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4148 Words
Passei dias tentando achar uma forma de começar esse texto, o resto fluiu bem, eu soube exatamente o que dizer, mas o começo… Me fez questionar várias coisas, e eu queria que fosse perfeito, que o texto inteiro fosse perfeito, e para assim ser, teria que ter um bom início. Sendo assim, eu decidi falar de quando eu soube que realmente te amava, do início dos meus sentimentos. Eu li há anos a seguinte frase: “Se você gosta pelo físico, é desejo. Pela inteligência, é admiração. Pelo dinheiro, é interesse. Mas se você não sabe o por quê, é amor”, e nunca fez muito sentido pra mim. Eu imaginava que quando se ama alguém, você é capaz de dizer exatamente o porquê de amar aquela pessoa, que teria mil maneiras de explicar aquele sentimento. E aí eu te conheci, e eu nunca soube explicar o porquê de eu não conseguir tirar os olhos de você, o porquê das minhas mãos suarem perto de ti, o porquê do meu corpo tremer com o seu toque, o porquê dos meus olhos brilharem quando você está perto. Eu não sabia explicar nada, apenas sentir. E aquela frase nunca fez tanto sentido. Eu nunca havia sentido tantas coisas, e não conseguia nem colocar aquilo em palavras, pois eu só sentia e pronto. Quando me perguntavam eu realmente não sabia o que dizer, apenas sorria e a pessoa já vinha com um: “tá apaixonada, não é?”, ambos sabendo que o sentimento existia, mas sem ter uma explicação para isso. Foi a coisa mais linda que eu já me vi sentindo, e eu nem sabia que era capaz de sentir tanto assim. No meu mundinho não tinha espaço pra mais ninguém, e de repente eu quis te ter ali, morando comigo e fazendo do meu mundo, o nosso. A pior coisa que eu fiz foi tentar lutar contra isso, me causou angústia e eu ainda feri a pessoa que eu mais queria bem. Acho que nunca vou me perdoar por não ter estado mais preparada pra isso antes, por ter deixado meu medo de ficar com alguém te afastar de mim. Você foi a melhor pessoa que já apareceu na minha vida, e eu queria ter a certeza que tenho agora há mais tempo. Agora eu sei que é contigo que eu quero ficar, que só você é capaz de me fazer feliz. Só você pode me levar do céu ao inferno em questão de segundos, e ainda me deixar sorrindo no final. Queria ser capaz de dizer a todo momento que te amo e que te quero comigo, mesmo soando grudento e clichê, mas é isso que eu realmente sinto. E eu espero que você consiga sentir o meu amor mesmo que eu não expresse ele sempre em palavras, pois ele está em alguns detalhes também. Quando eu digo pra você se cuidar, na verdade eu estou torcendo e orando para que você realmente faça isso, porque eu não suportaria perder você ou te ver m*l. Quando eu não demonstro ciúmes ou pareço não ligar com algumas coisas, é porque eu prefiro mil vezes estar bem contigo, sentir que não tem sentimento r**m nenhum entre a gente, e essa vontade consegue ser maior do que qualquer implicância boba que eu possa sentir vontade de fazer contigo. Não são palavras, mas ainda assim são sentimentos. Cada mínimo detalhe é uma demonstração de amor diária. Mas mesmo não conseguindo demonstrar direito, não conseguindo entender o porquê, o amor está aqui, crescendo a cada dia, tão intenso que parece transbordar no meu coração. Só consigo sentir vontade de sempre ter os seus carinhos, pela minha nuca, meus cabelos, me fazendo ir ficando mole e aninhando meu corpo ao teu, fazendo eu me sentir amada e me fazendo esquecer de todos os problemas. E é por isso, e por mais um milhão de motivos que eu não quero desistir. Que eu quero ir até o fim, ou adiá-lo para sempre. Eu confio no que eu sinto, e sei que eu não iria sentir tanto se não fosse pra dar certo. O universo não me daria um amor tão avassalador, se já não estivesse escrito nas estrelas