Capitulo 4

1667 Words
Eu estava cansada depois de um dia de compras com meu amigo Hugo. Ele, por outro lado, tinha energia para dar e vender. Parecia que ele era uma máquina, então propôs a mim sair para uma festa. Mas antes, eu passaria em meu apartamento para trocar de roupas, já que eu não podia ir com aqueles trapos, como ele mesmo disse. Hugo falou: - Você vai gostar, vai me agradecer no final da noite. Depois disso, fiquei pensativa. Eu sabia que meu melhor amigo estava arrumando alguma coisa, assim como todo meu dia. Então, entrei no apartamento, ele fez questão de escolher o meu vestido e os saltos. Então, fui, me troquei, e quando saí do quarto, não estava com uma cara muito boa. Se meus pés estavam doendo por causa do salto alto, eu jamais usaria algo assim, desconfortável. Então, eu disse: - Hugo, tem certeza que eu deveria usar esses saltos tão alto? Hugo, que estava sentado no sofá à minha espera, levantou e com a sua cara irônica, falou: - Querida, você tem que se acostumar. Na verdade, amanhã você vai passar o dia inteiro usando isso, até que se acostumem. Sim, os seus pés vão doer, vão doer todos os dias, mesmo que se acostumem. Esse é o preço que se paga para ser atraente e bonita na sociedade. Eu então respirei fundo, meus braços caíram e eu disse: - Aí Hugo, eu estou tão cansada, tem certeza que quer ir nesta festa? Hugo me interrompeu dizendo: - Hanna, por favor, apenas, vamos sair de casa, você tem que aparecer em público, tem que saber como se sente quando outros homens olharem para você com outros olhos. Eu franzi o cenho, dizendo: - Como assim outros caras? Hugo então deu um sorriso, andando em volta de mim e disse: - Querida, você está um luxo, sua roupa, seu corpo, você é linda, claro que ainda não consegue enxergar isso, passou tanto tempo presa naquele personagem que não faz ideia do poder que tem. Eu então senti meu coração acelerar, eu não queria que nenhum outro homem sentisse nenhuma atração por mim, apenas Ian. Ian, ele é o meu objetivo, era por causa dele que eu estava fazendo tudo aquilo. Então ele disse: - É melhor irmos, ou eu vou desistir. Hugo pegou na minha mão, me levando para fora do apartamento, onde descemos pelo elevador. Já no térreo, ele pegou seu carro conversível e dirigiu até um local onde eu não fazia ideia. Então, durante o percurso, eu pensava em como seduzir o homem que seria meu chefe em poucos dias, só que o meu plano estava incompleto. Eu achava, na verdade, que era só aparecer na frente dele, dizer quem eu sou, dar um sorriso e ele magicamente se apaixonaria por mim, quando, na verdade, eu teria que enfrentar um grande percalço para conquistar seu coração. O carro de Hugo parou em frente a um hotel muito alto, com uma estrutura imponente. Eu fiquei de boca aberta, então saí do carro, assim como meu amigo, que me levou para o elevador. O caminho até o último andar foi totalmente silencioso, eu estava confusa, com medo do que iria acontecer. Então, as portas se abriram no último andar. Eu vi a entrada bastante imponente, com seguranças e uma porta dupla, moldada em madeira escura, esculpida à mão. Então, eu perguntei ao meu melhor amigo, Hugo: - Como você conseguiu? Então, ele me interrompeu, me levando para perto de uma mulher, que estava vestida com uma roupa de látex preta, e ele entregou dois papéis, que eu acreditei serem convites. A mulher abriu a passagem e as portas se abriram. O som que saiu de dentro era elegante, mas não exagerado. Assim que entramos pela porta dupla, demos de cara com um ambiente de cor escura mais clássico, algo luxuoso, com um tapete no chão, que achei ser de uma marca famosa. Havia também um lustre enorme, totalmente de cristal. Algumas pessoas bebiam, e assim, enquanto mais nós andamos em frente, encontramos mais coisas. Fiquei totalmente boba olhando os detalhes daquela casa, que mais parecia uma mansão no último andar daquele hotel luxuoso. Os detalhes em cores escuras, alguns estofados com estampas, e pessoas conversando, rindo, bebendo. Elas eram lindas, com certeza fazendo parte da alta sociedade nova-iorquina. Então, eu continuei boba, sem saber como reagir. Perguntei a meu amigo, Hugo, como conseguiu convites para esta festa, e o mais importante, de quem é esta festa? Hugo deu um sorriso irônico, parou e me encarou, dizendo: - Achei que você era ligada nos passos de Ian, mas parece que deixou falhar a informação de que ele comprou todo este prédio semHanna passada. Por isso, agora estamos aqui, querida. Eu tenho os meus contatos, e este é o meu segundo presente para você. Eu arregalei os olhos, sem saber como reagir. Ian estaria ali? Aquela era a casa dele, ou era só um