Daiane — A Dor de uma Amiga

1247 Words

Daiane Nunca pensei que fosse conhecer o silêncio do choro. Não aquele barulhento, de soluço alto, de grito preso no peito. Mas o outro. O que fica. O que pesa. O que se espalha pela casa inteira e muda até o jeito que o ar entra no pulmão. Era assim que a Sayuri tava a três dias. Deitada na minha cama. Ela é toda pequena, delicadinha e fica toda encolhida como se fosse uma bolinha. Olhos abertos, olhando pro nada. Sem fome. Sem sede. Sem força. No primeiro dia, achei que era choque. No segundo, medo. No terceiro… eu entendi, era uma espécie de luto. Ela tava vivendo um luto de alguém que ainda tava vivo. — Sayuri… — chamei baixo, sentando na beira da cama. Ela não respondeu. O quarto tava escuro, cortina fechada, só um fiapo de luz entrando pela fresta. O cheiro era de

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