que iríamos terminar juntos. Já disse antes, mas se você soubesse o quanto me tem, não iria nunca ter medo de me perder. Meu coração é teu, completamente teu, e só bate por ti. Eu te amo, com todo sentimento bom que há em mim. Os dias pareciam amigáveis para as duas mulheres, todos os instantes elas se olhavam e sorriam, coisa boba e elas se sentiam adolescentes novamente. O clima havia melhorado, inclusive, para todos dentro daquela casa, mas embora tudo tivesse na mais perfeita paz todos sabiam que ainda havia pontos em que não deveriam ser mencionados. - Eu poderia muito bem morar aqui. - Sofi disse olhando para o lado de fora. - Não iria reclamar nenhum pouco! - Miley e Liam vieram no verão e a mesma mencionou que havia tantos insetos que ela sentiu a alma ser puxada para fora do corpo. – Morgan deu de ombros enquanto comia uma maçã, Sofia acabou gargalhando pela forma. - Eu a vi tem poucos meses. – Sofia comentou. — Ela finalmente está deixando de ser a garota problemática e tomou algumas responsabilidades para si, então acho que seja por isso que optou pelas férias com o namorado. — A relação ficou meio estranha com o tempo. – Morgan rebateu e isso despertou a curiosidade em Sofia. — Você está me escondendo alguma coisa? — A maçã deixou de ser mastigada e a mulher de longos cabelos negros parou com todos os movimentos do seu corpo. — Eu não sei o que você quer dizer! — Tentou tirar o seu da reta. — Como uma pessoa que nunca namorou alguém sabe sobre os problemas de casais passam? — Sofia estava se divertindo com o embaraço causado na arquiteta. — Caso não se lembra, eu sou a conselheira amorosa nesse grupo. Embora nunca tenha estado em um relacionamento, tenho uma visão diferenciada que vocês, meros mortais, têm. — Morgan relaxou quando ouviu a gargalhada de Sofia. — Mas voltando ao clima, eu gosto bastante de estar rodeados de prédios, sons de buzinas e a agitação de uma happy hour todas as sextas. — Eu amo essa tranquilidade que esse lugar me passa, estou tão acostumada com a caótica Nova Iorque que qualquer chance de ficar isolada me agrada bastante. — Sofia suspirou. — Você iria odiar a Índia. – Karen entrou na cozinha e rapidamente entrou na conversa. — Meu chefe me mandou para aquele inferno onde vacas e macacos andam livremente pela sociedade e aqueles carros desgovernados e... — Ok, ou você vai surtar. — Morgan disse e Sofia riu mais ainda. —Sofi, quando iremos poder visitar você? Ao que eu saiba, Nova Iorque é o único lugar que ainda não fomos. Até mesmo Gabriel nos recepcionou no Canadá! — Sofia pensou. - Vocês quem sabe, mas precisam me avisar com no mínimo três meses antes para me organizar bem. - Quando é que você vai deixar esse lado organizado no fundo do armário? - Karen a encarou. - Se jogue mulher, deixe as precauções para outro dia e... — Quando Sofia iria debater, Gabriel foi até elas com o celular da própria tocando. - Desculpe interromper as moças, mas teu telefone tá quase explodindo de tanto tocar e pelo o que vi, há 45 chamadas não atendidas de Luna. - Sofia se assustou e Karen soube que aquilo não era um bom sinal. Sofia agradeceu e logo atendeu a chama antes que a chamada caísse. - Ei, o que está acontecendo? - Sofia foi direta. - Graças a Deus, eu já estava ficando desesperada. Margareth teve complicações e o tumor piorou gradativamente, estamos tentando evitar o pior, só que ela insiste em te querer por perto. Sofia engoliu em seco e olhou para Karen. - Espere um segundo, Lulu. - Gabriel ainda permanecia ali. - Pode arrumar minhas coisas, eu preciso voltar com urgência?! Ninguém ousou perguntar os motivos e Karen apenas saiu correndo indo em direção do quarto delas para preparar tudo. - Luna, talvez eu demore um pouco... - Sofia respondeu. - A Família dela disponibilizou o jato