ALINE NARRANDO
Sinto o meu corpo doer e abro os olhos devagar, por mais um dia e mais um noite, eu fui abusada e espancada como de costume. Eu não sei se consigo lidar mais com isso, eu não sei quanta força em mim ainda existe para suportar tanta dor e sofrimento.
Me levanto da cama sentindo cada m****o do meu corpo e cada parte dele todo doer como se estivem tirando a minha alma, nem sei se essa dor existe, mas eu sinto assim e em cada pontada que eu sinto a minha alma e a minha vontade de viver vai embora um pouco mais.
Eu me chamo Aline, sou branca, dos cabelos pretos e lisos na altura da b***a, meu olhos são verdes e dependendo do clima e do tempo ele fica com mel, tenho um e setenta e sete de altura e mesmo para a mãe de duas crianças eu tenho um corpo magro e bem definido e ai de mim se eu não tivesse.
Enquanto eu tomo um banho para ver se essa dor sai do meu corpo, vou contar a minha história para vocês. Nasci e fui criada aqui no morro da maré, filha de pai e mãe simples, mas o meu pai era alcoólatra e drogado, mas mesmo nesse cenário eu ainda fui uma criança e uma adolescente feliz, bom até a segunda página pelo menos.
Quando completei dezessete anos minha mãe estava trabalhando fora do morro, estava fazendo faxina em um condomínio no Leblon, ela trabalhava fora o dia todo, eu cuidava da casa e meu pai ficava sempre nos botecos e bocas de fumo, mas em um dia desses de bebidas e drogas meu pai foi além.
Eu estava em casa terminando de fazer a janta, quando eu do nada eu senti mãos pelos meu corpo, me assustei na hora dei um pulo que quase parei do outro lado da cozinha, meu pai veio para cima de mim queria me agarrar de todas as formas e eu obviamente comecei a gritar, quebrei vários pratos e copos na cabeça dele naquele dia, mas ele parecia que não sentia nada e continuava vindo para cima de mim. Foi quando eu caí na porta da lavanderia e como ela era de vidro, ela se quebrou o que chamou atenção dos meninos da boca e entre todos os que invadiram a minha casa, o filho do dono do morro, que já era sub entrou também barão. Lembro como se fosse hoje o jeito que ele me olhou, de um forma tão intensa e predadora que eu me arrepiei de medo, tanto quanto eu senti com as mãos de quem eu chamava de pai.
LEMBRANÇAS ON
BARÃO- que p***a ta pegando aqui c*****o? _ ele perguntou puto e na hora acho que toda a lombra do meu pai passou.
SILVIO- foi nada chefe a imprestável cai e quebrou a p***a da porta. _ ele falou como se ninguém estivesse vendo-o de p*u duro.
BARÃO- ta de caô o velho dos infernos, sou cego nessa p***a? _ ele ali já grudou meu pai pelo pescoço e o levantou do chão.
SILVIO- eu não fiz nada, não fiz. _ ele gritava e eu engoli seco.
ALINE- não fez porque eles entraram. _ falei quase em um sussurro.
SILVIO- vala a boca Aline, vai para dentro. _ ele gritou e eu não sai do lugar, eu sempre fui muito na minha, mais nunca fui de aguentar nada calada, sempre bati de frente com o errado, sempre me defendi e a minha mãe nem se fala e não era ali que eu ia ficar calada, o medo naquele momento tinha ido para casa do c*****o, fique de pé com a perna e o braço sangrando.
ALINE- eu não vou pra c*****o nenhum, tu é um bêbado drogado de merda que vivi por aí devendo deus e o mundo e hoje passou de todos os limites tentando me agarrar. _ falei e todos olharam para ele na maldade, lobo que era o único amigo que eu tinha junto com a Gabi estava ali no meio e muito puto com tudo.
BARÃO- leva o desgraçado para a salinha. _ ele falou e ali eu já sabia o que ia acontecer, ele ia ser cobrado, como? Não soube, mas eu sabia que ele ia ser cobrado de forma pesada. - Você vem comigo. _ quando ele falou isso eu travei, os crias já estavam lá fora, mas lobo que era que estava mais para traz ficou e voltou.
