On Flavie
" Dentro da família tem que ter verdade, mas do lado de fora, tudo era enganação. Mentiras eram nossa defesa, nosso padrão. Para sobreviver você tinha que ser mestre na arte do perjúrio. Mentira e a verdade precisavam parecer a mesma coisa"
Meu nome é Flavie Garcia e essa é minha história, tenho 23 anos e faço parte de uma grande família tradicional por assim dizer os Garcia's, minha família é de descendentes de Cubanos que se instalou nos Estados Unidos em 1860, estamos morando aqui a 161 anos, somos uma família Cubana/Americana.
A gente mantém nossa cultura Cubana bem presente, falamos espanhol, comemos comidas típicas, nunca esquecemos da nossas tradições. Meus antepassados deixaram isso vivo e meu pai continua com isso passando pra mim e pros meus irmãos.
Por falar em irmãos eu tenho 4, o mais velho é o Dean tem 27 anos, depois vem Gabriela com 25, Carina com 24 e Sofia com 20 anos, meu pai se chama Jonas ele é um homem bom porém duro em suas decisões e minha mãe Sinu é um doce de pessoa e tenta não se meter nos negócios da família.
Desde pequena sou treinada pra ser o que sou hoje, meus pensamentos e decisões são pela minha família, para eu honrar meu sangue e a tatuagem que tenho no meu braço, um G de Garcia's todos da família e afiliados tem.
Minha família cuida dos negócios ilícitos de 20 estados do país, drogas, jogatinas, bebidas, cigarros, corridas e o que mais tiver. Temos mais de 20.000 mil associados espelhados por nossos estados e alguns estão preços, os preços não falam nossos segredos, não aceitamos traidores, na verdade em nenhum lugar do mundo traidores são bem vindos.
Eu cuido de dois estados Florida e Alabama, Carina cuida de Missouri e Illinois, Gabriela cuida de Indiana e Ohio, Dean cuida de Carolina do Sul e do Norte e Sofia cuida de Mississipi e Tennessee. Em nossa lista de pagamento estão políciais, políticos, vereadores, deputados, FBI, Interpol, alguns hospitais, e qualquer outra pessoa que pode ajudar nossa família. Eu vivo pela minha família, pelo legado que eu carrego.
Eu estou dormindo com o inimigo por assim disser Kate Swan, os Swan's são uma família que é rival da minha, eu já tinha encontrado ela uma vez antes de ficar com ela na Itália mas foi só de passagem, era um encontro de negócios entre nossas famílias, alguns rebeldes de outros estados estavam tentando sabotar nossos negócios mas resolvemos.
A gente se encontrou outra vez na Itália, bebemos e no final da noite Lauren estava com seus dedos e boca na minha b****a. A gente ainda se encontra as vezes, não é romântico é apenas por sexo mas tem alguma coisa naqueles olhos verdes que me intriga.
Eu e ela não falamos de negócios, na verdade a gente não conversa muito mas os silêncios ao lado dela são estranhamente bons. O pai dela ligou e Kate saiu correndo pra casa dela, eu entendo, quando o chefe liga a gente só vai e ponto final.
Tomei um banho, vesti uma roupa que escondia a tatuagem no meu braço e guardei meu anel de ouro com um G bem grande, esse anel só membros de sangue da família tem, pra diferenciar os líderes.
Sai do quarto do hotel da Kate em Las Vegas, desci pelo elevador de serviço, desci até o estacionamento estava abrindo a porta do carro que eu tinha alugado quando escuto um barulho de arma engatilhando, merda pensei.
- Flavie Garcia em Las Vegas - olhei pra trás.
Um homem um pouco alto, cabelos pretos arrepiados, calça social cinza escuro, camisa social branca com as mangas dobradas até o cotovelo, olhos verdes, uma arma preta apontada pra minha cara a 2 metros de distância e um enorme S no braço. Além disso ele tinha um lindo sorriso torto no rosto.
- Você está bem longe de casa - falou em um tom irônico.
- Um pouco - falei sorrindo, coloquei minhas mãos nas costas.