deles para ir buscar você, tenho certeza de que em algumas horas ele estará no aeroporto particular à sua espera. - Luna dizia em um tom sério, sabia que aquela paciente era especial demais para sua irmã mais velha.. - Vai dar tudo certo, você só precisa voltar pra casa! - Estou a caminho, me mande o endereço do aeroporto por mensagem. Tchau! - E desligou. - O que houve? - Morgan foi a primeira a falar. - O trabalho me chama. - Sofia piscou algumas vezes e lágrimas queriam se formar em seus olhos. - Sinto muito por isso, mas eu não posso permitir que ela se fosse... Essa paciente é especial pra mim, eu não posso ficar aqui sabendo que... - Então Sofia chorou. Morgan a abraçou apertado e Gabriel as deixou ali enquanto ele corria até Ashley que estava na cozinha planejando o almoço de todos, do seu lado estava Melissa, Ariana e Yoko conversando besteiras de sempre. - Ash, eu posso falar com você um instante? - Gabriel puxava o ar com força para seus pulmões. - O que aconteceu? - Ela viu o desespero no olhar dele. - Eu amo você, mas você ficaria chateada se eu fosse embora com Sofia? — Todas pararam o que estava fazendo para encarar o único homem ali. - Sofia vai embora? - Melissa parou de sorrir. - Ela está bem? - Yoko pegou a primeira coisa que encontrou e limpou suas mãos; era uma camisa de Gabriel. - Uma paciente dela que está em fase terminal teve complicações. - Ele explicou, uma vez que ele era o mais próximo e foi capaz de ouvir toda a chamada. - Sofi vai precisar retornar ainda hoje para Nova Iorque. - p**a m***a! - Ash disse. - Sofi precisa de alguma coisa? - Eu não sei K está organizando as coisas e Sofi está com as meninas na cozinha. – Yoko foi em direção ao lugar onde Sofia estava. - Eu vou com vocês! - Ashley disse sem pensar duas vezes. - Vamos para o quarto arrumar nossas coisas. - E assim, eles também saíram. Melissa e Ariana continuaram ali. - Eu vou também... - Foi o que Melissa disse. - O que pretende? - A olhou para ela. - Mel, veja bem... Eu não tenho nada contra você ou contra o relacionamento que tiveram, acho até bonito que mesmo depois de tantos anos você esteja arrependida e queira voltar a fazer parte da vida dela, mas por quê? — Melissa não sabia o que Ariana pretendia com aquilo, mas mesmo assim resolveu ficar ali e ouvir. - Por que eu à amo, nunca deixei de amá-la! - Foi o que Melissa respondeu. - Olhe não me entenda m*l, mas... Se você diz tanto que a ama por que não a procurou antes? Por que foi embora e deixou-a sozinha? Por que agora? - Mel ficou pensativa. - Quer dizer, eu adoro esse drama lésbico que ronda vocês, mas você acha que Sofia está disposta a passar por tudo novamente? Ela pode muito bem ter outra pessoa e estar feliz, por que você quer tocar nessas coisas do passado que trouxeram tanto sofrimento para vocês duas? - Por que você está me perguntando essa coisa? - Melissa parecia perdida demais para saber responder de forma coerente, quando pediu que Ariana entrasse naquela história com ela nunca pensou que a ruiva deixaria ser levada pelas emoções pesadas que lhes rondassem. Então, ouvir aquelas dúvidas de alguém que não presenciou todo aquele drama no mínimo era alarmante para si. - Eu só preciso saber que você não vai abandonar ela quando os problemas vierem. - Ariane estava bastante séria. - Só isso, por que eu juro pra você que por mais amiga sua que eu seja, eu irei quebrar toda a tua cara se fizer isso, eu sei que Karen pode não ser muito minha fã, mas tenho certeza que irá fazer um altar com uma estátua minha por que eu terei feito o que ela nunca pode fazer. Melissa franziu o cenho confuso. - Como assim? Ariane riu. - Eu não deveria falar sobre isso, porque não é assunto meu, mas eu estava presente quando Morgan mencionou: Quando você foi embora e deixou Sofi