Trovoada Eu tô aqui, de pé, o cano da pistola encostado bem na testa dele. Fria. Pesada. Como se o metal tivesse absorvido todo o ódio que eu guardei esses anos todos. O Jogador tá no chão diante de mim, a perna sangrando, o rosto suado, mas os olhos fixos nos meus. Não pisca. Não implora pela vida. E isso me irrita pra c*****o. Porque eu queria ver medo. Queria ver ele se contorcer, se mijar, se arrepender do que fez. Mas ele só me encara. Como se já tivesse aceitado o que vem pela frente. O silêncio pesa mais que qualquer tiro. Meu dedo tá no gatilho, firme, sem tremer. Mas o meu peito… o meu peito queima. Queima como se tivesse um buraco aberto ali, e o vento quente do asfalto entrasse direto na ferida. Eu sinto o suor escorrendo pelas costas, misturado com o cheiro de pól

