CAPÍTULO 2
Lucy Miller
Sou americana, e atualmente moro em Nova York, com o meu pai, e um irmão de doze anos. Tenho vinte e um anos, embora todos dizem que não parece. Sempre estudei demais, comecei a estudar mais cedo que o normal, e esse ano, eu me formo em medicina.
Os meus pés estão tão cansados, tenho feito muitos plantões seguidos, de estágio para me formar mais rápido, e as vezes nem durmo direito.
Sentada na mesa do refeitório, tento mexer os pés, e esticar bem as pernas, quando o Lincoln chega.
— Lucy! De novo pegando pesado? Quando vai tirar uma folga? — Perguntou ele.
— Sabe que se eu pegar firme, me formo no final do ano! — Respondi.
— Qualquer hora, vai acabar dormindo no consultório! Venha, que eu te deixo em casa! — Falou ele, e decidi aceitar, pois, estou morta de cansada!
Fomos conversando no carro, ele é um amigo bem bacana que sempre me ajuda como pode, e hoje não vim de carro, pois não estava bem para dirigir.
— Obrigada, Lincoln! — Dei um beijo no rosto, e entrei no nosso prédio.
Entrei no elevador, e encostei na parede, para respirar um pouco, e quando parou, enfim pude entrar na minha casa.
— Filha! Você demorou! Não vai parar de trabalhar um pouco! — o meu pai perguntou ao me ver chegar.
— Ah, paizinho! Eu preciso me formar logo! — Respondi.
— Você não me engana Lu! Eu sei, que você está fazendo isso para esquecer os problemas! Mas, infelizmente a sua mãe não vai voltar! Descanse, meu amor! Não precisa trabalhar tanto, e pode se formar no ano que vem! — Falou ele me abraçando.
— Eu prefiro trabalhar, pois fica mais fácil, e consigo esquecer que ela se foi!
— Já faz três meses, filha! Precisa superar! Ela não iria querer isso! Você sempre foi tão sorridente, rindo por tudo! Pense nisso!
— Prometo que vou pensar! Onde está o Lyon? — Perguntei.
— Ele foi na madrinha dele, e vai passar o fim de semana lá! — Respondeu.
Eu iria perguntar, se ele foi, em plena quinta-feira, mas acabei de lembrar que amanhã completa três meses que ela se foi, e o meu irmão deve ter ido para se distrair.
— Entendi! Vou tomar um banho, que eu preciso descansar! Boa noite, pai!
— Boa noite, minha filha.
Fui tomar o meu banho, e tentar dormir, pois, amanhã, começo tudo de novo!
***** *****
Acordei na correria, e fui para o meu primeiro turno. A mesma adrenalina de sempre, pacientes que precisam de atendimento, pacientes que estamos analisando, e eu ainda não tenho aval para dar um diagnóstico sozinha, preciso sempre auxiliar um médico formado, mas eles sempre me dão muitas oportunidades de aprender, eu amo o que faço e não desistiria por nada.
— Lucy! A doutora Cindy, pediu para acompanhá-la até um paciente específico, já é paciente dela, e passou m*l no escritório! — Falou um enfermeiro plantonista.
— Claro! — Respondi.
Fui até a sala da doutora Cindy, e nos encaminhamos até o local. Esse é um paciente delicado, com chances eminentes de leucemia, e vamos ter que atender lá, porquê é um homem muito exigente, e paga muito bem.
Um prédio enorme, muito chique, e muitos andares. Fiquei observando tudo cautelosamente, mas ela negou, e falou no meu ouvido:
— Hoje você é a médica chefe, e dará o diagnóstico! — Sorri ao ouvir, pois, adoro essas oportunidades.
— Obrigada! — Soletrei no seu ouvido.
Examinei o paciente que se chamava Roger Parker, dono da empresa de tecnologia, e passei um diagnóstico preciso. A Cindy sorriu em concordância, e pediu para eu tirar uma cópia para o senhor Roger, e a outra ficaria no prontuário do hospital, para ser feito todos os exames restantes.
Fui caminhando pelo andar da presidência, e analisando os papéis, mas fiquei assustada ao sentir o impacto de alguém em mim, me fazendo derrubar todos os papéis e cópias no chão.
Uma voz prepotente quis me julgar, e me tratou m*l, mas eu não sou como ele, que estou passando por problemas e desconto nos outros, então dei uma resposta a altura.
Ao olhar para ele, o achei lindo! Se não fosse a arrogância, talvez a conversa teria sido diferente.
Me abaixei para pegar, e por incrível que pareça, o senhor superioridade tentou ajudar, mas dava para ver de longe, que nem estava querendo, pois não juntou nenhum papel, apenas o primeiro que pegou na sua mão.
Senti o seu cheiro, e nossa! Que cheiro peculiar! Nunca havia sentido, e no seu movimento exalou um cheiro masculino muito bom!
— Você trabalha aqui? — Perguntou.
Eu não iria explicar coisas desnecessárias para ele, então apenas resumi:
— Pode-se, dizer que sim! — Falei, e dei um jeito de sair dali, pois ao cruzar o meu olhar com o dele, me fez lembrar uma das últimas coisas que a minha mãe falou, que havia sonhado, e tudo que ela sonhou até agora, aconteceu...
Flash back on...
— Filha! Eu já sei quem vai roubar o seu coração! — Falou a minha mãe.
— Como assim, mãe? Vai dizer que sonhou? — Perguntei.
— Sim! Eu nunca me engano! Você vai cruzar com ele, e vai se apaixonar! Um homem jovem, cabelo escuro, pela bronzeada, olhos castanhos! Eu o vi! O cheiro dele vai ser diferente de todos os outros, e a sua presença vai te confundir!
— Nossa! Tomara, mãe! E vai ser no hospital? — Brinquei.
— Não dava pra ver! Mas, tome cuidado! Também vi alguém te levando para longe dele! Não permita, minha filha!
— Não vou, mãe! Fique tranquila!
Flash back off...
Todas as vezes que ela sonhava, acontecia, mas acho que ela se enganou dessa vez, pois esse homem não se parece em nada, com o que quero pra mim!
Mal enxerguei as coisas direito, pois isso me fez lembrar, que hoje completava o terceiro mês da sua morte, e não consegui conter as lágrimas dessa vez.
Encontrei uma janela grande de vidro, e me apoiei nela, eu precisava me recompor antes de voltar para o meu paciente.