sofrendo... Ela precisou explicar para todas nós o motivo para o teu desaparecimento, foi à primeira vez que eu a vi chorar e foi também à primeira vez que vi um coração se quebrar diante dos meus olhos e mesmo sofrendo, ela nos fez prometer que não iríamos ir até você e te bater até ter noção da burrada que estava fazendo. Mesmo indo embora, ela te protegeu com tudo o que tinha... - E-eu não sabia disso. - Melissa explicou. - Normal você não sabe várias coisas. – Ariana confessou. – Você deveria valorizar o teu grupo de amigos, por mais diversificado que seja... Apesar de tudo, nenhum deles te virou as costas e soube lidar perfeitamente com um término, eu no lugar de Sofia e terminando da forma que tudo ocorreu jamais olharia para você novamente. Então por favor, não quebra o coração dela, mesmo não a conhecendo direito... Eu gostaria de ter uma pessoa como ela e tenho certeza de que muitas pessoas pensam da mesma forma que eu. – Ela se colocou em pé e suspirou antes de sumir pelas escadas, disse: – Vou ir arrumar minhas coisas, minha missão aqui foi cumprida. 「...」 Horas mais tarde, Sofia colocava o casaco preto sobre seu corpo. Havia luvas em suas mãos e um gorro em sua cabeça. Ela respirava fundo por que sabia que à partir dali as coisas se tornariam complicadas e ela não poderia mais demonstrar ser frágil, precisaria colocar mais uma vez sua máscara de onipotente e inabalável por que o mundo havia conhecido ela daquela forma, mas aquelas pessoas que a observavam de longe conheciam seus mais sombrios medos. Mesmo depois de toda a terapia, Sofia jamais conseguiu superar sua fobia por portas abertas e muito menos o medo da despedida. Embora soubesse que sempre seria necessário, dizer adeus nunca estava em seus planos. Não é irônico? Já que a mesma havia se tornando uma médica que vivia lidando com perdas atrás de perdas e que carregava nas costas um peso que ela mesma havia colocado. Sofia prometeu que jamais desistiria e promessas para ela eram sagradas. Principalmente para a mulher que estava precisando de sua ajuda. Por anos, Sofia foi até ela para conversar, desabafar e se abrir... Por anos a mesma mulher ouvia todas as semanas os lamentos de Sofia e suas conquistas, havia vezes em que acabava irritada, outras orgulhosas e haviam também os dias frios onde Sofia não queria dizer absolutamente nada, porém ela entendia... Sofia só precisava saber que não estaria sozinha. E ela não estava não dessa vez. - Eu ainda não acredito que vocês estão fazendo isso. - Ela observou Gabriel colocar as malas dele e Ashley dentro do carro alugado. Karen estava olhando para Yoko, elas pareciam tensas. - Já disse, não iremos te deixar sozinha! - Ashley sorriu. - Você sabe que teus fãs irão surtar e tudo irá ser um caos! - Sofia lembrou. - Estou de férias e todos acham que estou em algum SPA no Pacífico. - Deu de ombros. - Falta apenas você se despedir, vamos logo antes que fique tarde. Sofia não respondeu nada, apenas observou os três entrarem no carro e ela respirou fundo mais uma vez enquanto caminhava em direção às suas outras amigas. - Mais uma vez, peço desculpas. - Ela sorriu amarelo. - Margareth foi minha terapeuta e quando me formei, ela descobriu que tinha diagnóstico de câncer no cérebro, eu venho cuidando do caso desde então, porém... - Sofia respirou por uns instantes e Morgan sabendo a amiga que tinha foi até ela para abraçá-la. - E-eu só preciso fazer alguma coisa pra remediar mais um pouco... - Você sabe que não precisa se desculpar, nunca precisou. - Yoko disse. - Nós entendemos e sabemos que faríamos o mesmo de estivesse em teu lugar. - Espero de todo o coração que tudo fique bem e que em breve você poderá voltar. – Ariana disse um pouco mais afastada. – Foi muito bom conhecer a pessoa maravilhosa que você