Capítulo 8

1087 Words
- Gabriel! Dona entrou em uma sala, onde Gabriel, mais conhecido pelo codinome, Pombo, estava sentado em um canto. Ele olhou-a assustado, ao ver aquela Bela figura, a qual já lhe era conhecida. - Madame! O a senhora faz aqui? Ele foi se levantar. Foi interrompido pela mão de um policial que a acompanhava. - Eu vim vê-lo! E principalmente, questionar, o que sabe sobre mim? - Sei nada, não! Só que a senhora atende a criançada do morro duas ou três vezes por mês! Faz tipo um trabalho comunitário. Por isso que entra lá sem treta nenhuma. - Excelente explicação! – Dona fez um gesto para o policial se retirar. Mudando sua voz doce, assumindo uma postura imperativa e dominadora. Questionou. – E, o quanto você sabe sobre os negócios que discorrem por lá? - Olha, Madame! Eu não entendi bem o que a senhora falou aí. Mas não sei parada nenhuma de negócios, não. Dona sentiu um leve contentamento com a fidelidade expressada por Gabriel. - Irei ser direta com você, Gabriel! Não se faça de desentendido, pois, nós dois sabemos muito bem que você é inteligente o suficiente para saber o que estou questionando. Fale-me da sua ligação com o Patrão. Qual o motivo de ele haver designado você para ser olheiro de lá? Gabriel, que estava encolhido, com a cabeça baixa, em um canto da sala, levantou o rosto encarando Dona com curiosidade. Ainda se sentindo desconfortável com a situação, ele tomou coragem para perguntar. - Quem é a senhora, de fato? - Eu sou a pessoa que você irá querer ao seu lado, caso algo dê errado! Assumindo uma atitude mais intelectual, Gabriel se levantou. - Por que eu precisaria da senhora ao meu lado? Eu não sou mais uma criança para ser atendido por uma pediatra. Dona esboçou um dos seus raros sorrisos ao perceber que Gabriel era realmente muito astuto. Ela se aproximou com passos curtos e vagarosos, a uma distância que permitia sentir seu perfume. Dona tornara-se instigante nesse momento, fazendo Gabriel escorar-se na parede. - Posso torná-lo no que eu quiser, de uma criança que necessita dos meus cuidados, ao mais poderoso comerciante do local onde você trabalha. A decisão é sua! - Escute, senhora! Eu realmente não estou entendendo o que está me dizendo. Não compreendo suas intenções. - Não tenho intenções, estou propondo que seja fiel a mim, e te assegurarei em tudo que necessitar. - Fiel? - Sim, eu necessito de sua fidelidade. Conte-me tudo que se passa com o seu Patrão, sem que ele saiba da minha existência! - Madame, me desculpe! Mas quais serão minhas garantias, caso eu aceite? - Primeiramente, pare de me chamar de Madame, me chame de Dona! Ao emitir essa frase, Gabriel empalideceu, baixando sua cabeça, tornando a ficar acuado no canto. - Perdoe-me, senhora! Eu não tinha conhecimento de que a senhora, fosse a Dona! Eu farei tudo que me for mandando. Eu prometo que irei ser fiel a senhora. - Então, comece relatando tudo que sabe sobre a organização. Dona deu três batidas de leve à porta, que foi aberta. Heitor abaixou a cabeça fazendo um gesto com sua mão esquerda, apontando para outra sala, a qual já estava com uma mesa posta com café e salgados, havia também poltronas confortáveis, dispostas de forma que Gabriel sentasse de frente para Dona. Gabriel foi levado pelos policiais até a sala, onde Dona, já estava sentada, segurando uma xícara com café. - Sirva-se, depois sente-se! – Ordenou Heitor, que ficou parado de pé, atrás de Dona. Gabriel sentou-se, largando seu prato na mesa de centro. Olhou para Dona, recostando-se na poltrona, ainda se sentindo muito desconfortável. - O que a senhora quer saber primeiro? - Qual a sua verdadeira função na organização? - Bem, falando do que eu realmente faço... – Ele contraiu a testa, apertando os olhos. – Para o Neco, eu sou apenas um simples e descartável olheiro. Já para o “Patrão”, sou mais que um informante, estou designado a desviar verba do caixa, fazendo com que o Neco caia, entende? Ele quer colocar alguém mais confiável no comando, pois está desconfiado que está sendo passado para trás, o que de fato está mesmo acontecendo. O que eu ainda não havia entendido, era que, ao invés de um homem, era uma mulher, e não apenas uma mulher, era a senhora. A famosa Dona, que eu acreditava ser o codinome do homem ao qual, eu fui designado a desvendar. Inocentemente, eu acreditava ser uma pista falsa, mas não. Hoje descubro, que é uma mulher, como fui i*****l! - Admiro sua imbecilidade, espero que continue sendo um bom ator, pois a partir de agora, terá que atuar para o “ Patrão”, acha que consegue? - Sem dúvidas, apenas um pequeno detalhe que gostaria de saber, como ficará a minha situação? Eu caí, entende? Se eu sair daqui, vai levantar suspeitas. - Quanto a este problema, não precisa se preocupar. Você será liberado, sem ser fichado, já arrumei um bom advogado para você, portanto, se for questionado, apenas diga que levou uns tapas, mas como não estava com nada ilícito, foi liberado depois do tempo cumprido na delegacia. Isso para você será fácil. Outro fator muito importante, ninguém pode saber que trabalha para mim. Irei recompensá-lo muito bem se fizer tudo conforme as minhas ordens. - Sim, senhora! Não precisa se preocupar. Dona levantou-se, dando as costas para Gabriel, que foi se levantar. – Fique sentado, termine de comer, depois irão acomodá-lo devidamente. Ela saiu sendo seguida por Heitor, que expressou sua preocupação assim que a porta se fechou. - A senhora acredita que ele será leal? - Claro que não! Irei torná-lo leal! Apenas não quis assustá-lo. Afinal, preciso estar preparada, principalmente ter noção do quanto sabem da minha existência. Não quero de forma alguma ser surpreendida. - Senhora, permita-me fazer a observação, de que ainda acho um tanto arriscado se identificar dessa forma a alguém que claramente foi introduzido na organização para desmascará-la. Embora achem que seja um homem, sua identidade, agora, ficou desprotegida. Flávia estava gostando da preocupação demonstrada por Heitor. - Não se preocupe, caso ele tente agir pelas minhas costas, os policiais já estão instruídos devidamente para lembrá-lo de fidelidade devia a mim! - Desculpe-me, senhora! Eu apenas me preocupo com a sua segurança. - Vamos, eu preciso retornar para casa. O Samuel não pode desconfiar de nada, mas, irei recompensá-lo outro dia por sua preocupação com a minha segurança.
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