Eu sou a Lua

671 Words
Lua Brandon Hoje é meu aniversário, o pior dia de toda minha vida. Talvez você esteja se perguntando o motivo, já que normalmente aniversários são dias felizes em que pessoas comemoram, bom, esse é o dia da morte da minha mãe, ela morreu segundos após meu parto, ou seja, eu matei minha própria mãe. A culpa é inteiramente minha, eu reconheço, E imagino como deve ter sido, eu sendo entregue nos braços dela, e com muita emoção ela me olhando pela primeira e última vez, toda vez que penso nisso, me sinto o ser humano mais desprezível do mundo. Hoje, com dezessete anos, moro com meu pai Charles, que com certeza é o pior homem que eu já conheci na vida. Nossa relação nunca foi boa, porque ele sempre teve ódio de mim por ter matado o amor da sua vida, e já me disse isso através de suas palavras e ações. Charles me trata com desprezo e deixa claro que eu sou o pior erro da vida dele, e de todas as pessoas que já me fizeram sofrer, Charles de certa forma é o que mais me atinge e ele sabe disso, parece que ele gosta de me ver triste. Ele nunca foi nas minhas apresentações do dia dos pais na escola e isso marcou muito minha infância, me lembro de chegar em casa e ele me fazer pedir desculpa por cobrar isso dele. Charles é um empresário importante, dono de muitas propriedades, arrogante e rico. E apesar de ser meu pai, eu não sei muito sobre ele, só o que ele permite que eu saiba, já tentei descobrir coisas sobre seu passado, mas ele é muito fechado. A única funcionária dessa casa, Marina, trabalha para o Charles há mais de 20 anos, é proibida de me falar sobre Charles e seu passado e principalmente coisas sobre minha mãe, confesso que esse mistério desperta ainda mais a minha curiosidade, porém, ela corre o risco de perder seu emprego caso me fale coisas que não deveria, e essa é a última coisa que eu quero, Marina cuidou de mim quando minha mãe morreu, tenho uma ligação muito forte com ela, é a minha única figura de família, todo dia das mães ela estava lá na primeira fileira para me ver cantar na escolinha, é a melhor pessoa que eu conheço. Marina não substitui minha mãe, mas deixa o fato de ela não estar aqui mais suportável, entende? As vezes eu penso se seria diferente se minha mãe estivesse aqui... Talvez sim, ou não, eu nunca saberei, Talvez eu não me sentiria tão vazia, talvez fosse ela quem me salvaria desse caos que é a minha mente, eu só queria conhecê-la. Como eu já disse, não sei muito sobre minha mãe, somente coisas que a Marina deixou escapar ou me contou por pena e Charles não pode sonhar em saber dessas poucas coisas que sei. Seu nome era Luana, e foi ela quem escolheu meu nome, pois amava olhar a lua no céu quando estava a minha espera, e eu sou completamente apaixonada pela lua. Ela casou-se com charles aos 19 anos, Marina disse que ela adorava usar vestido, eu percebi isso pelas fotos que Charles tem dela espalhadas em seu escritório, sempre sorrindo e usando vestidos de todas as cores e com todas as flores que coubessem, ela adorava balinhas de caramelo, Marina disse que a casa era muito mais alegre, e as paredes eram bem mais coloridas, porque ela amava cores, porém depois que ela morreu todas as paredes da casa foram pintadas de cinza, preto e branco, e com isso tudo ficou triste, inclusive Charles, Maria disse que antes ele até sabia sorrir. Eu não tenho muitos motivos para viver, somente a esperança de dias melhores, Hoje eu completo 17 anos, e se eu tivesse êxito na minha última tentativa de suicídio, seriam 2 anos de morte. Guardo as cicatrizes da minha alma, na esperança de um dia elas me lembrarem de uma antiga Lua, que não exista mais.
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