Dulce Maria
Posso dizer aqueles palavrões assustaram a todos ali presentes, mas foram as únicas palavras que me vieram à cabeça naquele momento, pois eu sabia muito bem com o que estaria lidando. Fiquei um tempo um tanto quanto razoável assimilando aquela informação, precisei até ir tomar água. Quando voltei, me sentei e logo comecei a tentar falar algo mas não conseguia, era muita informação para mim e ouvir aquilo me fez lembrar de algumas coisas e minha cabeça que já estava a mil, agora piorou. Todos me olhavam aguardando uma resposta, se eu aceitava ou não. A sala estava em silêncio, só se ouvia o barulho do relógio na parede e cadeiras se mexendo, estava ensurdecedor
Dulce - Eu aceito! - respirando fundo
Pude ouvir burburinhos de alguns ali dizendo " ainda bem", " Dulce está de volta" e sem querer olhei na direção de Christopher que olhava para mim com um sorriso no rosto. Foco Dulce, foco!
Allan Parker - Que bom que aceitou, agente Dulce!
Dulce - Obrigada, mas esquema de tráfico humano é algo bem grave e precisarei de ajuda, Parker
Allan Parker - Já pensamos em tudo isso, Christopher Uckermann será seu agente parceiro, quero vocês trabalhando juntos novamente.
Mais essa agora, ter que aguentar novamente Christopher Uckermann todos os dias ao meu lado, isso é castigo ou o que? O que fiz de errado para merecer isso? Sei que ninguém ali sabia de nada sobre o nosso passado, mas p***a, logo ele? Respirei fundo
Dulce - Ok, vamos ao que interessa, vocês já tem um plano de ação?
Parker - Ainda não, mas podemos discutir isso agora.
Dulce - Sim, podemos e vamos! Para começar quero por favor que fechem todas as rodoviárias e aeroportos e que tenham policiais a paisanas não só nas rodoviárias e aeroportos, mas também em todos os lugares públicos.
Ucker - Fechar os aeroportos e rodoviárias? Você está ficando louca Dulce Maria? Sabe quantas empresas vão quebrar por causa disso?
Dulce - Eu quero que se f**a essas empresas, estamos falando de humanos, de 4 mulheres e provavelmente milhares de outras que podem estar correndo risco de vida só para satisfazer a vontade de velhos ricos transarem.
Notei que ele negava com a cabeça e dizia para si mesmo " ela está louca" então continuei a falar
Dulce - E todos nós sabemos que eles não vão quebrar, né? A maioria dessas empresas são envolvidas em esquemas corruptos de desvio de dinheiro do governo e as poucas que não se envolvem, são milionárias, então aguentarão.
Nesse momento eu já estava de pé, andando pela sala nervosa enquanto eles continuavam a me olhar
Dulce - Vamos, se mexam! - batendo palmas
Parker - Eu vou sair, vou falar para a agente Maite enviar o pedido para o fechamento dos aeroportos e rodoviárias e solicitar o envio de policiais para todos os cantos
Dulce - Está bem, faça isso rapidamente
Parker - Farei. Seja bem vinda a FBI novamente Dulce Maria, só não esqueça de passar em minha sala para pegar o seu distintivo e a chave do seu escritório.
Ele saiu e em seguida mais alguns agentes saíram da sala também, deixando eu e Christopher sozinhos. Ele continuava sentado e me olhando sério
Ucker - Já chega querendo mandar, Dulce?
Dulce - Estamos lidando com vidas, então a resposta é sim! - ríspida
Ucker - E pelo visto o m*l humor diário veio junto
Dulce - Talvez... Ou talvez eu esteja sendo m*l humorada somente com você
Ucker - Ok, posso perguntar pelo menos se você está bem? Eu fiquei sabendo do que aconteceu e... - o interrompi
Dulce - Não, você não pode perguntar, aliás você não tem o direito de perguntar nada sobre mim.
Ucker - Quer saber? Vai a merda!
Sorri sinicamente e ele estava visivelmente nervoso, então eu me virei para a grande janela que ali havia pois não queria ficar olhando para ele e precisava pensar em um plano de investigação eu também estava visivelmente preocupada e não era pouco. Eu estava de braços cruzados e olhando o movimento dos carros quando senti ele me abraçar por trás e começar a beijar meu pescoço aquilo me levou ao céu e por alguns segundos me deixei levar, mas logo voltei a minha consciência e empurrei ele para que saísse de perto de mim
Dulce - Não ouse a tocar em mim nunca mais, entenda de uma vez por todas que nossa parceria aqui é estritamente profissional.
Eu estava quase gritando com ele de tão nervosa que eu estava
Ucker - Está bem - levantando os braços em sinal de rendimento - Qual plano você tem em mente?
Dulce - A princípio podemos ir conversar com familiares e amigos dessas 3 meninas e amanhã iremos conversar com Marichello
Ucker - Podemos ir agora se quiser, mas porque quer conversar com elas só amanhã? Da tempo de fazermos tudo hoje e quando o assunto é tráfico de humanos o tempo é nosso inimigo.
Dulce - Daria para irmos hoje, mas Marichello não está em casa - mãos na cintura
Ucker - Hum... Então vamos
Dulce - Ok - saindo - Vamos no meu carro
Não ouvi o que ele respondeu e sai andando, provavelmente havia reclamado de algo, passei na sala de Parker, peguei minhas coisas e enfim fui para o carro, Christopher já esperava encostado nele com os braços cruzados.
