sua amiga. Vou apenas me assegurar que ela está bem e vou embora, repito a mim mesmo. Mas não consigo desviar os olhos dela, enquanto ela caminha em direção à amiga no sofá. Não consigo parar de pensar nela, em sua pele suave, seus cabelos macios como seda e nesses lábios sedutores. Sem contar esses olhos, que mais se parecem com as profundezas de um oceano. Intensos, quentes e cálidos. Porra! E eu só penso em beijá-la. — Não, não é... — Jennifer diz de uma forma tão intensa, me encarando, que se eu não tivesse certeza de que ela é cega poderia jurar que ela vê minha alma — Pegue seu leão de chácara e saia daqui! — ela ruge. — Inferno, mulher! — digo exasperado. — Eu agradeço pelo que fez, mas termina por aqui — ela insiste segurando a mão de Paige, como se fosse um escudo. Contra mim? O maldito celular resolve tocar nesse momento. — Agora não, Penélope — digo atendendo após identificar o número de meu escritório. — Desculpe-me, Sr. Durant, mas Peter está aqui e diz que é urgente — ela explica. — Mande-o aguardar. Estou indo. Encaro Jennifer por alguns segundos e vejo que ela está ofegante. Ela é linda. Poderia olhá-la por horas. Mas tenho que me encontrar com Peter e já é quase hora do almoço. Perdi toda a manhã e ainda não resolvi nada aqui. Inferno! Preciso ir, não tenho como ficar mais. — Não terminamos ainda — digo virando-me para Paige com olhar duro. — Estou de olho em você. Vou mandar um dos seguranças da minha empresa para cá Jennifer e não admitirei nenhum argumento quanto a isso — digo incisivamente. — Mas Sr. Durant, o que está pensando? — ela diz indignada. — Não vou aceitar suas recusas e independentemente de você querer ou não, enviarei alguém aqui. Quero que fique segura até pelo menos nos encontrarmos novamente. Entendeu? — digo e olho incisivamente para Paige que se encolhe no sofá. — Mas... —Jennifer começa e eu a interrompo. — Sem, mas apenas aceite. Meu segurança estará aqui em breve — digo e me viro para sair. Dou mais uma longa olhada nela e encaro Paige que me olha estupefata e com um ponto de interrogação no meio da testa e me encaminho até a porta. Quero que a Paige saiba quem está no comando agora. Assim ela não vai querer interferir junto à Jennifer ou colocá-la em perigo.
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