Flávia estava saindo do hospital, quando avistou Heitor subindo as escadas que davam acesso ao estacionamento do subsolo, o seu olhar aparentava aflição. Flávia dirigiu-se até ele.
- Senhora, preciso escoltá-la para fora daqui, o mais breve possível. Acompanhe-me!
Sem questioná-lo, Flávia o acompanhou rapidamente.
- Que carro é esse?
- Explicarei após sairmos daqui.
- Negativo! Explique-me agora, não irei entrar nesse carro sem saber o motivo de não ser o meu tradicional “Mercedes”.
- Digamos que ele está inviabilizado no momento, devido a um incidente.
- Que incidente foi esse?
- Senhora, sofremos uma tentativa de atentado.
Flávia olhou quase sem expressar, mas dava para perceber uma leve excitação, misturada com medo em seu olhar. Ela entrou no seu novo carro.
- Então não acho prudente que me dirija até a minha residência!
- Desculpe-me discordar, senhora! Acredito que no momento a sua residência será o lugar mais seguro até descobrirem de fato o que aconteceu.
- Quem está encarregado da investigação?
- Somente os melhores, senhora. Não necessita preocupar-se com isso. Posso garantir-lhe que o resultado será preciso, e que a solução infalível, pelo valor que será cobrado!
- Alguém se feriu?
- Não, senhora! O carro estava estacionado ao lado de fora da clínica no momento do ataque, apenas o senhor Samuel estava na entrada, mas não sofreu nenhum arranhão, mesmo assim, ele preferiu encerrar os atendimentos de hoje. Aluguei este automóvel, pois é blindado, caso seja algum ataque pessoal à senhora, estamos protegidos.
- Por que seria algo voltado a mim? Chegou a pensar que o ataque pudesse ser direcionado ao Samuel?
- Sim, senhora! Ocorreu-me essa alternativa em pensamento, mas não quero arriscar a sua segurança, por um mero pensamento. Prefiro pecar com o exagero, do que falhar com hipóteses.
- Concordo! Mas o que fez você pensar que o ataque teria sido direcionado a mim?
- Alguns fatos chamaram-me atenção. O seu carro foi metralhado, o que aparenta ter sido o alvo. O senhor Samuel, estava parado, sem nada em sua frente, portanto, se ele fosse o alvo, teria sido facilmente atingido.
- Pode ter sido um aviso, ou algo para chamar atenção.
- Não, senhora! De forma alguma ele temeu por alguma coisa, o que me pareceu suspeito.
- Você está insinuando que o Samuel sabe que estou envolvida nos seus negócios e enviou-me um recado?
- É o que está me parecendo, senhora. Não posso afirmar que realmente foi isso que aconteceu, mas devido aos últimos acontecimentos, podemos, sim, deduzir algo desse estilo.
- Você acha que o meu pai aprovaria uma decisão dessas?
- Senhora! Não quero ser indelicado ao expor o que eu penso!
Ela olhou pelo retrovisor.
- Fale o que pensa.
- Perdão, senhora! Mas seu pai escolheu um homem para casar com a senhora. Homem, esse, que não sabemos de onde saiu, que não cumpre o seu papel de marido. Apenas assumiu todos os negócios no lugar do seu pai. Seria muito conveniente que você tivesse um fim trágico, não acha?
Flávia meditou por alguns minutos.
- Você acha que querem me eliminar para o Samuel assumir como herdeiro?
- É uma colocação bem relevante, não acha?
- Então, por que você acha que a minha residência é o lugar mais seguro?
- Está cheio de pessoas, senhora. E, se acontecer algo, ele será o primeiro suspeito. Não a deixarei sozinha.
- Não quero ir para minha casa. Vire à esquerda na próxima rua.
- Onde estamos indo?
- Quando chegar você verá! Desligue seu celular e tire a bateria.
- Senhora!
- Dê-me aqui!
Flávia desligou os celulares, em seguida abaixou um pouco o vidro e jogou-os fora.
- Senhora, o que fez? Se alguém os encontrar teremos problemas.
- Você acha mesmo que eu iria jogá-los assim? Sem dar um jeitinho de danificar o sistema operacional?
Ela puxou um aparelho que parecia um desfibrilador, mostrando-o para Heitor, que sorriu.
- E agora, para onde, senhora?
- Vamos inverter o nosso trajeto. Volte em direção ao hospital.
- Não avisará ninguém?
- Já envie uma mensagem informando que não irei embora, terei cirurgia durante a madrugada. Pedi para não me interromperem.
- Brilhante, senhora!
- Vire à esquerda na próxima rua. Logo em seguida vire à esquerda novamente. Siga até a placa azul, entre em meio as casas, logo terá acesso à uma estrada de chão batido. Siga até chegar a primeira casa, entre na estrada ao lado e vá até o acesso em meio às árvores. Lá encontraremos um chalé aparentemente abandonado.
- Como entraremos?
- Quando chegarmos, eu digo. - Ao chegar ao chalé, já era noite. Ela apontou para uma árvore que havia um balanço, os faróis do carro estavam iluminando a entrada. – Tem um pedaço do balanço que a madeira está meio solta, puxe-a, você encontrará uma chave.
Heitor pegou a chave e abriu a porta, dando passagem para Flávia entrar. Ela entrou, ligando as luzes. O chalé era pequeno, mas comportava tudo que era necessário, se tornando um ambiente aconchegante e acolhedor. Ela largou a sua bolsa no aparador, seguindo em direção de Heitor, que fechou a porta atrás de si.
- Irei acender a lareira, senhora.
- Primeiro, deixe-me agradecer pelo que fez hoje.
Ela tirou o seu chapéu, abraçando Heitor, que envolveu os seus braços na cintura de Flávia, levantando-a do chão. Ela tramou as suas pernas em volta da cintura dele. Foi levada até o quarto, onde havia uma cama devidamente arrumada e limpa. Ele largou-a deitada, deitando por cima já sem a suas calças, levantou a saia de Flávia, que havia deixado as suas peças íntimas no carro. Encaixou o seu quadril em meio às pernas dela em movimentos vigorosos, beijando-a ardentemente, fazendo-a gemer ao falar seu nome, o que fazia com que Heitor queimasse de desejo por sua senhora, a qual o dominava apenas com um olhar. Ele entregaria a sua vida para ter mais momentos iguais a este com ela. Poder tê-la nua em seus braços, beijá-la envolvendo-se apaixonadamente.