Ela falou secando o choro com cinismo e um sorriso irônico no rosto. O sangue de Ford ferveu nas veias ao ouvir aquelas palavras. Sabia que a garota estava magoada. O cheiro da tristeza que exalava dela era forte, o mestiço Youkai não estava percebendo onde a humana em sua frente queria chegar, mas odiava quando lhe diziam que era p*u mandado de Kalisto, embora tivesse de admitir que aquela situação inusitada fosse engraçada. Podia sentir o cheiro de uma humana irada, triste e insatisfeita bem à sua frente. Embora fosse sua cunhada, um pensamento de que seria divertido acalmá-la ali, no meio daquela clareira, o irmão nunca saberia. Mirela era uma mulher bonita, afinal. E aquela boca.
Balançou a cabeça sorrindo com aquele pensamento, se repreendeu:
— O que estou pensando?
Aquilo não era do seu feitio, decididamente não gostava de se envolver nesse tipo de situação, mas naquele momento estava considerando abrir uma exceção à ideia de possuir a esposa do irmão, mostrar o quanto Teo era inferior, fazê-la sentir o que era um macho Djin de verdade. Ele sorriu passando uma de suas mãos pelo rosto de Mirela, a garota assustada estava com os olhos arregalados, em sua cabeça pensava que seria violentada e morta ali mesmo. Ficou tão apavorada que desmaiou, deixando Ford ainda mais perplexo com a situação e confuso com seus sentimentos e extintos Youkai, que às vezes nem ele entendia direito. Franziu as sobrancelhas, balançando negativamente a cabeça.
Segurou Mirela desacordada em seus braços, colocou-a sobre o ombro direito, partindo imediatamente para não muito longe dali, para a morada oficial de Ministro. Era uma casa grande e confortável, cercada por altos e fortes muros de pedra branca. Ford acessou rapidamente o pátio de entrada na casa, sendo recebido por suas tropas e generais, que o seguiram para dentro da casa. Ford, assim que entrou, foi recebido pela governanta da casa, entregando a humana desacordada aos cuidados dela e de outras servas. A governanta, uma Djin de meia idade, recebeu a jovem humana em seus braços, seu rosto demonstrava toda a confusão com aquela situação. Percebendo isso, Ford disse com seu tom sério:
— Leve a Humana e cuide dela, quero ser informado assim que ela despertar. Tenha em mente: ela é a esposa do meu irmão.
— Como desejar, senhor Ministro.
A governanta, com a ajuda de outras duas empregadas mais jovens, levaram Mirela para um dos quartos daquela casa. Restaram no ambiente o ministro, seus generais e seu secretário, ao qual disse que não desejava ser incomodado em hipótese alguma, logo fazendo-lhe sinal de que deveria sair. Assim que ficou sozinho com os dois generais disse:
— Procurem Teo imediatamente, quero saber o motivo de ele ter permitido que a humana com a qual se casou estivesse andando sozinha por Isias Rar.
— Sim, senhor, o traremos à sua presença.
— Façam isso imediatamente, exijo saber o que aquele inconsequente fez desta vez.
Ford estava furioso com a falta de cuidado do irmão, era inaceitável que ele permitisse que ela andasse sozinha em um vilarejo como o dele. Se algo acontece a um humano em seu vilarejo, poderia piorar ainda mais as relações nada amistosas entre os Djins e os humanos.
Suspirou frustrado indo para seu quarto, sua cabeça estava doendo, precisava de respostas e as teria, nem que tivesse de ir pessoalmente atrás dele.