2. Vou levá-la

1559 Words
Giovanna Já faz dois meses que papai me disse que estava noiva, mas apenas ontem eu o conheci. De uma maneira bem interessante devo dizer. Aquele beijo com certeza está na lista dos meus melhores beijos. Tirando a vergonha de montar em suas pernas. Agora ele deve estar achando que sou uma mulher fácil e faço isso com qualquer um. É claro que já beijei e dei uns amassos por aí, mas sempre soube que me manter casta era uma obrigação na minha família mafiosa. E seria um problema se eu não me mantivesse. Mas isso não fazia em nada para calar os meus desejos. De ressaca e cansada, rolei na cama. Já comecei a me arrepender de ter aceitado o convite da Micah para ir à boate. Ela nem sequer me defendeu quando fui arrastada para fora. O tipo de amizade que não serve para ter por perto. Não foi fácil voltar para casa sob o olhar atento das câmeras monitoradas pelos homens de papai, mas eu era uma profissional. Meu pai achava que ficaria na casa de Micah durante a noite, mas aquele louco me enfiou aqui tarde da noite. Então, precisei dar o meu jeito. Eu estava enganando os guardas e as câmeras há anos. A única coisa que os guardas amavam? Rotina. Depois de aprender a rotina, você poderia contorná-la e fazer o que quisesse. Papai era líder de uma das famílias da Camorra na Itália, uma rede criminosa que se estendia por vários países. O negócio do meu pai era perigoso, então minhas duas irmãs e eu não fomos criadas como adolescentes normais. Aonde quer que fôssemos, éramos seguidas por guardas com armas dentro de suas jaquetas – inclusive para a escola. Nossas atividades extracurriculares eram severamente limitadas, nossas vidas mantidas sob cuidadoso escrutínio. Foi difícil conseguir fazê-lo aceitar que eu cursasse a faculdade, e quando ele finalmente aceitou, eu fui entregue para casar. E me sentia tão frustrada e isso só aumentava a minha rebeldia. E era por isso que eu não podia deixar de escapar ocasionalmente. Eu era a responsável, a irmã mais velha que começou a cuidar de minhas duas irmãs mais novas quando nossa mãe morreu. Eu merecia uma pausa de vez em quando. Uma batida soou na minha porta. — Gio. Você está acordada? Meu pai. Merda. Eu nunca me visitava, a não ser para me dar um sermão ou trazer notícias desagradáveis. Me ajustei na cama. — Pode entrar, papai. Papai entrou e me analisou. Soube pelo seu olhar que ele não estava feliz comigo. — Você foi para uma boate ontem? O pânico me encheu. — Pai, eu posso explicar. — Explicar? Você sabe de quem você é noiva? Agora eu tenho um Giordano furioso na minha sala e disposto a te levar. Ele disse que não confia em mim para cuidar de você. Eu, o seu pai. — Levar? Para onde? — Não importa. Arrume suas coisas. Você conseguiu que seu casamento fosse antecipado. — O quê? Como assim? Pai, você não pode deixar eles me levarem. — Nós temos uma hierarquia aqui, Giovanna. E os Giordano estão no topo da cadeia. Eu consegui essa aliança com muito custo e é uma honra enorme para nossa família. Isso vai ajudar no futuro das suas irmãs. Por favor, não estrague tudo. Agora você precisa se levantar e parecer apresentável. Um Giordano está aqui para te ver. — disse ele já indo em direção à porta. — Deixe que suas irmãs e as empregadas façam as malas. — Vou precisar de pelo menos uma hora para me arrumar. — eu disse. — Você tem dez minutos. Eu podia ouvir o comando em sua voz. — Tudo bem. — eu respondi. Deixei meus ombros caírem. Meu estômago revirou de uma forma que precisei correr para o banheiro. Um Giordano está aqui para te levar, ele disse. Como se eu fosse uma mercadoria. Depois de um banho rápido, fiz uma trança no cabelo molhado e passei corretivo embaixo dos olhos. Depois de uma pincelada de rímel, coloquei um vestido elegante que cobria a maior parte do meu corpo, como meu pai preferia. Em vez de sapatilhas, coloquei um par de saltos. Eu me sentia bem de salto. Como se nada pudesse me parar. Intimidadora. Feroz. A casa estava quieta, minhas irmãs ainda dormindo. Sofia tinha quatorze anos e Chiara dezesseis. Elas geralmente ficavam acordadas até tarde da noite, assistindo a filmes e conversando com seus amigos online. Eu sentiria falta delas quando fosse embora, mas elas não precisavam tanto de mim hoje em dia. Elas ficariam bem depois que eu partisse. Ou pelo menos era o que eu queria acreditar. Meus