Sayuri Quando a porta se fechou atrás de mim, eu não corri. Não porque eu não quisesse. Mas porque minhas pernas ainda não tinham entendido que eu estava livre. O morro parecia respirar diferente. O ar vinha pesado, quente, cortado por ecos de tiros que estouravam longe e perto ao mesmo tempo. Era como se o chão inteiro tremesse sob meus pés, como se cada barraco soubesse que algo grande tinha acabado de acontecer… e outra coisa ainda maior estava pra explodir. Desci os primeiros degraus devagar, segurando o corrimão enferrujado com força demais. Minhas mãos tremiam. Não de frio. De descarga emocional. De completo medo. De tudo que eu ainda não tinha conseguido chorar. Atrás de mim, a casa do Trovoada ficou em silêncio. Um silêncio estranho. Quase respeitoso. Ou talvez fosse só a m

