Elisie Charpentier Eu fico parada, imóvel, com a mão ainda apoiada na moldura da janela aberta. O ar frio da noite entra, mas não consegue diminuir o calor nervoso que toma o meu corpo inteiro. E quando Lucien fecha a porta atrás de si, em silêncio absoluto, eu sinto o meu estômago afundar. Ele está ali. Molhado, sem camisa, respiração leve… como se nada no mundo pudesse alcançá-lo. E o pior: ele me olha. Um olhar obscuro. Pesado. Tão profundo que parece atravessar todas as camadas que passei anos tentando construir. O meu coração falha uma batida pelo medo do que ele pode fazer. Ele me dá medo! Lucien dá um passo à frente. — O que você disse lá embaixo? — Ele pergunta, a voz baixa, firme, quase fria. — Do que você me chamou? Engulo seco e sinto a minha garganta arranhar. — Eu… nã

