O sol castigava a poeira da estrada quando Clara apertou a mão das crianças como quem segura uma decisão perigosa. O carro tremeu nas pedras; ela inventou a desculpa sem respirar : “Vou lá na casa da mamãe resolver uma coisa, volto logo” e os olhos miúdos dos filhos acreditaram sem perguntas. Do lado de fora, a cidade parecia brincar de indiferente. E Lucas, perdido num silêncio que doía mais que qualquer palavra. Sentado na beira do curral, observa a foice brilhando no sol e pensa como o trabalho no roçado parecia, naquele dia, uma marcha para o matadouro. “Eu nunca vou acreditar nas palavras de uma mulher. Eu entreguei todo o meu amor por ela”, murmurou, a voz engolida pelo vento. Os colegas, acostumados com o veneno das desgraças alheias, começaram a zoar: “Ô, Lucas, foi pro baile do d