local onde ele estava fazendo uma festa comemorativa? Meu coração acelerou, as mãos começaram a tremer, e parecia que eu era novamente um ratinho, com medo de tudo. Então, Hugo me tranquilizou. - Relaxa, você tem que respirar fundo. Agora é uma mulher independente, determinada, e tem que começar com o seu plano para seduzir o bonitão. Eu falei a ele, quase apavorada, sussurrando para que ninguém mais nos ouvisse. - Hugo, eu sei que tenho a intenção de seduzir Ian, mas eu ainda não me sinto preparada. Nada me faz me sentir segura, nem mesmo as roupas novas e a maquiagem que você fez em mim. Hugo então, pegou uma mão da minha mão e disse: - Você vai saber quando estiver cara a cara com ele. - Então, tomou o meu braço e continuamos a adentrar aquele lugar luxuoso. Ele pediu para nós, drinks. Tomei o meu, no mesmo instante, por completo, enquanto ele olhava para mim, assustado. - Vai com calma, querida, você não está preparada para ficar embriagada. Aposto que nunca tocou em álcool, quem sabe um vinho ou dois, ou champanhe. Eu falei: - Você não me preparou para este momento então, e eu estou nervosa. Eu estava apavorada. Sem saber como reagir. Ian poderia estar ali. Ou não. O homem não costumava frequentar lugares assim, apesar de ter estabelecimentos como esse. Boates, bares. Ian era um empresário perfeito, mantendo um comportamento bastante reservado. Claro que ele saía com várias mulheres e era fotografado de todas as formas, mas ninguém poderia encontrar falhas em seu trabalho. Então, eu não sabia se por um acaso Ian nos barraria ali. Hugo tentou me acalmar e disse: - Presta atenção, Hanna. Você não nota que alguns olhares estão em cima de você? Então, eu arregalei os olhos, voltando à realidade, e prestei atenção nas pessoas ao meu redor. Alguns homens estavam olhando para mim, não como antes, como se eu tivesse um abacaxi na cabeça, mas sim com um olhar de desejo. Isso nunca aconteceu antes, e eu não sabia como reagir. Senti o meu rosto pegar fogo, com tanta vergonha que eu tinha. Eu disse a Hugo: - Por que eles estão me olhando assim, Hugo? Eu não quero que isso aconteça. Hugo deu um sorriso irônico, bebeu um pouco de seu uísque e disse: - Querida, quando eu disse que você estava um arraso, eu não estava brincando. Você é uma mulher linda. E é claro que esses homens se sentem atraídos por você. Até eu. Mas, infelizmente, você não faz o meu tipo. Dei um sorriso tímido, colocando a mecha do meu cabelo para trás e falei: - Quem eu quero que me olhe dessa forma não são esses homens. E sim o Ian. Afinal, você sabe se ele está aqui ou não? Hugo relaxou e disse: - Na verdade, eu não sei. Recebi os convites por conta de um contato, mas ela não falou se o grandioso Ian Novak estaria neste hotel hoje. Aliás, você sabe, ele é um homem muito reservado, mas gosta de agradar seus colegas. Eu quase desanimei, senti que estava sendo testada de todas as formas, mas respirei fundo, ajeitei minha postura, beberiquei um pouco do meu drink e falei a mim mesma: - Sabe, Hugo, você tem razão. Está na hora de mudar. E está na hora de... Então, algo aconteceu. Na verdade, um rosto apareceu. Era o do Ian. Ele estava lindo, como sempre, em seu terno escuro, com alguns botões de sua camisa branca abertos. Seu sorriso característico alegrava todos, como se ele tivesse uma luz própria, um ímã. Senti minha língua sumir da minha boca, mas tudo mudou quando vi aquela mulher. A mulher morena, com um vestido lindo e sexy na cor vermelha. Seu b***o perfeito, cintura fina, cabelos ondulados que caíam sobre seu corpo. Ian deu o braço para ela, que aceitou com graciosidade. Ian e a mulher desceram os poucos degraus, passaram por nós, e eu fiquei furiosa por não ser eu ao lado dele. Hugo me trouxe de volta à realidade, estalando os dedos bem na minha frente para que eu prestasse atenção nele. Hugo disse: - Eu não sabia que ele viria, muito menos com essa mulher. Mas você tem que se concentrar. Tome isso como um teste. Afinal, ela é uma rival. Você vai ter que desbancar essa mulher misteriosa. Eu respondi, ainda encarando o casal que passou por nós, com bastante ódio: - Ela não é misteriosa, Hugo. Ela é uma das mulheres com quem ele mais sai. Sabe o que isso significa? Hugo então fechou os olhos e me perguntou: - O que significa? Eu respondi com bastante raiva, encarando o casal que se afastava: - Aquela mulher é Caterina. Eles se conheceram há cinco anos. E, pelo que eu sei, é um amor de Ian. Eu sei que ele sai com outras mulheres, mas nenhuma é como ela. Nenhuma ficou ao seu lado por tanto tempo. Por isso, eu a odeio. Por isso, tenho medo de perder o Ian.
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