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2025 Words
Sofia Gonzáles Eu ouvi um leve barulho vindo de algum lugar do meu apartamento e descobrir ser a vibração do meu celular, me despertando. Pessoas comuns acordavam com o enorme barulho daquela coisa, mas pra mim o que mais me incomodava era a vibração de qualquer coisa que fosse capaz de fazê-lo. Eu respirei fundo. Porém, não abri meus olhos embora o incômodo em meu corpo gritasse para que minha mente desse um jeito para aquilo passar. Eu não precisei engolir um pouco de saliva para entender que minha garganta estava inflamada. Pois bem, havia um corpo em baixo do meu me segurando firme, seus braços me apertavam com uma forma quase exagerada, a pele daqueles braços longos segurando firme por baixo do meu pijama e isso me causou memórias dos quais eu lutei para esquecer. Memórias essas na qual uma versão mais nova de Melissa me puxava pela cintura com força e chupava os meus s***s com uma intensidade maravilhosa, capaz de molhar minha calcinha com uma rapidez impressionante. Afastei esses pensamentos da minha cabeça quando engoli em seco e isso me causou uma extrema dor. Acabei gemendo baixinho pelo incômodo causado. O meu edredom favorito estava enrolado por todas as partes do meu próprio corpo e embora o ar-condicionado estivesse no mínimo mandando frio para todos os lugares, meu corpo estava quente. Quente demais para apenas uma memória sensual. Ótimo, eu havia acordado doente. Ardendo de febre e pela sensação, não era apenas a minha garganta doendo, como o resto do corpo também. E mesmo assim, com todas essas constatações a única que me preocupou foi eu estar praticamente fundida com um corpo nem tão desconhecido assim. Amaldiçoei a mania que eu tinha de abraçar qualquer coisa que estivesse em minha cama, mas pela primeira vez em anos... Eu estava feliz por isso. Estava feliz por ser Melissa ali, enroscada em mim tão protetoramente deixando tudo ainda mais acolhedor. Dificilmente eu trazia alguém para a minha cama. Quer dizer, eu quase sempre ia para um hotel próximo daqui e nas poucas vezes em que aconteceu, eu fazia questão de que fosse no quarto de Karen... Mesmo que a própria reclamasse diversas vezes e trocasse as roupas de cama. Mas voltei minha atenção para a bela moça embaixo de mim, eu não sabia dizer onde eu começava ou onde ela terminava, nossas pernas eram apenas uma e seus braços finos porém firmes me segurando com uma certa força sobre ela, só me deixava um pouco menos desesperada. Melissa parecia tão confortável quanto eu naquela posição. Por que eu entendi que não era apenas eu quem estava entrando de cabeça naquilo. Por favor, Melissa... Seja a mãe dos meus filhos! Acabei gemendo quando tentei me mover e sem querer o gemido causou um enorme desconforto em minha garganta. MALDITA TIREÓIDE E CORDAS VOCAIS PRÓXIMAS DEMAIS DA MESMA. Achei que esse pequeno fator tivesse passado despercebido por minha companheira de quarto, mas Melissa parecia muito bem acordada para o meu gosto. E assim me encarou rapidamente. - Bom dia, Sofi! - Eu esfreguei meus olhos com cuidado e Melissa estava tão perto de mim que meu corpo se arrepiou todo. - Dormiu bem? Eu sabia que ela esperava por uma resposta, mas eu não tinha chance alguma de dar o que ela precisava sem querer chorar pelo esforço na garganta. Por isso, beijei sua bochecha concordando com sua pergunta e voltando a me deitar na curva de seu pescoço. Ela estava tão cheirosa. E eu só queria ficar enroladinha, sem movimento algum, sem me mover ou sair pra ir trabalhar. Queria aproveitar aquele carinho que fiquei por tantos anos. Foi aí que ela entendeu que eu estava com febre. - p**a m***a! - Eu quase gargalhei. - Você está muito quente e... Vamos ao médico! Eu só não revirei os olhos por que eles estavam fechados. Enquanto