ALINE- eu não para que eu tenho que ir, já viram tudo, eu já falei tudo. _ eu falei para que me olhou puto de ódio.
BARÃO- eu não pedi para ir, eu disse que tu vem comigo. _ ele falou e eu olhei para o lobo que negou respirando fundo, porque ali ele não podia fazer nada.
ALINE- posso ao menos trocar de roupa.? _ pergunto pois estava com uma shorts e top de academia, porque eu gostava de fazer exercícios no quintal de casa mesmo, na verdade eu gostava era de dança.
BARÃO- coloca isso e vamos logo. _ ele fala me jogando a camisa dele, peguei no ar e vesti sem entender nada.
LEMBRANÇAS OFF
Nesse dia o meu inferno estava preste a aconteceu e eu não sabia, barão me levou pra casa dele no topo do morro, e dali ele disse que eu não sairia mais, entrei em choque e perdia a cabeça ao mesmo tempo porque eu gritei com ele, disse que ele podia ser herdeiro do morro, mas que ele não teria o direito de me manter ali, foi eu terminar de fala pra o primeiro tapa vim no meu rosto, nunca apanhei dos meus pais e o desgraçado veio me bater, fiquei quieta? Não mesmo pulei em cima dele, mas de nada adiantou, ele já era bem mais alto que eu e me comeu na porrada, acordei no outro dia com a Gabi cuidando de mim e desde esse dia minha vida é essa.
Aline, nunca quis ficar com ele? Não, barão expulsou a minha mãe do morro, não me deixava sair sozinha na rua, quando eu saia era com ele e ouvindo várias piadas das putas que ele comia, ele batia nelas na frente de todos por me xingarem e eu só via tudo calada. Fui difamada no morro por ter denunciado o meu pai e o deixado morrer, me esculachavam por acharem que eu optei pelo bandido do que pela minha própria mãe que teve que deixar tudo que conquistou aqui por minha causa, interesseira, vagabunda, falsa, chifruda e daí por diante eu ouvi de uma tudo. O engraçado é que eu nunca dei motivos para pensarem e nem falarem nada de mim antes disso tudo acontecer, mas como dizem as fofoqueiras no salão, as mais certinhas são as piores.
Eu só tinha lobo e Gabi como amigos como eu disse, mas por muito tempo eu perdi até eles, mas não por me julgarem e sim porque barão os proibia de se aproximar de mim, Gabi só me via quando ele me quebrava e isso porque ela é enfermeira, se não ela não apareceria aqui nem para um oi.
Eu não tive uma primeira vez, eu tive um primeiro abuso aos dezoito anos, barão chegou do baile e queria transa e eu neguei, disse que nunca ia me entregar a ele, apanhei e o pior aconteceu e assim eu vivi por anos. Mas da minha maior dor nasceram as duas luz da minha vida, com dezenove anos e alguns meses eu engravidei, tive o Murilo com exatos vinte anos, hoje meu menino tem oito anos, dois anos depois eu tive a minha princesa Maya que hoje tem seis anos e esses dois são os motivos de eu não ter desistido de tudo ainda.
Estou anos vivendo o mesmo inferno, barão me obrigada a fazer tudo que ele quer, quando os meus filhos nasceram, falo meus porque são só meus, barão nem se quer fala direito com as crianças, não participou de nada da vida deles então ele não é pai e nem meus filhos os consideram assim, mas com a chegada de Murilo e Maya, barão trouxe a minha mãe de volta ao morro pra cuida deles sempre que precisávamos sair, isso porque eu quebrava o p*u com ele dizendo que eu não ia deixa meus filhos com qualquer um, logico que antes dele ceder e trazer ela, ele me quebrou muitas vezes, literalmente, braço, perna, pé, já quebrei muitas partes do meu corpo, mas estou inteira e viva por suas pessoa apenas e por eles eu vou lutar cada dia mais.
Então, barão me faz fazer academia, coisa que perdi a vontade depois que fui presa por ele, me obrigada a ir em bailes, reuniões e pagodes, seja aqui ou em outro morro eu tenho que estar com ele e ser a melhor e a mais feliz das fiéis, m*l as pessoas sabem o inferno que eu vivo e o demônio que é o homem que muitos idolatram.
CONTINUA...
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