Capitulo 7
Dom narrando:
Aquele dia eu acordei com uma sensação estranha. Já fazia um tempo que a Karina não atendia minhas ligações, e isso tava começando a me deixar inquieto. Eu sou homem de negócio, não gosto de nada no ar, tudo tem que ser preto no branco. Liguei pra ela de novo, na esperança que atendesse dessa vez, mas foi em vão. O celular chamava, chamava, e nada.
Soltei o celular na cama com força, sentindo o sangue ferver. Levantei e fui até a grade da cela, olhando pro corredor como se de lá fosse sair alguma resposta. Nada. Respirei fundo e peguei o telefone de novo, dessa vez liguei pro Coelho, meu irmão.. Mas adivinha? Nada também. O desgraçado não atendeu.
— Filho da p**a, sumiu também agora? — Murmurei, passando a mão no rosto, tentando conter a raiva. A paciência tava esgotando rápido. O silêncio dos dois não me descia, parecia que algo grande tava acontecendo e eu tava de fora.
Marcão, percebeu que eu tava perdendo a linha e tentou me acalmar.
— Relaxa, Dom. Talvez seja só uma correria lá fora. O Coelho deve tá ocupado com alguma treta. Sabe como é…
Revirei os olhos, eu sentia quando algo não tava certo. E o que tava acontecendo agora me cheirava a problema.
— Ocupado o c*****o. Se tem treta, ele me avisa. Não é do feitio dele sumir sem dar sinal, e a Karina… essa daí já tá me deixando com a pulga atrás da orelha. Tem coisa errada aí, cê pode apostar.
Marcão deu de ombros, mas eu via no olhar dele que ele queria me tranquilizar. Só que aquilo só me deixava mais puto. Quando eu to calmo, é porque já tô planejando o que fazer. Mas nesse caso, a falta de informação me matava. Ficar preso é isso: você tá cercado por grades, mas o que realmente te prende é o que você não sabe lá fora.
Os dias se arrastaram. A ansiedade só crescia, mas eu segurava a onda como podia. Hoje era dia de visita, e a última esperança que eu tinha era que a Karina aparecesse. Quem sabe ela tinha um motivo justo, quem sabe tava resolvendo alguma parada importante. Mas, no fundo, eu sabia que tava me iludindo.
Quando sentei no pátio, com a galera das visitas entrando aos poucos, meu olhar se fixou no portão. Cada pessoa que passava era uma batida a mais no peito. Mas nenhuma delas era a Karina. A última a entrar foi Mirela.
Ela chegou com aquele sorriso tímido, mas sincero, quando viu o irmão. Marcão abriu um sorrisão que eu nunca tinha visto nele antes. Era f**a ver o amor entre os dois, e eu entendia o quanto aquela garota significava pra ele. Bonita demais pra quem se lasca tanto nessa vida, pensei. Impossível não admirar a mina.
Fiquei ali, no pátio, só observando. O Marcão e a Mirela conversando como se nada mais existisse no mundo. E eu? Eu tava em outro lugar. Minha cabeça tava na Karina, no Coelho, e em todas as possibilidades que me passavam pela mente. Será que é isso? Será que é aquilo? A desgraça da dúvida era a pior cadeia.
Quando a visita acabou, Marcão se despediu da irmã com aquele abraço apertado, e eu só continuei parado, analisando o movimento. Eu não tinha recebido visita nenhuma, mas isso já não era novidade. O que me pegou desprevenido foi ver a Mirela se aproximando, hesitante, mas determinada.
Ela tava ali na minha frente, olhando pra mim com um sorriso tímido e um brilho no olho que eu já não via em ninguém fazia tempo. Aquilo me deu um certo baque, mas mantive a pose.
— Dom… Eu… — Ela começou, meio sem jeito, e aquilo me fez sorrir por dentro.
— Só queria te agradecer. Pelo dinheiro que tua mãe me deu… Isso foi… foi muito importante pra mim, me ajudou muito.
Abaixei o olhar por um segundo, como se estivesse pensando, mas na real eu só queria que ela se sentisse à vontade. Mirela era gente boa, e eu não queria que ela pensasse que o que fiz foi com intenção de cobrar algo depois. Ergui os olhos e encarei ela de novo, firme, mas tranquilo.
— Cê não precisa agradecer, não. Só não quero ver você passando necessidade. Se precisar de mais alguma coisa, só fala.
Ela sorriu de novo, e p***a, como aquele sorriso era bonito. Não era um sorriso de quem tá acostumada a receber ajuda. Era de gratidão de verdade. E isso mexeu comigo mais do que eu esperava.
— Mesmo assim… Obrigada, Dom. De verdade.
Eu assenti com a cabeça, sem precisar falar mais nada. Às vezes, o silêncio diz muito mais do que qualquer palavra. Ela se despediu com um leve aceno e saiu, deixando aquele rastro de perfume no ar, enquanto eu ficava ali, vendo ela ir embora.
Logo depois, Marcão chegou perto de mim.
— Valeu, Dom. Sério mesmo. Cê não faz ideia do quanto isso tá ajudando minha família.
Eu balancei a cabeça, meio distraído ainda com a conversa que tive com a Mirela.
— Tá tranquilo, Marcão. Só cuida dela, cê tá ligado? Família é tudo que nois tem, no que depender de mim, ela não vai passar perrengue.
Marcão assentiu, e eu percebi que, pra ele, isso era mais do que qualquer promessa. Aquele cara ali confiava em mim de uma forma que poucos confiavam.
Voltamos pra cela. Eu me joguei na cama, os pensamentos ainda pesando na cabeça. A imagem da Mirela sorrindo, o fato de que ela tava tentando sobreviver sozinha, e ao mesmo tempo, a p***a da Karina que sumiu. O Coelho também. Aquele silêncio continuava me assombrando. Era como se algo estivesse prestes a estourar, e eu precisava descobrir o que.
— Cê acha que tá tudo certo lá fora, Dom? — Marcão perguntou, me tirando dos devaneios.
— Não faço ideia, mano. Mas vou descobrir. Ninguém me deixa no escuro por muito tempo. Isso não é do meu feitio.
Ele ficou em silêncio. Sabia que, quando eu tava daquele jeito, a parada era séria. O pior de tudo era que eu não sabia o que esperar. Talvez o Coelho estivesse enrolado com alguma coisa, talvez a Karina tivesse metida em alguma treta. Mas o que me incomodava era a sensação de que, seja o que for, eu ia ter que lidar com isso logo.
Passei o resto da tarde deitado, com os olhos fixos no teto da cela, ouvindo o barulho de fundo das conversas dos outros presos. Mas minha mente tava em outro lugar. Eu não era de ficar no escuro. Eu era o cara que controlava a p***a toda, mesmo de dentro dessa cela. E esse silêncio que vinha de fora só me deixava mais decidido a descobrir o que tava acontecendo.
Uma coisa era certa: eu não ia ficar parado esperando o que quer que fosse estourar na minha cara. Se algo deu errado, alguém ia pagar o preço.
Continua.....
Deixem bilhetinhos 📚