Primeiro...

1827 Words
Já era noite quando finalmente cheguei em meu prédio. O dia na delegacia não foi difícil mas, a convivência com aquele homem definitivamente não me fará bem. Ele sorri o tempo todo, além de ser muito solícito e atencioso.... Tudo o que eu não precisava que ele fosse. Subo os dois lances de escada rapidamente e entro em meu apartamento, que como o resto da cidade, não é muito grande. O espaço consiste em uma cozinha americana, uma sala, um banheiro e dois quartos, sendo que um dos quartos foi convertido em um escritório pelo proprietário. Deixo minha bolsa em cima do sofá, que como o resto da mobília veio com o apartamento, tiro meus sapatos e vou para a cozinha procurar algo para comer. Lavo as mãos após separar os ingredientes para minha omelete, mas antes que eu comece a picar a cebola, meu interfone começa a tocar incessantemente. Atendo sem muita vontade, mas um sorriso sombrio surge em meu rosto quando vejo aquele rosto na câmera externa. _ boa noite, eu sei que você não me conhece, mas eu sou seu vizinho do lado. Me chamo Máximos, acabei perdendo minha chave e não consigo entrar no prédio. Você pode abrir? _ tudo bem. - aperto o botão de destrave automático e eu o observo enquanto ele entra no prédio. Não demora muito, eu ouço batidas na porta e não preciso nem olhar pelo olho mágico para saber de quem se trata. Ele não perderia essa oportunidade, não depois de tê-lo flagrado me espiando subir as escadas a alguns dias. Abro a porta como se não esperasse por ele e o sorriso s****o em meu rosto era o que eu precisava para saber que essa seninha não passava de uma jogada para falar comigo. Tão previsível. _ olá. Eu vim agradecer.- ele fala se escorando no batente da minha porta e eu sorrio sedutora. _ não se preocupe vizinho. Quando precisar de ajuda, sabe a quem chamar.- falo estendendo a mão a ele, que a segura dando um beijo no dorso. - Samanta Smith, ao seu disposto. _ Máximos de Albuquerque, mas pode me chamar de Max. _ você não quer entrar, eu estou fazendo o jantar.- falo como quem não quer nada e seu sorriso se expande. _ eu gostaria muito, mas hoje não vai dar. Tenho uma conferencia essa semana em Chicago e meu voo sai daqui a uma hora. Que tal quando eu voltar, na semana que vem. _ vou aguardar ansiosa.- sorrio e ele retribui meu sorriso. _ até mais Samanta.- ele fala se afastando do batente. _ até mais Max. ▪️▪️▪️ Entro no escritório com meu prato em mãos e paro diante de uma parede onde seis fotos, alguns recortes de jornal e artigos de revista ocupam um grande espaço. Sorrio olhando cada imagem e os momentos em que vi cada um deles durante essa semana. Vou até minha mesa, coloco meu prato sobre ela, me sento na cadeira de frente para a parede e abro a gaveta lateral pegando a pasta marrom que foi deixada pra mim essa manhã. Abro a pasta e começo a ler calmamente o dossiê que apesar de estarem me custando uma pequena fortuna, valem muito a pena. Passo as folhas até que o nome dele surge em meu campo de visão e eu me dou ao trabalho de analisa-lo mais atentamente. É até irônico pensar que mesmo estando tão perto ele não me reconheceu e ainda se disponibilizou a tentar me seduzir. Como se ele tivesse alguma chance. _ Max, Max você não sabe com quem se meteu. ▪️▪️▪️ Sexta-feira à noite... ( uma semana depois) Espero pacientemente até que ele sai do prédio, e assim que ele entra em seu carro eu começo a segui-lo. Dirijo por alguns minutos até que ele entra em um motel de beira de estrada e eu faço o mesmo, mas estaciono um pouco a frente. Espero no carro por alguns minutos e posso ver quando ele encontrar uma garota, que parece ter um 16 anos e os dois entram naquele lugar decaído. "É bom ver que algumas coisas nunca mudam."