- Nem adianta pegar sua arma porque antes disso seu cérebro estará no chão- falou, suspirei soltando o cabo da minha arma.
- Se você atirar em mim você inicia uma guerra sangrenta como nunca ouve nos Estados Unidos desda independência no nosso país - falei, ele sorriu irônico.
- Não vou te matar princesa Garcia - ele disse abaixando a arma - Sei da sua indiscrição com minha chefe - falou com deboche, ergui uma sobrancelha.
- Quem é você? - perguntei, ele guardou a arma.
- Um Swan especial - disse sorrindo ele não tirava seu sorriso do rosto, eu já estava me irritando.
- Nome - falei, ele deu ombros.
- Lucas Bernardi - ele disse, revirei os olhos.
Ele era braço direito da Kate aqui em Nevada, um dos membros mais importantes e confiáveis deles, segundo o que sabia sobre ele, Lucas foi criado na casa dos Swan's em San Francisco desdos 13 anos de idade, Mike pai da Kate praticamente adotou ele, Lucas não era qualquer um.
- E agora vai ligar pro Mike? - perguntei, ele deu de ombros ficando com expressão completamente séria pela primeira vez
- Saia de Nevada, Kate não está mais aqui então você não é bem vinda - ele disse firme se virou e começou a andar - Nunca te vi aqui - falou enquanto abria a porta que levava ao elevador e foi embora.
Revirei os olhos, entrei no carro meu celular tocou, era minha irmã Carina, isso não pode ser bom.
- Oi - falei.
- Flavie, temos um problema - ela disse é claro que temos, suspirei.
- O que foi Carina? - perguntei.
- Uma carga de heroína foi intercepta pela Interpol, ela vinha pela fronteira com o México iria passar pela p***a do território dos Swan's, a carga foi intercepta no Texas - ela disse rápido.
- p**a que pariu - falei socando o volante.
- 10 milhões de dólares já era, ainda vão saber que estamos passando drogas pelo território deles, elas eram minhas - ela falou p**a.
- Conheço algumas pessoas da Interpol vou vê se consigo pelo menos metade da carga ou ela inteira, vou ate o Texas- falei.
- Você estará no território do inimigo, dois dos nossos já estão preços, não quero que seja morta - ela disse.
- Eles estão em reunião familiar Maya não estará lá, temos um tempo, pegue um avião vamos até Texas discretamente vou fazer uma ligação, arrume alguns advogados para nossos associados e traga mais 3 nossos - falei.
- Ok, isso fica só entre a gente, não conte ao papai - ela disse.
- Beleza - falei.
Fiz algumas ligações alugando um jatinho particular até o Texas, o bom da minha arma era que eu tinha porte então eu podia levar ela pra qualquer lugar, a viajem até o Texas durou 7 horas, Carina estava mais perto e chegou primeiro.
Tentamos andar pela cidade de Cotulla de forma discreta a p***a da cidade é um ovo de tão pequena ficava perto da fronteira, durante a pequena volta na cidade vi dois Swan's, ficamos em um hotel barato tentando me identificar o menos possível, quando estou longe de casa tenho sempre que usar camisas de mangas compridas e documento falsos.
- Flavie essa cidade é pequena demais vão saber que estamos aqui - disse a loira que estava sentada ao meu lado na cama.
Carina era alta, tinha cabelos nos ombros loiros, pele dourada do sol, olhos castanhos e um lindo sorriso, era paranoica as vezes.
- Eu sei, vimos na pequena delegacia os carros da Interpol, vou ligar pra um amigo - falei pegando meu celular.
- A essa hora Maya já deve saber que a Interpol está aqui e aprenderam heroína de dois caras com um enorme G no braço ‐ ela disse.
- Carina relaxa vamos resolver essa merda toda, Jonas não vai ficar feliz se perdemos 10 milhões de dólares assim - falei
Liguei pra um amigo da Interpol ofereci uma grana por informações, ele falou que hoje de madrugada os 2 carros da Interpol iriam sair da cidade para ir até a capital com os 10 quilos de heroína pura e os dois Garcia's.