é. – Sofia corou com o elogio. - Qualquer coisa estaremos aqui, basta mandar uma mensagem no grupo e nós entraremos no primeiro voo direto à New York, babe. - Yoko brincou causando risos em todas. - Muito obrigada, mesmo. - Sofia limpou as lágrimas que escorriam pelo seu rosto. - Mellz, você pode conversar alguns minutinhos comigo? – Aquilo pegou Melissa de surpresa. Na verdade, a última frase pegou todas de surpresa, talvez algumas mentes pensavam que Sofia partiria sem se despedir de Melissa. - C-claro. - Foi tudo o que a americana disse antes de seguir a latina em um cantinho próximo a uma árvore. Quando ambas estavam próximas uma da outra, foi impossível conter o suspiro. Um casaco preto com uma calça jeans colada que realçava todo o seu corpo. Melissa segurou o riso quando percebeu que Sofia ainda não havia perdido a mania de suspirar mesmo que sem perceber por ela. Talvez aquilo fosse bom, foi por isso que Melissa acabou criando expectativas sobre aquele futuro relacionamento. - Desculpe por ter dito aquelas coisas. – Sofia disse ficando vermelha. - Embora estivesse bêbada, não tinha o direito de falar tudo àquilo daquela forma... Quer dizer, eu não tinha o direito de fazer o que eu fiz e peço desculpas por... – ficou sem jeito quando apontou para o lugar onde Ariana estava. - Por ter sido na frente dela. Aquilo acabou causando uma enorme dúvida na mente da loira, Sofia estava se desculpando por...? - Ariana e eu não namoramos... – Melissa assumiu. - Quer dizer, nós... Ham... - Fez uma careta. - Eu não preciso saber! -Sofia foi categórica. - Certo, eu só a trouxe por que não estava preparada para lidar com tudo isso, novamente. – foi à vez de Sofia ficar confusa. - E ainda sim, você quis um relacionamento comigo. - Aquilo não havia sido uma pergunta, nem uma afirmação. - Você fingiu que namorava ela e embora Karen tivesse dado a entender o mesmo, eu só... Melissa, eu não sei como me sentir nesse exato momento. Eu não tenho nem noção do que estou fazendo, mas eu quero que saiba que é importante pra mim... - Então ela puxou do bolso um pequeno anel e mostrou para Melissa que já tinha algumas lágrimas nos olhos. - Eu não sou mais a mesma pessoa de antes, da mesma forma que você também não, mas há certas coisas que acabam me fazendo lembrar o que éramos no passado e até mesmo pensar no que poderíamos ter sido se tivesse continuado daquela forma. Eu provavelmente esteja cometendo um erro ou afirmando o que todo mundo já sabe; que você é o amor da minha vida. Embora tenha dito diversas vezes para mim mesma que eu havia superado você, tivesse dito, inclusive para você, que eu não te amo... Acabou se tornando a minha única verdade por que eu não podia me prender a alguém que não me correspondia de alguma forma. Quero que você guarde esse anel por vários motivos, eu me lembro de que você não gostava por ser extravagante e eu achei que seria seu favorito só por causa do símbolo ser do seu seriado preferido. Eu gostaria que você ficasse com ele, mas não pelo o que sente hoje por mim, mas sim pelo o que éramos no passado. Eu amava aquela Melissa boba, de cabelos loiros sempre bagunçados e olhinhos verdes brilhantes com todas as forças que habitava em mim e eu queria que você guardasse como uma lembrança e... - Você não ama quem eu me tornei hoje? – Melissa m*l respirava direito depois daquela pergunta. Com os olhos vermelhos, Sofia lhe respondeu: - Eu não posso amar algo que eu desconheço. - Foi doloroso ouvir aquilo, mas ela sabia que Sofia tinha razão. - Eu não sei como vai ser nossas vidas daqui pra frente, não sei quais seus planos e nem como ficaremos... Ou se ficaremos. Não quero te dar expectativas ou criar por que a única coisa que eu não preciso é dessa desestabilidade emocional que você me causava. Somos mulheres