CAPÍTULO 04
Lucy
Os dias tem passado voando! Com o tanto de trabalho que eu tenho, nem percebo a minha vida passando!
O meu irmão também se isolou, e não o vejo fazer outra coisa, a não ser estudar, mas deixei ele ter o tempo dele sossegado.
No hospital, a mesma agitação de sempre, mas hoje é a minha folga, e os meus amigos me cercaram com medo de eu ter pego um plantão extra.
— Lucy! Você não vai fugir hoje! Já combinamos de sair, e você vai junto! — Falou o Lincoln animado.
— Eu te trouxe até um vestido com botas, para não ter desculpas, hoje não vai ser a médica na balada, apenas a Lucy! — Falou a minha amiga Ana, com uma sacola na mão.
— Eu não estava com vontade de sair, nunca estou! Mas, talvez eu precise realmente me distrair com alguém! — Falei pegando a sacola.
— Amiga! Vai que o homem que você espera esteja lá! — Ana respondeu, e eu iria comentar, mas o Lincoln falou na minha frente.
— Cruzes! Com o mau gosto da Lucy, só se fosse eu lá! Ela quer arrumar um chato igual ela, que goste de trabalhar e ser responsável, eca! Quanto m*l gosto! — Falou fazendo cara de alguém que engoliu um limão.
— Nem é! Você nem sabe! Nem eu sei, acho que vou acabar sozinha! — Falei perdida nos meus próprios pensamentos.
— Se não sabe, ótimo! Então hoje vamos descobrir, e você vai arrancar todas essas teias de aranha que tem! — Falou a Ana me empurrando para o banheiro do hospital.
O meu expediente está no fim, e eu vou tomar banho aqui mesmo, e logo estarei pronta.
O vestido era preto, e além de curto, era justo, e completamente brilhoso e chamativo. Com as botas, então... eu parecia mais uma prostituta, se parasse na rua, choveria de carros!
Eu tinha maquiagem básica, escova de cabelo, perfume, tudo na bolsa, pois não saio do hospital, então tenho tudo na mão.
Me senti estranha andando pelos corredores do hospital, todos me olhavam dos pés a cabeça, e já estava sem graça. Os meus amigos quase piraram quando me viram, e pensei que talvez eu merecesse um descanso, e a minha mãe, não ficaria triste com isso.
Fomos no carro do Lincoln, e não era longe, então foi rápido. Já fazia muito tempo que eu tinha vindo em um lugar como esse, e foi quando eu terminei o namoro com o Jean, por ter o pego no banheiro comendo uma enfermeira do hospital.
O sem vergonha filho da mãe, disse que não aguentou esperar eu querer t*****r com ele, e precisou se satisfazer... hum! Vê se pode!
— Não me diga que lembrou do Jean? — Lincoln perguntou.
— Pior que foi! — Respondi, enquanto entrávamos nas áreas vips.
— Que bom, pois eu não esqueci, que no outro dia, você bateu a foto que ele havia te dado dias antes, de vocês no porta retrato, no liquidificador e o fez tomar, achando que você daria outra chance! — Falou a Ana.
— Eu não prometi nada! — Ergui as mãos. — Apenas lhe ofereci uma nova bebida! Não costumo levar desaforo pra casa não! Não sou baixa, mas eu sempre dou um jeitinho de me vingar!
— Disseram que ele passou bem m*l aquele dia! — Ana complementou.
— Digamos que eu não tenha colocado só a foto! Agora vamos pegar uma bebida, que preciso se soltar. — Falei arrumando os cabelos, quando ia em direção ao bar.
Com passos lentos, um rosto me chamou a atenção, e não tive como não olhar, pois o homem era muito bonito e familiar.
Ele também me olhou, e fixou o olhar enquanto eu chegava no bar. Sentei em uma das banquetas altas e pedi uma bebida, e o Lincoln chegou com a Ana, e sentaram ao lado.
Fiquei até sem graça com o jeito que ele me olhava, peguei a bebida dei uma encarada, e me lembrei que ele era o cara que esbarrou comigo naquela empresa chique do meu paciente.
Perdeu um pouco a graça e me levantei.
— Vamos reservar aquela mesa! — Apontei. — Quero dançar um pouco, e deixar lá reservado para quando eu voltar cansada! — Falei a sorrir, me dirigindo para lá.
Deixei o copo na mesa, já vazio e eu e a Ana fomos para a pista. Me soltei, e comecei a me divertir dançando, talvez até seja a bebida, mas eu estava gostando.
Vi o cara lá por perto, e ele parecia estar com torci colo, de tanto que se fixou em mim, e eu não liguei.
A Ana foi para o banheiro, e eu voltei para a mesa, para o Lincoln ir dançar um pouco.
Me assustei quando o cara que me olhava, pegou uma cadeira, e virou do lado contrário, com o assento perto do queixo e ficou bem na minha frente, muito próximo de mim.
— Boa noite! Acho que aquele dia, não nos apresentamos devidamente! Sou o Glauco Parker! — Estendeu a mão para mim. — E você?
— Lucy Miller! Então você é filho do meu paciente? — Perguntei enquanto ele ainda segurava a minha mão.
Posso estar maluca, ou talvez seja a bebida, mas gostei do toque dele em mim, e quando ele abaixou as nossas mãos, e continuou a segurando e passou os dedos, eu não recusei.
Uma sensação gostosa foi o seu toque, e me senti bem com ele ali.
— Sim! O meu pai me contou que é a médica dele! Inclusive, eu a procurei durante a semana...
— Vai me dizer que também precisa de uma médica? — O cortei enquanto falava.
— Eu preciso! Você acertou! Mas só te conto os sintomas se aceitar dançar comigo a próxima dança! — Falou fazendo gracinha, mas a i****a aqui, que está carente, e não fica com ninguém a um tempão, topou! Merda!
— Eu só vou, porque já estava querendo dançar de novo, mesmo! — Falei o puxando pela mão que ainda estava sob o domínio dele.
Fomos para a pista, e começamos a dançar, e nos divertir juntos. A música era agitada, e o cara até que era divertido, agora fiquei confusa quanto ao carrancudo da empresa, talvez apenas só tivesse num mau dia!
Senti as mãos dele na minha cintura, num movimento de encaixe na dança, e numa puxada, senti os nossos corpos se chocarem outra vez, agora deixando a minha boca muito perto da dele, e não sei o que aconteceu comigo, pois ele se aproximou e eu não recusei.
Ele tocou o meu cabelo, e aquilo me fez arrepiar, uma sensação nova, um toque suave, ele passou a mão pelo meu rosto me olhando profundamente, parecia que estava estudando a minha alma.
Eu já não ouvia mais nenhuma música, fiquei feito uma boba, sentindo as mãos de um estranho me tocar, no meio da pista e não me importando com isso. Até que os olhares e os toques não foram mais suficientes...
Não sei quem foi que beijou quem! Apenas senti os lábios daquele gato charmoso na minha boca, e não queria mais largar! Era como em um sonho de fantasia onde os milagres acontecem, e eu realmente havia gostado do Glauco de uma forma tão... nova! Assim como a minha mãe tinha falado, e estou começando a acreditar que ela estava certa!
Um beijo que prende! Que amolece o corpo, me fez suspirar nos pequenos espaços que paramos por falta de ar. Um corpo quente, bem perto do meu, um cheiro único masculino, que não conhecia, e agora, infelizmente, ou felizmente, não sei... mais, serei incapaz de esquecer!