Ucker - Até que você conseguiu manter o seu carro intacto né?
Revirei os olhos e entrei, Christopher sempre gostou de andar no meu carro, segundo ele o Renault Kwid Outsider era o melhor carro de todos. Esperei ele entrar para partirmos para a primeira casa, que seria da Maria Eduarda, uma das vítimas. A casa era em um bairro de classe média e ficava próximo ao shopping, quase fora da cidade. Assim que chegamos fomos atendidos por uma senhora que se chamava Lourdes, era avó de Maria Eduarda.
Lourdes - Ela estava me acompanhando em minha caminhada matinal quando um cara parou ela e começaram a conversar.
Dulce - Você se recorda do que eles falaram?
Lourdes - Heim?!
Ela colocou a mão na orelha e fez uma expressão de como se não tivesse escutado então percebi que ela tinha problemas com audição. Christopher repetiu a frase falando pausadamente e fazendo sinais
Lourdes - Agora eu entendi. Mas não, não ouvi o que conversavam pois vocês podem ter percebido que tenho problemas de audição.
Ela agora fitava o chão com um semblante de tristeza e eu só imaginava o quanto estava sendo dolorido para ela sem saber notícias da neta.
Ucker - E depois aconteceu mais alguma coisa? Vocês voltaram para casa?
Lourdes - Não, nós fomos no shopping aqui perto, aquele homem falou para irmos lá.
Ucker - E vocês foram? - ela assentiu - o que foram fazer lá com ele?
Lourdes - Eu não sei direito, mas quando chegamos lá ele cumprimentou um outro rapaz que conversava com uma loira bem bonita dos olhos azuis
Olhei para Christopher que também olhou para mim imediatamente, e só pelo olhar ainda podemos nos entender, a loira do olho Azul ao que tudo indica era Anahi e a máfia estava agindo por ali.
Ucker - Você lembra como esses homens eram?
Lourdes - Um pouco... - se ajeitando no sofá - um deles era baixinho e parecia ter uma barba, o outro tinha o olho Azul ou castanho, não lembro direito, era um pouco alto e cabelo enrolado
PUTA QUE PARIU! Algumas lembranças me vieram a mente. Eu não posso acreditar, eu não quero acreditar em tudo acontecendo novamente.
Fiquei um pouco desnorteada mas continuamos a conversar mais um pouco. Saímos dali e fomos para casas de parentes e amigos que estiveram com as vítimas antes das mesmas sumirem, e pasmem: todas eram abordadas em locais públicos por homens oferecendo trabalho de modelo fora do país!
Aproveitamos e pedimos para levar o celular, computador e algumas fotos além das que já tínhamos lá.
Estávamos na última visita quando olhei para o meu celular e vi que já eram 20h da noite e eu estava tão preocupada em ir atrás de provas que não vi a hora passar.
Eu queria me matar por isso, sim, eu queria!
Dulce - Preciso ir embora
Ucker - Ok, acho que já terminamos por aqui, vamos
Nos despedimos e fomos em direção ao carro. Em um silêncio absoluto e sem trânsito nenhum chegamos na delegacia rapidamente para deixarmos tudo o que colhemos lá.
Ucker - Até amanhã, agente Dulce
Nada respondi, ele entrou no carro dele eu somente entrei no meu carro novamente e corri para a casa de Ana Paula me xingando o caminho inteiro por ter esquecido da minha filha. Minha pequena deve estar com fome com saudades de mim.
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Assim que cheguei, Ana Paula já estava de pijama e Maria dormia no sofá. Pedi milhões de desculpas pela demora e por não ter avisado
Ana Paula - Está tudo bem, você também está preocupada com a minha tia...Mas não vou negar que foi um pouco trabalhoso pois ela chamou por você o dia todo
Dulce - Tadinha da minha bebê - bico - e coitada de você também, pois sei que quando ela abre o berreiro é só Jesus né causa, ela não está acostumada a ficar sem mim, estou chateada comigo mesma e peço desc... - ela me interrompe
Ana Paula - Eu já disse que está tudo bem Dul, não se culpe e para de pedir desculpas, era chorou sim mas também nos divertimos bastante.
Eu pude ver ali um sorriso em Ana Paula, acho que ficar com a Maria pode ter feito bem para ela. Com isso me lembrei também de que não teria com quem deixar minha filha.
Dulce - Ana, não quero abusar de você, mas teria como você ficar com ela amanhã também? Não tive tempo de ir atrás de babá hoje.
Ana Paula - Eu fico sim, mas teria que ser na sua casa pois Marichello volta amanhã
Dulce - Tudo bem, vocês podem ficar lá em casa.
Ana Paula - Ok, amanhã eu vou para lá ficar com a princesa.
Caminhei até o sofá em que minha pequena estava deitada, peguei com cuidado no colo para que não acordasse e me despedi de Ana Paula
Ana Paula - Amanhã as 8h estarei na sua casa
Dulce - Obrigada mesmo, vou te pagar por isso
Ana Paula - Não precisa me pagar, você voltou para ajudar a procurar Anahi, então é o mínimo que posso fazer
Nos despedimos, coloquei Maria Paula na cadeirinha, ela ameaçou acordar mas continuou dormindo.
Eu só queria chegar em casa logo, tomar um banho, comer alguma coisa e dormir agarrada com minha menina. Então foi isso que eu fiz, ou melhor, queria fazer já que Anahi, Maria Eduarda, Andreia, Manoela e até mesmo Christopher não saiam da minha cabeça.