Christopher Uckermann
Stewart quando saiu não me viu. Entrei naquele restaurante observando muito bem o local e pensando no porque aquele advogado estar ali conversando com o meu pai. Me aproximei dele e percebi que agora ele conversava com um garçom
Ucker – Oi pai
Nesse momento ele se virou para trás e me viu ali, parado, então se levantou e me deu um abraço em forma de cumprimento
Victor – Senta meu filho – Apontando – O que você quer comer ?
Ucker – Escolhe você o prato, eu como o que você pedir pois sei que tem bom gosto para comida – sorrio levemente
Victor – Está bem – Analisando o cardápio – Vou pedir Cochinita Pibil
Ucker – Perfeito!
Cochinita Pibil é um prato mexicano feito de carne de porco, frutas cítricas e especiarias, muito bom! O garçom se aproximou para anotar os pedidos, aproveitamos também para pedirmos duas taças de vinho.
Eu ainda estava com a imagem do advogado saindo de lá em minha cabeça e quando o garçom se afastou eu não hesitei em perguntar
Ucker – Quem era aquele cara que estava falando com você?
Victor – Qual?
Ucker – Um homem de meia idade, cabelos grisalhos, estava com você um pouco antes de você entrar
Victor – Ah sim, me lembrei agora. Ele estava pedindo informações sobre uma rua próxima daqui e eu disse a ele que não tinha conhecimento.
Ucker – Hum
Olhei para os lados e avistei o garçom chegando com nosso vinho
Victor – Porque a pergunta?
Ucker – Nada não, só curiosidade. Vamos brindar?
Pegamos nossas taças e brindamos. Logo após o nosso brinde chegaram nossos pratos, que estavam estupidamente gostosos ou talvez eu somente estivesse com fome pois não havia comido muito de manhã. Conversamos mais um pouco, relembramos algumas coisas do passado e assuntos supérfluos da atualidade.
Victor – Bom, eu preciso ir meu filho, preciso resolver algumas coisas pois amanhã eu volto para Nova York
Ucker – Está bem, eu preciso também ir trabalhar
Nos levantamos, pagamos a conta e seguimos em direção a saída, nos despedindo com um abraço
Victor – Até breve
Ucker – Até, dê um beijo na mamãe por mim
Nos despedimos e eu segui para o meu carro, tendo como destino a delegacia. As imagens do advogado falando com o meu pai não saiam da minha cabeça de forma alguma, no entanto essas imagens foram tiradas da minha cabeça quando Parker mandou mensagem avisando que a avó de Maria Eduarda havia ganhado alta e estava indo em direção a delegacia para, o que ela acreditava ser, encontrar Maria Eduarda e as duas irem ao alojamento.
Respirei fundo e me concentrei em pensar sobre como falaria isso para ela, dar esse tipo de notícia não é nem um pouco fácil e eu não estou acostumado com isso.
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Assim que cheguei a delegacia fui abordado por algumas pessoas que vinham até mim perguntar sobre Dulce Maria, ela pode não ter mais família e nem muitos amigos, mas mesmo sendo um pouco autoritária e m*l humorada, Dulce é muito querida entre os poucos amigos que ela tem. Com Dulce é assim: 8 ou 80, ou você ama, ou você odeia. E eu? Acho que sou aquele que fica no meio termo ou talvez esteja a caminho do 80, não sei.
Me direcionei até o escritório, tirando o meu casaco e colocando ele na cadeira, quando de súbito Christian aparece por ali
Chris – Você foi ao hospital? Como está Dulce?
Ucker – Fui de manhã e pelo que o médico informou ela vem se recuperando bem, mas não pode fazer esforço
Chris – Que bela notícia! – Passa as mãos pelo rosto, sorridente
Ucker – Sim
Chris – Mas eu lamento acabar com a sua alegria no momento, a avó de Maria Eduarda já chegou e está aguardando na última sala
Ucker – Está bem, obrigado por me avisar
Suspirei e sem mais delongas me dirigi até a sala. Entrei e notei que ela estava sentada de costas para mim, estava com as mãos entre as pernas e ainda não havia me visto, suspirei fundo novamente e me dirigi até ela
Ucker – Boa tarde dona Lourdes, como vai?
Lourdes – Acho que agora estou bem – Sorrindo – Vim para ver minha neta e irmos para o alojamento de vocês, cadê ela?
Ucker – É sobre isso que precisamos falar, ela...- Me interrompe
Lourdes – Sei que ela deve estar vindo, mas antes olha o que eu comprei para ela
Lourdes mexia em algumas sacolas que ali estavam e tirou dali algumas roupas e sapatos. Eu de imediato coloquei as mãos no rosto, se eu já achava que seria difícil dar esse tipo de notícia, agora então piorou.
Lourdes – Você acha que ela vai gostar ? – Finaliza
Ucker – Eu acho que...- Engulo seco – Lourdes, temos que conversar muito sério
Lourdes – O que foi? Sua expressão está me assustando
Ucker – Vou contar, mas eu preciso que você tente ao menos ficar bem
Lourdes – Fala logo meu filho!
Ucker – Bom, vamos lá – Pigarriei – Nos últimos dias Maria Eduarda esteve aqui com a gente e Dulce costumava fazer companhia para ela, como você sabe as outras meninas foram para o alojamento, o mesmo alojamento que você e ela iriam antes de você ter o problema de saúde e ser hospitalizada
Lourdes – Sim, onde você quer chegar com isso? Porque está dizendo que iríamos, no passado?