- meu subconsciente se manifesta. Espero por mais alguns minutos e quando tenho certeza de que eles não vão voltar, entro no Motel e vou até a "recepção". _ boa noite.- falo com o homem que me analisa dos pés a cabeça.- eu sei que o que vou pedir não deve ser muito comum, mas poderia me colocar no quanto ao lado do casal que acabou de entrar.- sorrio para ele e me inclino um pouco para frente, mostrando meus atributos o que prende a atenção dele. _ quarto 201, segundo andar a esquerda.- o rapaz me entrega uma chave e eu pago pelo quarto. _ como é a acústica dos quartos? - pergunto aproveitando a distração dele. _ péssima. _ ótimo.- Sorrio e sigo para o quarto sem nem olhar para trás. Escuto em alto o bom som os gemidos do quarto ao lado, e pelos próximos 30 minutos, enquanto eles se divertem, eu aproveito para conferir meus e-mail e redes sócias. Percebo que alguém me seguiu no i********: e um sorriso involuntário surge em meu rosto quando vejo a foto do delegado Benjamin. "Pode parar!"- meu subconsciente me recrimina quando eu o sigo de volta, mas não tenho tempo para me justificar porque logo ele me chama no direct. **Direct on** _ oi.- ele me manda. _ oi. - eu mando de volta e um sorriso bobo está estampado em meu rosto. _ o que você faz as sextas a noite? - ele pergunta direto. _ ouço músicas .- respondo enquanto os gritos da garota começam a soar como uma c***a parindo, e reviro os meus olhos.- e você delegado, o que faz nas sextas a noite? _ crio um i********: apenas para poder seguir uma mulher muito bonita que conheci recentemente. - eu não consigo conter o sorriso e mesmo com meu subconsciente me recriminando aos berros eu continuo a conversa. _ ela parece ser uma garota de sorte, por conseguir despertar tanto interesse no senhor.- falo para provocar. _ me chame de Ben, eu já disse. Acabei de me sentir um velho com esse "senhor". _ Tudo bem Ben. - envio a mensagem, mas desligo o celular logo em seguida porque os "amantes selvagens" acabaram. **Direct off** O quarto ao lado está em silêncio e não demora nem dez minutos para que eu escute a porta ao lado ser aberta e passos no corredor. Espero até que tudo fique em silêncio para só então sair do quarto. Sigo rápido pela escada de incêndio até a garagem onde o casalzinho se despedia aos beijos na frente do carro dele, e eu tenho que controlar a ânsia de vômito. Entro em meu carro e saio do motel sem muito alvoroço, o que não é incomum por se tratar de um lugar onde as pessoas não querem ser vistas. Estaciono em uma rua lateral, algumas quadras antes da entrada da cidade e assim que vejo seu carro apontar a esquina anterior, eu saio do meu carro e começo a correr pela calçada deserta. Não demora até que o carro dele diminua a velocidade enquanto me seguia, e demora menos ainda para que ele abaixe o vidro e sorria galante para o meu lado, o que só ressalta o quão escroto ele é. Que tipo de cara acaba de sair de um motel e já está atrás de outra mulher? Provavelmente o tipo escroto. _ olá vizinha. Quer carona? - pergunta sorrindo e estacionado ao meu lado.- não te disseram que pode ser perigoso uma mulher linda como você correndo sozinha em uma estrada deserta? _ eu adoro o perigo. ▪️▪️▪️ Entro no carro dele e seu olhar não me passa despercebido. _ o que faz tão longe de casa.- ele puxa assunto enquanto dirige e eu sorrio. _ eu tenho muita energia acumulada, achei que seria bom correr um pouco, quem sabe assim eu consiga ter uma noite de sono tranquila.