saltos estalaram no chão de mármore quando me aproximei do escritório do meu pai. Eu raramente entrava aqui, visto que preferia não saber o que papai estava realmente fazendo na maior parte do tempo. A ignorância era uma benção quando se tratava de ser um m****o de uma família da máfia. Bati e esperei até ouvir a voz do meu pai me dizendo para entrar. Ele estava sentado atrás de sua mesa e um homem estava de frente para ele. Seguido de mais dois homens em pé no canto da sala. — Giovanna, entre. — Meu pai se levantou e abotoou o paletó. Engolindo meus nervos, me aproximei de sua mesa. Meu pai olhou de mim para o homem sentado. — Eu apresentaria vocês, mas parece que já se conhecem. Já que ele te trouxe para casa tarde da noite. — papai estreitou os olhos. Maldição! Meu futuro noivo se desdobrou da poltrona e meu coração saltou na garganta. A luz do dia você conseguia ter uma dimensão maior de sua beleza. Confesso, que nunca tinha visto um homem tão bonito antes. Com cabelo escuro e olhos penetrantes que só agora distinguir que são azuis. Ele era esbelto, com uma mandíbula esculpida e ombros largos, e seu terno se encaixava perfeitamente nele. Mas não era tão jovem, parecia estar em seus trinta anos, o que é dez a mais do que eu. Sob quaisquer outras circunstâncias eu teria pensado que ele era um ex-modelo ou ator. Ninguém tinha essa aparência e se vestia assim, a menos que dependesse de sua aparência para viver. O poder rolava de seu corpo tenso em ondas, como se ele estivesse no controle de tudo e de todos ao seu redor. Os homens que o acompanhavam claramente não eram seus amigos, eram guardas. Ele era alguém importante, alguém que valia a pena proteger. E ele parecia... perigoso. Eu balancei a cabeça uma vez. — Senhor Giordano. — Giovanna. Seus olhos vagaram pelo meu rosto e desceram pelo meu corpo, como se eu fosse um cavalo que ele pudesse domar. Ele parecia uma pessoa temperamental; uma pessoa que aceita a adulação e o tratamento privilegiado como um direito e reage com petulância às críticas ou inconveniências. Um formigamento eclodiu ao longo da minha pele onde quer que ele olhasse, mas eu não poderia dizer se era de excitação ou vergonha. Ainda mais confusa, meus m*****s endureceram no meu sutiã fino, que eu esperava que ele não notasse. O sorriso em seu rosto quando ele encontrou meu olhar me disse que ele estava ciente do estado dos meus m*****s. — Você tem mesmo dezenove anos, Giovanna? Ele mudava o tom quando pronunciava o meu nome e meu coração deu uma batida sinistra no meu peito. — Sim, senhor. Por que eu não teria? — É só uma observação. Imagino que seu pai tenha dito que vou levá-la. — Me levar para onde? Por acaso sou alguma mercadoria para ser levada? — Quieta, Giovanna. — meu pai vociferou. Ser uma boa moça fazia parte do protocolo, mas eu costumava saber me defender bem. — Não, papai. O senhor falou sobre o casamento e eu não protestei. Agora ser levada sem um casamento? Isso é… — Giovanna! — meu pai bateu na mesa. — Tudo bem. Deixe-a se expressar.— o Giordano ergueu a mão para o meu pai. — Vamos planejar o casamento para o próximo mês. Enquanto isso você fica sob nossa proteção, para evitar mais transtornos. — Como? Por quê? Isso não faz sentido. Enrijecendo, o Giordano olhou para meu pai, e o clima na sala ficou ártico. — Eu pensei que essas coisas já estavam controladas. Achei que tínhamos um acordo. — ele disse suavemente. — Sabemos que o acordo não era esse. Como pai da noiva, eu tenho direito. — Você perdeu seus direitos quando perdeu minha remessa. Mas o que esperar de um homem que não pode controlar nem a própria filha, não é? Ninguém se mexeu e o momento se esticou. Eu nunca tinha visto ninguém colocar meu pai em seu lugar antes. Ninguém jamais ousou. Prendi a respiração até que meu pai finalmente levantou as mãos. — Me perdoe. — ele se desculpou. Isso pareceu apaziguar o Giordano, mas eu ainda não tinha ideia do que eles estavam falando. — Alguém pode me dizer o que está acontecendo? — Eu soltei, incapaz de me conter por mais tempo. O Giordano moveu-se rapidamente, aproximando-se, até que se elevou sob mim. Sua íris era tão azul, com toques de cinza, mas não pareciam zangadas. Em vez disso, ele parecia se divertindo. — Você tem espírito. Isso é bom. Você vai precisar, Bella.
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