Cap 01

914 Words
✲ ✲ ✲ Estados Unidos Boston, North End Dias atuais Catarina Fiori É hoje! O dia que sonhei durante esses últimos três anos. O dia em que eu, finalmente, concluo o meu ensino médio e dou meus primeiros passos rumo à universidade. Finalmente, estou a um passo de realizar o sonho do meu pai. Desde pequena, sonhei com isso. Meu pai… meu amigo, como sinto a sua falta. Parece que foi ontem que você nos deixou. A vida é injusta. Tantas pessoas más estão aí e você, não mais. Não há um dia nesses últimos três anos que não me recordo do acidente. Da nossa pequena discussão minutos antes. Como eu queria ter o dom de poder voltar no tempo e fazer diferente, meu pai. Eu, com certeza, te daria mais beijos, te diria mais vezes o quanto eu te amava, deixaria de sair com minhas amigas para ficar mais ao seu lado. Mas, infelizmente, eu não tenho esse dom. Depois que você partiu, eu me vi sozinha. Você sempre se preocupou com minha relação com a mamãe e, infelizmente, as coisas estão cada vez piores. Ela viajou há seis meses e por mais que ela diga que estará lá hoje a noite, eu não acredito. Sei que estarei sozinha, meu pai, como tem sido nesses últimos meses que você me deixou…. Toc Toc Toc — Pode entrar. — Querida Catarina, o carro já aguarda pela senhorita. — a mais velha entra no quarto e com os olhos marejados fala sorrindo: — Está linda, minha princesa! — Obrigada Maria. — falo entristecida. A mais velha se aproxima e levanta a mão de encontro ao meu rosto e fala: — Não fique triste, ele vai estar lá! — com os olhos marejados e com o coração dolorido eu sorrio. — Eu sei Maria, eu sei… ✲ ✲ ✲ Catarina Fiori é uma garota com muitos sonhos. Mas, seus últimos meses foram os mais sombrios de sua vida. Seu lar, que antes era um lugar harmonioso e feliz, entrou em colapso após um infeliz acidente. Seu pai, Noah Fiori, o CEO das empresas metalúrgicas “Fiori Inc” , foi vítima de um acidente que lhe custou a vida. Numa noite chuvosa, saiu tarde de uma reunião exaustiva. A chuva tinha provocado alguns pontos de alagamento, optou por um caminho mais curto para chegar em casa, pela BR, mas não sabia que essa decisão lhe custaria a vida. Um motorista de caminhão teve um m*l súbito e desmaiou no volante, perdendo o controle e colidindo de frente com o carro do empresário. Naquela noite, a vida de Catarina começou a declinar. Uma garota alegre e feliz foi substituída por uma menina retraída e reservada. O seu relacionamento com a sua matriarca, Hannah Fiori, nunca foi mil maravilhas. Mas as coisas pioraram muito após a morte do seu pai. A mulher, simplesmente, se afastou, alegando que não suportava viver ao lado da filha que tanto lembrava o seu amado. Depois do acidente, a garota se viu por muito tempo sozinha. Mas a chegada de uma amiga à sua cidade, no colégio que estudara, fez o seu mundo ganhar um pouco mais de brilho. Suzume Yukimura era uma garota destemida, de personalidade forte e impulsiva. Era o tipo de garota que não levava desaforo para casa. Tinha vindo do Japão morar na casa dos padrinhos para estudar o colegial e em seguida, realizar o seu sonho de cursar psicologia em Harvard. Ela tinha conseguido uma bolsa para estudar numa das melhores escolas de Boston e estava animada com a mudança radical que a sua vida sofreria. ✲ ✲ ✲ Depois do fatídico dia, Catarina acordou cedo e estava determinada a realizar a última promessa que tinha feito ao seu pai, antes dele falecer. Iria terminar o colegial e depois, iria ingressar na faculdade de Harvard, onde iria cursar psicologia, curso que era o sonho de Noah, seu pai. Porém, os sonhos do patriarca foram interrompidos devido a seu irmão gêmeo, Matteo, que resolveu se mudar para Londres e cursar direito na faculdade de Cambridge, deixando toda a responsabilidade de assumir as empresas da família para Noah, que abriu mão do seu sonho, e optou por dar continuidade ao legado da família. Catarina tomou um banho, trocou de roupa e desceu até a cozinha para fazer o café. Fazia apenas seis meses que o seu pai havia falecido. Estava sendo difícil, mas ela deveria tentar seguir adiante. Era o que ele iria querer. Os diálogos com a sua mãe, estavam cada vez mais insustentáveis. Pareciam duas estranhas que dividiam o mesmo ambiente. As pouquíssimas vezes que conversavam, sempre acabavam brigando. — Minha querida, pedi para Lohany fazer aquelas panquecas com mirtilos que você adora. — disse a governanta encarando a loira enquanto terminava de colocar a mesa. Catarina sorriu para a mais velha e disse: — Obrigada, Maria. — De repente, o seu semblante mudou. Seus olhos verdes encararam a mais velha e perguntou: — Onde está a mamãe? A senhora se entristeceu de imediato, mas não hesitou em responder: — Ela disse que precisava de um tempo. — Catarina encarou a mais velha triste. — Minha princesa, não deve estar sendo fácil para ela tudo isso, tenha paciência. — disse a senhora de maneira gentil. Catarina sorriu fraco, levou a mão até a mão enrugada e calejada da senhora e disse: — Tudo bem Maria, eu terei, prometo. — disse Catarina recebendo o abraço caloroso da mais velha.
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