- falo descontraída enquanto mexo em meu cabelo, que agora esta preso em um r**o de cavalo alto. _ e conseguiu? - ele pergunta enquanto seus olhos que estavam vidrados em meus movimento, voltam para a rua. _ não, ainda não estou cansada. Mas agora, olhando para você eu estou pensando em outro tipo de gasto de energia. - passo minha mão distraidamente pelo meu pescoço e desço para o meu colo. _ acho que posso te ajudar.- ele sorri p********o e eu tenho que conter o sorriso de curinga que quer brotar em meu rosto. - no seu apartamento ou no meu? - Max pergunta acelerando um pouco o carro e eu gargalho. _ estava pensando em algo menos convencional. Eu vi alguns barcos quando cheguei a cidade, nós poderíamos ir até lá, e quem sabe, nadar um pouco.- sou sugestiva e ele acelera em direção as docas. Nós passamos o resto do caminho em silêncio, mas a ansiedade era evidente nele. Espero que ele pare o carro e como um cavalheiro ele vem abrir a minha porta e é nesse momento que meu plano entra em ação. Passo por ele e ando até as docas, sabendo que estou sendo seguida. Abaixo para amarrar meu tênis e pego a seringa presa em minha perna em baixo da minha calça de moletom. Levanto sensualmente, escondendo a pequena seringa em minha mão e sorrio para ele que observa cada movimento meu. _ e então o que quer fazer agora.- ele pergunta sugestivo e eu me aproximo dele enlaçando meus braços em seu pescoço. _ isso.- sorrio e perfuro a seringa em seu pescoço tendo a certeza que todo o líquido vá para dentro dele. Max se afasta de mim transtornado e confuso, mas logo seu olhos estão em minha direção confuso. _ o que foi isso? - ele pergunta passando a mão em seu pescoço perplexo com minha atitude. _ isso foi apenas uma dose de paralisante.- falo calmamente e me divirto com seu desespero quando vê o remédio fazer efeito. Ele tenta vir para cima de mim, mas logo perde os movimentos das pernas e vai ao chão como uma arvore recém cortada. _por que fez isso? O que você quer de mim? - ele pergunta desesperado e eu me abaixo parando ao seu lado. _ você parece nervoso, porque não relaxa um pouco e sente o cheiro do mar. - respiro bem fundo aproveitado aquela bela noite e o medo em seus olhos muito me alegra. _ o que você vai fazer comigo? - ele pergunta submisso como um ratinho assustado e meu sorriso se expande ainda mais. _ nada mais satisfatório do que ver um homem bonito como você, tão submisso.- me levanto e apoio meu pé em seu peito fazendo pressão e vendo as primeiras lágrimas saírem dos seus olhos. _ por favor, por favor, não me mata. Eu faço qualquer coisa.- ele tenta barganhar e eu sorrio. Muitos agora perceberiam que a vingança não leva a nada e principalmente não traz paz de espírito, mas ver a humilhação de Max me traz uma sensação de felicidade como a muito tempo não sentia. _ por favor me deixa ir. Eu não sei o que te fiz, mas me desculpa. _ Como você pode se desculpar por algo que não se lembra. Não se preocupe você vai lembrar. Ando até a outra lateral do píer e pego a corda que está presa a um dos pilares, soltando o pequeno barco preso a ela. Volto para onde Max ainda luta contra o paralisante, mas não obtém muito sucesso, amarro seus pés e uso todo meu conhecimento e condicionante físico conseguido no crossfit e no judô para arrasta-lo até a borda, enquanto assovio a musica tema do Darth Vader. Amarro a outra ponta da corda no pilar de sustentação e me abaixo colocando o lenço em seu pescoço e sorrindo para ele. _ o que eu fiz para você?- sua voz era um sussurro penoso. _ você se lembra da festa de formatura? - vejo o reconhecimento em seus olhos arregalados e me abaixo para ficar bem próxima ao seu rosto.- eu sou a garota que você e seus amigos bastardos, estupraram, sodomizaram, humilharam e deixaram para morrer em uma vala qualquer. _ não pode ser. _ me responde uma coisa Max. Você sabe nadar?
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