CAPÍTULO 01
Glauco Parker ( O início)
— Como anda o cara mais viciado em trabalho que eu conheço? — Perguntou o Boris, meu amigo, e segurança, ao entrar na minha sala.
— Não sou viciado em nada! Apenas não gosto de deixar nada acumulado! — Respondi.
— Você precisa superar a Leda! Pegar outras, mas parece que não esquece essa mulher! Você tem vinte e dois anos, e não sessenta! — Falou ele, mas fingi que nem ouvi.
— Vou buscar um café! Você tá me enchendo a paciência com essa conversa.
Levantei da minha mesa, no escritório da Parker's de Nova York, e fui distraído para a mesa de café, deixando o Boris lá mesmo.
A minha cabeça anda pensando demais, e eu preciso me distrair. Mas, ao andar por aquele andar, levei um susto enorme, ao bater de frente com alguém, e vi papéis voando por todos os lados, e caindo ao chão.
— Você não olha por onde anda, não? — Logo perguntei, mas até me arrependi da forma como falei, pois, a moça era linda demais! Cabelos escuros, com a pele clara, e olhos claros. Ela olhou bem nos meus olhos, e sorriu de canto, me fazendo boiar, e não sei porquê, mas senti o meu coração mais agitado no peito, até coloquei a mão para me certificar.
— O senhor deveria ser mais educado! Não fui só eu que estava distraída! — Ela tinha uma voz firme, e um jeito debochado ao mesmo tempo, se abaixou com cuidado, e começou a juntar os papéis do chão.
— Me desculpe, se fui m*l educado! Apenas não estou nos meus melhores dias! — Disse sério como de costume, me abaixando para ajudar a moça, que parecia tão nova, deveria ter no máximo uns dezenove anos!
— Deveria saber que todos temos problemas, e se agirmos da forma que o senhor agiu, ficará complicado conviver num mesmo ambiente. — Respondeu a moça com rispidez, e mais deboche.
— Você trabalha aqui? — Perguntei ainda abaixado. Mas, eu mais a admirava, do que ajudava, parecia uma obra de arte os incríveis traços daquela mulher.
— Pode-se dizer que sim! Mas, agora eu tenho que ir! E procure sorrir mais, senhor carrancudo! — Sorriu de leve, e virou as costas, esbanjando superioridade, e até senti vontade de retrucar, mas deixei, provavelmente eu nem volte a ver a moça.
Eu já quase a perdia de vista por aquele longo andar, mas algo me chamou a atenção e fui seguindo os seus passos.
A mulher parou em uma das janelas, e apoiou as mãos nas grades, abaixando levemente a cabeça. E eu poderia jurar que estava chorando.
Cheguei a dar alguns passos até ela, mas desisti, ao lembrar que eu nem a conheço, e nem quero conhecer ninguém agora. Voltei para onde eu estava indo, tentando tirar a sua imagem da minha cabeça.
Peguei o meu café, mas o rosto delicado, e tão lindo daquela moça não me deixava em paz! E pra piorar, nem o nome dela eu sei! Voltei para a minha sala, e chamei o Boris.
— Chamou, chefe? — Perguntou com a cabeça para dentro da minha sala.
— Sim! Quero que descubra quem é essa moça! — Apontei para um desenho torto que eu fiz no papel, e ao entrar e olhar, ele sorriu.
— Suponho que saiba pelo menos o nome dela, né? — Falou erguendo a sobrancelha.
— Pior que não! Mas, sei que trabalha aqui! Se vira, Boris! Olhe foto por foto das funcionárias entre dezoito e dezenove anos! Quero saber tudo sobre ela.
— Foi fisgado em quinze minutos, meu amigo? Não pensei que levaria tão a sério essa conversa de superar, e tão rápido! — Falou ele.
— Superar, o que? É só curiosidade, eu nem quero nada com essa garota! — Falei, me lembrando que a última vez que pronunciei que tinha uma garota, quebrei a cara!
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Flash back on...
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(Três meses antes)
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— Cara, você vai para o Brasil, hoje? — Pergunta Boris, o meu amigo.
— Sim, amigo! Combinei de passar o final de semana com a Leda! Mas, vou de Jatinho, daí é rápido! — Respondi.
— Cara... o seu pai não gosta muito dela! Vai enrolar o velho de novo? — Falou encostando na minha mesa, e mordendo uma maçã.
— É só você não abrir o bico! Agora com a filial em Curitiba, ficou tudo muito mais simples! E, eu gosto da Leda! Pretendo me casar com ela! — Respondi voltando a me sentar na minha cadeira giratória.
— Sei, não! Ela fica muito tempo sozinha no Brasil! Deveria ficar atento! Porquê não vai um pouco antes, pra ver como as coisas andam? — Falou o Boris.
— É cada uma que eu preciso ouvir!
Leda, é uma mulher divertida, e muito sexy que eu conheci em um seminário no Brasil, estamos juntos a um tempo, e até comprei uma casa pra gente lá. O meu pai não sabe da casa, pois ele não gosta dela, e como não tenho a sua aprovação para me casar com ela, vou enrolando conforme dá.
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Fui para o Brasil, cheguei animado, louco para estar com a minha garota! Tenho as chaves da casa, então entrei com passos lentos, para lhe fazer uma surpresa. Deixei o casaco na entrada, iria tirar os sapatos, mas acabei deixando, e entrei...
A cena que eu vi, jamais vai sair da minha cabeça! A Leda agarrada com um homem, que segurava nos seus cabelos, e a beijava loucamente, na minha própria casa!
— Mas, o quê significa isso, Leda? — Perguntei completamente desnorteado.
— Me solta, seu infeliz! Ele me agarrou, Glauco! Você precisa acreditar em mim! — Ela começou a tentar se soltar daquele homem, que era um tanto mais velho que ela, inclusive! Pelo jeito gosta de homem mais experiente!
— QUE MERDA, LEDA! EU CONFIEI EM VOCÊ! PORQUÊ FEZ ISSO COMIGO? — Gritei.
— ELE ME AGARROU! EU JURO! EU NUNCA QUIS ISSO! ESSE MALDITO NEM DEVERIA ESTAR AQUI! — Ela dizia, e o cara até já tinha a soltado! É incrível a capacidade de mentir que essa mulher tem!
Eu colocava as mãos na cabeça, e andava de um lado para o outro, pensando. Mas, não tinha nada mais a ser feito!
— PODE FICAR COM A CASA! MAS, EU NÃO QUERO TE VER NUNCA MAIS! SUA MENTIROSA, TRAIDORA! — Falei deixando aquela casa, e aquela mulher, que realmente não quero ver nunca mais!
Flash back off...
Ainda no escritório...
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— Agora, vá! E só volte com respostas, Boris! — Falei, e ele ergueu as mãos em rendição, e foi saindo.
Não me perguntem o que eu quero com ela, pois eu não sei! Deve ser apenas curiosidade! Não me lembro de mulheres que conheci, e choraram logo depois! Isso está estranho.