Passado....
O dia da formatura deveria ser o mais feliz dos dias para uma garota.
Já estava tudo pronto. Meu vestido comprado, o salão de beleza reservado, os sapatos escolhidos.... Em resumo estava tudo perfeito.
Ainda não consigo acreditar que o cara mais bonito do colégio me convidou para ir com ele ao baile.... Não que eu seja f**a ou antesocial, de maneira nenhuma, na verdade no quesito beleza eu sou bem normal, não tenho nada de mais. Tenho cabelos castanhos e lisos, olhos castanhos, e pele clara. Não sou muito magra nem muito gorda, não sou alta nem baixa, o que me torna quase imperceptível para caras como Dilan.
Não me considero uma pessoa introvertida, já que converso com todo mundo, e tenho facilidade em fazer amigos, mas Dilan e sua turma, nunca se enquadraram nesse grupo. O que me faz voltar a pergunta.... Por que eu?
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Presente...
Me pergunto hoje se as coisas seriam diferentes se eu seguisse meus instintos e não aceitasse àquele pedido a princípio inocente, mas que desencadeou todos os meus pesadelos mais profundos.
Escuto passos vindo em minha direção e imploro aos céus que não seja ele. Meu emocional está frágil de mais hoje, e ver seu desprezo por mim é uma tortura que não consigo suportar.
Os passos estão cada vez mais próximos e eu me recuso a virar para olhar, até porque nem preciso, meu corpo o reconheceria a quilômetros de distância e o aperto em meu coração ferido m*l me deixa respirar.
Ele me olha durante algum tempo, provavelmente pensando se quer mesmo falar comigo ou se prefere que eu morra com sua indiferença. Contudo ele parece escolher a primeira opção, o que me leva a pensar se essa é mesmo a melhor escolha para mim.
_ Por que você mentiu para mim? - Ele me pergunta.
Eu não respondo nada, não consigo nem me virar para encara-lo.
_ Você me traiu. Traiu minha confiança.... Eu te defendi, e você mentiu.
Eu me mantenho em silêncio.
_ OLHA PARA MIM! -Ele grita e eu me viro mais não levanto a cabeça. Não conseguiria nem se quisesse. - OLHA PARA MIM SAMANTA! - Grita ele novamente, mas eu não me movo o que faz com que ele ande até onde estou e segure meu rosto com certa violência, me forçando a olha-lo.
Suas feições antes sorridentes agora estão fechadas. Ele parece cansado e as olheiras em volta dos olhos são um grande indício das horas não dormidas. Seus olhos estão marejados de lágrimas que ele se recusa a deixar cair por minha causa, e saber que eu sou a causadora de toda essa dor me machuca bem mais do que eu gostaria de admitir.
_ Você não tinha o direito de fazer o que fez. Você me iludiu,
me seduziu, brincou comigo e depois... Meu Deus, o que você fez Samanta?- ele fala soltando meu rosto e se afastando desnorteado. - aquelas pessoas tinham família, tinham uma vida, mas você não se importou com isso. E por quê? Eu só quero entender por que você fez isso. Por que?
Quero dizer a ele que eu também tenho meus motivos, mais não posso. Ainda não. A muito em jogo.
_ Não vai se defender? Eles eram pessoas boas e agora não são nada. Você os fez nada. Você é um monstro.
Ele tem razão eu sou um monstro, mas eles me fizeram assim. As "boas pessoas" a quem ele defende me fizeram ser o que sou hoje...
...Uma assassina!