ela fazia uma gostosa massagem no meu cabelo, precisei apontar para o banheiro. Indicando que eu precisaria ir até aquele compartimento, mas me faltava coragem e ânimo pra fazê-lo. - Você não consegue falar? – Fiz um positivo com a mão. - Você precisa ir ao banheiro? – Novamente, o positivo estava lá. Ela suspirou e com cuidado, me tirou de cima dela e me ajudou a ficar em pé, devo mencionar que levou certo esforço de nossa parte. Até por que, eu me enrolei no edredom e calcei minhas pantufas para poder encostar os pés no chão sem ter um choque térmico e piorar a minha situação, eu não precisava de um resfriado também. Eu não sei dizer em que momento Mellz parou de me seguir, mas quando entrei no banheiro ela já não estava lá. Olhei para trás e ela parecia desconcertada ou constrangida. Revirei os olhos, mas não disse nada se ela achava que não era uma boa ideia estar no banheiro comigo, iria respeitar a sua decisão. Também não fechei a porta do banheiro e aquilo foi estranho até mesmo para mim. Abri meu armário de remédios e suspirei quando precisei levar alguns daqueles enormes comprimidos à boca, por que eu sabia que eles iriam me machucar. Um para dor, outro para desinflamar e outro para aliviar a febre. Nunca fiquei tão grata por Hellen ser tão eficiente e precavida ao encher de vários remédios dentro daquele apartamento, por mais cuidadosa que eu fosse, ainda assim deixava algumas coisas à desejar sobre a minha própria saúde. Eu já estava tão acostumada com aquilo que nem precisava de água para que eles descessem pela minha garganta. Parece até uma reflexão barata sobre a vida em que lemos em qualquer jornal de esquina. “Pode doer, pode doer até que em algum momento a dor para ou você se acostuma a ela, é nesse momento em que você nota que precisa seguir em frente.” Dei de ombros ao me lembrar de um livro de poesia que escrevi quando era adolescente, quando a mesma mulher que ainda me encarava na porta do banheiro havia me deixado. Nunca tive coragem de mostrá-lo a ninguém, ela nem ao menos fazia ideia da existência do mesmo. Nas noites em que eu sentia saudades dos seus braços, eu me sentava em qualquer lugar que estivesse e escrevia coisas que gostaria de ouvir, uma boba esperança de que isso diminuiria o meu sofrimento, ou que me trouxesse conforto. Após o mesmo cair no esquecimento, acabei por encontrar o mesmo quando me mudei para o apartamento novo e com paciência, fui relendo os mais de 500 textos que fiz sobre Melissa, me questiono como ela se sentiria se soubesse da existência do mesmo. Talvez não muito bem. — Você está bem? — Ouvi a sua voz e percebi que fiquei muito tempo parada encarando o meu reflexo no espelho. Nem ao menos conseguia me enxergar ali, eu estava perdida em pensamentos. Apenas sorri e concordei com ao observar o seu rosto. Melissa sempre foi linda, mas parece que o tempo só lhe ajudou. Percebi que ela corou com meus olhos e desviei o olhar. A porta ainda estava aberta e eu ainda continuava enrolada no meu edredom olhando para o reflexo de Melissa no espelho que ficava na minha frente. "Por favor, seja a mãe dos meus filhos?" Ela parecia tão linda e diferente, seu corpo tão novo e o mesmo desde a última vez em que me perdi ali. Nosso último encontro íntimo nem me deu tempo pra provar todas as coisas que ele tinha à me oferecer. Cada toque. Cada beijo dado naquele fatídico dia, tudo me dizia que aquela seria a última vez, mas eu me recusei a ver. Suspirei para afastar novamente esses pensamentos para longe. Eu tinha que confiar, tinha que arriscar que ela não vai te machucar dessa vez! Meu cérebro dizia isso para mim mesma o tempo todo. Eu sabia que poderia ser verdade da mesma forma que poderia estar cometendo mais um erro. Éramos adultas agora e saberíamos lidar com qualquer coisa que viesse, tínhamos tudo