Capítulo 4

1028 Words
Flávia estava assistindo um documentário, quando o seu marido entrou na sala, sentando ao seu lado. - Você está precisando viajar um pouco, minha querida. Tire alguns dias de folga, vá à Paris, ou à Londres. Passe algum tempo longe do trabalho, muito tempo trabalhando com pessoas doentes, pode fazer m*l à sua saúde. - Você deseja que eu vá viajar para poder ficar desacompanhado, Samuel? - Longe disso, querida! Você sabe muito bem que eu detesto ficar sem você por perto, mas, percebo a sua necessidade de tirar alguns dias de folga. Não necessita serem muitos dias, apenas o suficiente para que você descanse e faça algumas compras. Para você aproveitar melhor a sua estada, onde quer que seja, até concordo que você convide a desqualificada da sua amiga. - Não fale assim da Bia, eu não o autorizo que a insulte dessa forma, ela não teve a mesma sorte que você, ou eu. Ela nasceu em uma família de poucas posses, o que não a desqualifica, de forma alguma. Acredito que seja muito ao contrário, ela se torna ainda mais qualificada, adquiriu bolsa integral de estudos, por puro mérito, fruto de muito estudo e inteligência. Oque para nós era apenas ir para a escola, ela tinha que se manter por conta. - Você é indescritível, às vezes, minha querida! - E você julga as pessoas, sem ao menos conhecer. - Certo, eu não quero discutir. Apenas, gostaria que considerasse a minha sugestão. - Irei considerar, mas não creio que ela poderá me fazer companhia, devido ao trabalho que ela exerce, não sendo autônomo, ela necessita assinar o ponto. Mesmo assim, irei convidá-la. - Amanhã iremos ao hipódromo, lembra-se? - Sim, não tem como esquecer, você falou a semana toda. Realmente não sei o que há de animador nisso. Ver um bando de animais correndo, com homens em cima, apenas para ver quem irá chegar primeiro, sendo que, o desempenho a ser avaliado é do cavalo, e não do ser humano. Muito fora de lógica para mim. - São nesses locais onde acontecem os maiores negócios, minha querida. Flávia levantou a sobrancelha direita, pensando no tipo de negócios os quais Samuel se referia. Esses negócios, segundo ela, são realizados em baladas, onde se juntam muitos jovens inconsequentes, que se jogam de cabeça em qualquer coisa que possa os tirar da realidade da suas vidas vazias. Não onde apenas se troca favores. Samuel levantou-se, deixando Flávia imersa em seu pensamento. Passaram-se alguns minutos, Flávia sentiu o seu celular vibrar. Ela visualizou a mensagem, apagando logo em seguida, sem dar muita atenção, voltou a assistir o documentário, que já passava da metade. Já era quase hora do almoço, quando a sua cozinheira entrou na sala, informando que a comida estava pronta. - Chame o meu marido, por favor! - O senhor Samuel, disse que logo virá, a senhora pode se acomodar à mesa. Flávia foi ao lavabo lavar as mãos, retornando à sala de jantar em seguida. Sentou-se à mesa, sendo servida prontamente. Nem bem começou a comer, Samuel juntou-se a ela. Os dois almoçaram em total silêncio. Ao terminar os dois levantaram-se, seguindo cada um para um lado da casa. Samuel, foi para a biblioteca. Enquanto Flávia, foi para seu quarto deitar. Nem bem ela se deitou, recebeu outra mensagem, que, ao contrário da atitude anterior, Flávia respondeu de prontidão, levantando rapidamente. Olhou o horário, percebendo que ainda era cedo, resolveu chamar Heitor para acompanhá-la. Ela saiu sem ao menos comunicar Samuel, que se quer percebeu o sumiço de Flávia. - Onde a senhora deseja que eu a leve? - Neste local. Heitor olhou-a, sem questionar, dirigiu até onde ela havia indicado. Flávia desceu, sendo abordada imediatamente por um cavalheiro, que aos olhos de Heitor, era desconhecido, mas para Flávia, já era um rosto familiar. Sem muita cerimônia, ela entrou no estabelecimento. - Você não respondeu a minha primeira mensagem, achei que havia me esquecido. Ela olhou aquele semblante apático, o qual, ela já quisera esquecer. Mas os negócios ainda dependem do trabalho de um atravessador, vez ou outra. - Ando muito ocupada nos últimos tempos, não posso me apegar em meras mensagens de cordialidade. Dirija-se ao assunto, pois, não estou aqui para bate-papo. - Encontrei este novo produto, coisa muito fina. - E por que está me mostrando isso? Meu negócio é outro. Não estou interessada em nada novo no momento. - Você não quer nem saber o efeito que isso pode causar? - Não! Eu realmente não me interesso em nada que eu não possa controlar. Agora, passar bem! - Posso procurar a sua concorrência e oferecer então? Flávia, que já estava de costas, apenas se limitou a responder. - Por sua conta e risco! Ela saiu de dentro do estabelecimento encontrando Heitor, que a aguardava parado ao lado da porta. - Tudo bem, senhora? - Sim. Leve-me embora! Apenas perdi o meu tempo aqui. - A senhora deseja fazer alguma coisa antes de ir para a sua residência? Flávia pensou um pouco antes de responde, ela achava que poderia ser interessante relaxar um pouco, mas logo se deu conta que havia saindo sem avisar, e que Samuel estava em casa, portanto, ela não poderia demorar mais. - Hoje não, leve-me para minha residência! - Sim, senhora! Flávia chegou, se dirigindo ao seu quarto imediatamente. Sentou-se na sua cama, pegou o seu celular, ligando para Beatriz, que não atendeu a sua ligação. Flávia não quis deixar recado. Largou o seu celular, pegando-o novamente, logo em seguida enviou uma mensagem à Beatriz. Aguardou alguns minutos, notando que não teria resposta, foi até seu banheiro, colocou a sua banheira a encher, começou a despir-se. Tomou uma ducha antes de entrar, acomodando-se em uma posição relaxante, ficou imaginando com quem iria viajar, caso Beatriz não pudesse a acompanhar. Seu celular começou a tocar, ela enxergou o visor, percebendo que Samuel estava ligando. Ela atendeu. - Onde você está, querida? - Estou aqui em cima. Na banheira. - Você não virá tomar café. Desanimada pela falta de interesse do seu marido, ela respondeu desanimada. - Logo irei descer, mas não há necessidade de me esperar. Pode tomar o seu café.
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