- Temos que arranjar 3 carros vamos pegar o que é nosso - falei sorrindo, eu queria um pouco de aventura.
- Flavie sério que vamos fazer o que eu estou pensando? - perguntou.
- Sim vamos - falei.
- Flavie se matarmos um só policial da Interpol aqui a gente vai começar uma guerra...
- Carina eu sei o que eu estou fazendo, não vamos matar ninguém, vamos pegar nossa mercadoria, nossos homens, vamos direito pro aeroporto, algumas câmeras da cidade vão desligar do nada, assim como o rádio da Interpol - Eu falei.
- Vou fazer algumas ligações- ela disse pegando seu celular.
Depois que Carina conseguiu os carros, com um mapa eu, Carina e nossos associados passamos o plano 2 vezes, seria na estrada que leva a outra cidade, deserto, sem câmeras, sem testemunhas, perfeito.
Antes de sairmos comemos e depois fui tomar um banho, me olhei no espelho enquanto algumas gotículas de água escorria pelo meu corpo, eu tinha além da tatuagem da minha família, uma tatuagem de duas armas se cruzando um pouco abaixo das costelas direira, no braço esquerdo na frente um pouco abaixo da dobra do braço eu tenho uma frase " Ou você para e morre ou avança e vence. Vai fazer o que é confortável ou o que precisa ser feito?" Hoje eu faria o que precisa ser feito, tinha riscos mas ninguém mais fará se eu não fizer.
Na parte esquerda da minha barriga Eu tinha uma cicatriz de faca foi de uma briga com um traidor ele estava roubando da minha família e eu também tenho uma marca de bala nas minhas costas perto do ombro essa mais recente foi um tiro da polícia, estávamos na fronteira com o Canadá levando um carro com armas fui com mais algumas pessoas mas antes da gente conseguir fugir fui premiada com um tiro.
Normalmente a gente não se envolve muito nas ações físicas dos negócios, ficamos mais na parte chata administrativa. Eu gosto de ação, de movimentação, eu já tinha matado pessoas, alguns foi para eu não morrer e outros porque eram traidores. Não aceitamos traidores de jeito nenhum.
Me arrumei com uma roupa toda preta, blusa de moletom com touca e manga comprida, coloquei uma luva preta na mão pra evitar digitais e deixei minha toca preta pra esconder o rosto no bolso do casaco.
Os outros estavam se arrumando enquanto eu lustrava minha arma prateada uma clock ela tinha alguns detalhes de folhas nela em um tom prata diferente, deixei ela brilhando, eu amava essa arma, meu pai me deu quando fiz 18 anos na minha transição depois que eu fiz minha tatuagem, matei pela primeira vez uma semana depois.
Eu não gostava de mortes, eu tentava fazer meus trabalhos o mais limpo possível, odeio quando tenho que usar força, odeio mais ainda quando deito minha cabeça no travesseiro pra dormir e sonho com as pessoas que eu já machuquei.
Mesmo sendo treinada desdos meus 7 anos pra ser o que sou hoje não é fácil lida com isso, com o tempo fica mais fácil e os rostos distorcidos, mas eu odeio essa parte do meu trabalho.
Quando deu meia noite meu informante falou que eles iriam sair da cidade 2 horas da manhã em 2 carros pretos sem identificação e mais dois da Interpol, eles fizeram esse aparato todo porque heroína é uma droga cara e porque os nossos dois associados que foram preços tinham um G.
A polícia sabia que o nosso G era de uma organização criminosa grande mas eles nunca conseguiam chegar na nossa família, qualquer investigação caia por terra por falta de provas contra a gente, a não ser prender associado que tinha algum flagrante, eles sempre tentavam tirar nomes mas nunca conseguiam e se alguém falava alguma coisa mesmo na cadeia era morto poucas horas depois.
Se a polícia vê alguém com um G no braço na rua normalmente eles param, fazem perguntas, fazem uma revista nos carros e na pessoa, se eles não encontram nada eles não podem prender por termos uma tatuagem no braço eles precisam de provas, de algum motivo.
