Jogador Acordo com o sol ainda tímido, atravessando a fresta da cortina e desenhando faixas claras na parede do quarto. O silêncio da casa é diferente nesse horário, quase respeitoso. Não tem rádio ligado, não tem vozerio de funcionário, não tem barulho de portão. Só o som da respiração dela. Passo a mão pelo peito e sinto o cabelo dela. Com as pontas roxas, espalhadas sem ordem, como se ela tivesse deixado um mapa de lembranças em mim. Um sorriso puxa meu canto da boca sem pedir permissão. Ela ficou. Dormiu aqui. Não foi embora quando amanheceu. Ela é minha. E não, dessa vez eu não vou deixar ela ir embora nunca mais. Viro o rosto devagar e encaro Sayuri dormindo ao meu lado. Ela tá de bruços, o lençol cobre só até a cintura, como se tivesse desistido dele no meio da madrugada.