adultas com inúmeras responsabilidades e eu não posso permitir me distrair das minhas obrigações. Melissa concordou mesmo que não soubesse o que dizer. - E-eu posso procurar você? - Uma lágrima escorreu pelo seus olhos. Sofia estava sendo sincera ali, mas Melissa parecia tão empenhada em continuar com aquilo mesmo Sofia dizendo que não ligava. - Claro, mas... - Então ela se lembrou das palavras de Morgan. - Você pode me procurar sim, minhas férias serão adiadas e você pode ir até NY. - Ela sorriu. Melissa também sorriu e seu coração disparou com a ideia de poder ir até Sofia. Elas iriam continuar com a conversa até que Karen apitou o carro chamando a atenção de Sofia. - Eu preciso ir. - Sofia mordeu o lábio encarando Melissa. - Mantenha contato! - Você também. - Continuaram se encarando. - Eu quero beijar você. - Por favor, não o faça! - Sofia respondeu rapidamente. - Com sua presença, eu sei lidar... Mas eu não conseguiria parar de pensar em um beijo seu e isso não é bom quando eu sei que terei de operar pessoas. - Sofia tentou aliviar o clima. Melissa riu ao concordar e puxou Sofia para um abraço apertado. Ambas ficaram ali até Karen quase estourar a buzina do carro, Sofia se afastou e Melissa sentiu seu coração se afastar dela. Não houve um beijo, mas elas sabiam que seus corações estavam batendo no mesmo ritmo por causa do mínimo contato. Quando Sofia entrou no carro, ao lado de Karen, Ashley foi a primeira que puxou assunto. - Eu quero ser madrinha desse casamento! - Tentou brincar e Gabriel bufou. - Você fez bem ao não beijar ela! - Ele resmungou e Sofia permaneceu em silêncio. - Algum problema, Sofi? - Karen perguntou enquanto dirigia o carro com cuidado. - Melissa disse que mudou, mas fingiu um relacionamento por que estava com medo do que minha presença no sítio causaria. - Ela encarou Karen. - O que tem de mais nisso? - Ashley quem perguntou. - Uma atitude infantil demais para lidar com sentimentos. - Sofia respondeu colocando o cinto e olhando pelo retrovisor para encarar Ashley. - Não estou julgando suas reações, mas como eu posso confiar em alguém que tem uma atitude dessas? Todos aqui sabem que eu vim com a cara e a coragem que eu não tinha só por que ela estava aqui? Meu Deus, eu fiz s**o o**l nela na frente de todo mundo!! - O desespero bateu. - Onde eu estava com a cabeça? - Entre as pernas dela! - Karen respondeu gargalhando. - Surtar agora não vai fazer você voltar no tempo, mas nem tente dizer que não gostou por que todos aqui sabem que você amou. Sofia corou olhando para frente. - Eu gostei muito. - Confessou. - Mas Melissa é um caminho que eu não sei se aguentaria me perder novamente. - Ela pensou. - Ela me destruiu tanto que eu preciso ser muito masoquista pra querer ter ela de volta na minha vida. - E você a quer? - Gabriel perguntou refletindo sobre aquilo. Sofia pensou em tudo, tudo que Melissa lhe causava e sabia que não poderia continuar vivendo longe dela. - Como jamais quis alguém antes! “Antes de dormir fiquei pensando no verbo recomeçar. Logo me dei conta de como uma simples sílaba “re” pode dar uma breve definição sobre uma pessoa: não deu, vou tentar novamente! E também notei a quantidade de substantivos que essa sílaba carrega. A decepção, a derrota, a falha, o erro. Sim, o erro, que por um instante me fez pensar que quando percebemos o “re” no meio do “erREi” conseguimos “REcomeçar”. Mesmo que acrescentar esse “re”, na prática, seja tão difícil. Porém, mesmo para quem tem poucos anos de vida - vivida - tentar de novo é fundamental, é necessário para seguirmos em frente… emfrente… enfrente! Depois da meia noite é novo dia, mas só depois que acordamos é que o dia começa e acredite, esse é o melhor momento para recomeçar.”
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