- Vamos fazer essa p***a limpa, sem matar ninguém, vamos deixar todos amarrados e cortar a comunicação deles e pronto. Um trabalho limpo, coloquem silenciador em suas armas - falei antes de sairmos do hotel.
Andamos pelo pequeno corredor até sair para o estacionamento, que abrimos a porta de saída demos de cara com 7 homens e 3 mulheres apontando arma pra gente, não tivemos nem reação, estávamos rendidos. p***a.
Uma delas eu conhecia muito bem era Kate que apontava pra mim uma arma dourada, não vou mentir, eu adoro seus olhos verdes, tem alguma coisa neles que me encantam, Kate era linda, cabelos longos pretos, pele clara, ela era da minha altura, tinha um piercing de argolinha no nariz. A outra era Maya eu tinha visto ela na Itália e outra que eu não conhecia uma morena alta bonita, todos estavam de moletons e calça jeans escuras.
- Vocês acham que podem entrar no meu estado, em uma cidade como Cotulla e não vão ser vistos? Ainda mais com uma apreensão de heroína pela Interpol no meu quintal - disse Maya firme, a baixinha estava irritada.
- Olha não queremos confusão, só vamos pegar o que é nosso e cair fora - falei.
- Claro, porque assim é fácil passar drogas pela minha cidade, roubar essa droga da Interpol dando holofote pra cá - disse Maya.
- Vocês entram aqui sem nem pedir licença e pensam que podem fazer o que vocês querem - disse a morena, percebi um anel dourado com um S grande, ela era da família original Swan's.
- Só vamos pegar o que é nosso e vamos embora, não passaremos mais drogas por seu estado - disse Carina, Kate sorriu.
- Conhecem as leis, essa heroína não é mais de vocês - disse ela, estreitei os olhos, eu não sei o que sinto pela Kate, com a gente é só sexo mas eu não odiava ela.
- Saímos de uma reunião de família pra resolver isso, meu pai não gostou muito mas como temos Garcia's originais aqui era melhor a gente resolver isso - disse Maya.
- Vamos resolver quando eu pegar o que é nosso - disse Carina.
Kate olhou pra Maya que agora estava sorrindo, não entendi. Ela abaixou a arma.
- Quem cuida da Flórida? - ela perguntou.
- Eu - falei, ela sorriu mais.
- Podemos resolver isso fazendo um pequeno acordo - falou, estreitei os olhos.
- Qual acordo? - perguntei.
Kate guardou sua arma nas costas e levantou a mão fez um sinal de circular, seus homens logo abaixaram as armas se afastando ficando longe, olhei pros meus meninos e eles se afastam também, sem tirar os olhos deles. As meninas se aproximaram de mim e da minha irmã.
- Deixo vocês pegarem sua heroína porém no próximo sábado preciso de passagem livre no porto da Flórida pra um carga - disse Maya.
Passei minhas mãos no cabelo, esse tipo de negociação não acontecia, se passamos alguma coisa em outro estado normalmente é de forma discreta sem a outra família saber, sei que eles devem fazer isso na nossa área também. Mas eles queriam passagem no porto da minha família a nossa empresa de fachada mas nem tão fachada assim.
- Qual é a carga? - perguntei, Maya deu de ombros.
- São duas caixas grandes só isso - ela disse.
Se ela precisa passar pelo porto deve ser coisa grande, eu não queria deixar, se meu pai sabe disse ele vai ficar puto da vida, mas era minha cidade, meu porto. Eu teria que guardar segredo e segredos na família não são bem vindos mas a Carina iria perder 10 milhões, eu não quero mentir, eu não posso mentir, eu tinha que falar com ele, Jonas vai odiar saber dessa história toda.
Dentro da família tem que ter verdade, mas do lado de fora, tudo era enganação. Mentiras eram nossa defesa, nosso padrão. Para sobreviver você tinha que ser mestre na arte do perjúrio. Mentira e a verdade precisavam parecer a mesma coisa...