para dar certo e dessa vez, ela não me deixaria. Ela não iria me deixar! - Você precisa de algo? - Ela me perguntou. Eu preciso de você! Foi o que meus lábios quiseram dizer, mas nada saiu deles, tanto por falta de coragem como de imunidade, eu sabia que se eu usasse palavras minha garganta inflamada me causaria um desconforto absurdo. — Você está tão calada e isso ainda me assusta. — Ela suspirou e eu fiz uma cara confusa, para que ela desse continuidade ao assunto. — Você sempre foi falante, nunca ficou muito tempo quieta então eu me acostumei rapidamente com o seu tom de voz e agora que você está em silêncio, eu fico assustada achando que esse é mais um dos meus pesadelos da juventude. — Ela riu, quando eu me virei para ela e cruzei os braços, ainda dentro daquele enorme banheiro. — Eu sempre sonhei com um reencontro nosso. Ali, no meu sonho, tudo era simplesmente perfeito. Meus olhos encaravam você e era como se tivéssemos 16 novamente. Eu me via perdidamente apaixonada por você então você estava sozinha em casa e me arrastava para um quarto qualquer e me empurrava em direção a sua cama. Seus dedos gelados percorriam a minha espinha em busca do tecido da minha blusa, você parecia inimiga de roupas sempre que eles aconteciam... — Ela corou por alguns segundos. — Bom, você sabe o que fazíamos sobre uma cama, mas de repente... Isso tudo mudou e você ficava em silêncio. Eu via você desaparecendo aos poucos, como se você nunca estivesse estado ali. Então eu me encontrava sozinha em lugar nenhum e nada que eu fizesse era capaz de me tirar dali. — Imaginei-me em uma das inúmeras novelas que minha mãe viu quando eu era criança. E um dos personagens diz algo ou pergunta sobre algo e o segundo personagem - que faz a cena com o mesmo -, faz uma pausa dramática que eu sempre achei desnecessária para enfim coresponder a reciprocidade da situação. — Eu estou aqui, pra você. — Sussurrei e ela sorriu. — Vou estar sempre. Eu queria Melissa em minha vida. Embora eu pudesse pedir milhares de vezes que ela fosse embora e protegesse o meu coração que sempre chamava por ela, eu só precisava ter Melissa Mickeize, loira de olhos verdes com um metro e setenta por perto que eu sabia que tudo terminaria bem. Eu me sentia perdida com todos esses pensamentos. Eu sabia quais eram suas intenções, mas ela precisava me provar que não me deixaria no chão, com lágrimas nos olhos e um coração despedaçado em minhas mãos como fez da última vez. Era Mellz ali, Melissa seria minha esposa... Melissa seria a mãe dos meus filhos, Melissa não iria embora dessa vez. Eu não sabia explicar como aconteceu. Eu não sei explicar como eu me apaixonei, foi rápido e certeiro. Nenhuma de nós duas queríamos aquilo porém o amor foi tão forte que conseguiu permanecer por anos sem que diminuísse uma gota se quer. Com cuidado e encarando seus olhos, eu caminhei até ela que ainda esperava por uma resposta. Eu percebi quando ela engoliu em seco pelo leve movimento em seu pescoço, minha boca formigou para que meus lábios passassem por ali. Cheguei mais perto até que uma distância mínima de centímetros era a única coisa que nos separava. “Eu preciso de você!” — Meus olhos diziam. —“Por favor, Melissa... Leia meus olhos!” Era o que eles gritavam e eu vi quando ela entre abriu os lábios e eu quase sorri. Ela iria me beijar. Então meu celular tocou e eu me lembrei de que era eu ali... Se não desse errado, não seria eu. O toque do meu celular acabou assustando ela e indo para longe de mim, eu suspirei. Ainda era cedo para que Melissa me fizesse sua. Eu preciso a fazer ficar dessa vez. "Se não for hoje, um dia será. Algumas coisas, por mais que impossíveis e malucas que pareçam, a gente sabe, bem lá no fundo, que foram feitas pra um dia dar certo."
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