Ucker – Enquanto você estava internada teve um dia que Maria Eduarda e Dulce foram até o alojamento levar algumas coisas de vocês, já para deixar tudo arrumado, mas algo saiu totalmente do controle – Ela me interrompe
Lourdes – O que saiu do controle? O que aconteceu?
Ucker – Tentaram invadir o alojamento, possivelmente eram mandantes da quadrilha de traficantes e houve um tiroteio
Lourdes – Meu Deus! – Colocando as mãos na boca – Mas minha neta está bem, não está?
Ucker – Lourdes, Maria Eduarda e Dulce foram baleadas. Não gostaria de ter que te dar esse tipo de notícia, mas... Maria Eduarda faleceu no local.
Lourdes – Isso é uma piada né? Foi uma piada pensada por Maria Eduarda para me assustar, não foi? Eu vou atrás dela
Ela se levantou indo em direção a porta e eu me levantei junto, segurei levemente em seu braço e a impedindo de sair
Ucker – Infelizmente não é uma piada, Maria Eduarda está morta
Lourdes – Eu não posso acreditar nisso meu Deus
Ela agora colocava as mãos sobre o peito e eu notava lágrimas rolando pelo seu rosto, eu senti minha garganta embargar e tentei ao máximo me segurar também.
Lourdes – Como isso foi acontecer? – Chorosa
Ucker – Aqueles malditos tentaram invadir lá
Lourdes – Eu nunca mais vou ver a minha neta, que dor que estou sentindo
Ajudei ela a se sentar novamente e como percebi que tremia bastante, eu fui até corredor buscar um copo de água. Enquanto enchia o copo eu me segurava a todo custo para não deixar nenhuma lágrima cair.
Voltei e ela agora entrelaçava os dedos e fitava o chão, lhe entreguei o copo de água que foi aceito rapidamente
Lourdes – Obrigada – Soluçando
Ucker – É o mínimo que eu posso fazer nesse momento
Peguei em suas mãos que tremiam e as segurei, eu não conseguia achar as palavras certas para dizer nesse momento tão triste
Lourdes – Onde a agente que estava com ela está internada? Ela está bem?
Ucker – Está melhorando, mas quando chegou ao hospital estava muito m*l. Ela está no hospital da polícia
Lourdes – Diga a ela que vou tentar visita – la e agradecer por ter tentado ajudar minha menina
Ucker – Direi, não se preocupe
Ela somente assentiu com a cabeça, pegou suas sacolas e saiu. Fiquei com medo de algo acontecer com ela então fui atrás. Ela queria ir embora para casa, eu a levei, era o mínimo que poderia fazer.
Chegamos a porta de sua casa mas ela insistiu para eu entrar e tomar um café, penso que ela queria evitar pensar na realidade nesse momento. Entrei e prontamente me sentei em um dos sofás enquanto ela fazia o café
Lourdes – Você é amigo de Maria Eduarda, não é?
Fiquei sem entender esse questionamento, foi quando então ela continuou a falar
Lourdes – Maria Eduarda deve ter saído, já já ela volta, vai adorar ver você
Fiquei totalmente confuso e nesse mesmo momento ela estava colocando o café na xícara, quando eu reparei que em seu braço havia uma tatuagem. Peguei em seu braço levemente para ler melhor
" Oi, meu nome é Lourdes e eu tenho Alzheimer, se me ver perdida por aí favor ligar nesse número 13 xxxxx – xxxx – Maria Eduarda, minha neta ".
Sem reação eu permaneci, terminei o café e fui embora com a promessa de voltar logo. Eu precisava conversar com Dulce, precisava contar sobre a avó de Maria Eduarda, sobre o que eu vi no restaurante, sobre o que eu sentia, tudo! Eu ia explodir se não fizesse isso.
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Não demorei a chegar no hospital, já estava noite então estava calmo e quieto. Me direcionei ao quarto antigo de Dulce na UTI e me assustei quando não vi ninguém ali, mas para a minha sorte uma enfermeira apareceu por ali e me avisou que Dulce tinha ido para um outro quarto pois já está fora de perigo, apesar de ainda ter que evitar fazer esforço.
Ela me informou qual era o quarto atual e eu fui praticamente correndo para lá.
Entrei e vi que ela já estava brigando com o controle da televisão que não queria mudar de canal
Ucker – O m*l humor voltou 100% também né? – Rindo e fechando a porta
Dulce – Oi, arruma essa bosta pra mim por favor? – Apontando o controle para mim – Não quer mudar de canal
Neguei com a cabeça e sorri, indo em direção a ela, peguei o controle e mexi nas pilhas que estavam na parte de trás
Ucker – Pronto madame, era só mexer nas pilhas
Dulce – Obrigada! Agora me conta, como estão fluindo as coisas na delegacia?
Ucker – Tenho algumas milhões de coisas a te contar bem estranhas
Dulce – Pois sente – se – Apontando para a poltrona próxima dela – E me conte
Eu me sentei e comecei a falar, não sei porque eu iniciei com o assunto sobre Beatriz, sobre eu ter mandado ela embora, já que Dulce não tinha nada a ver com isso. Depois, contei sobre o que vi no restaurante
Ucker – Lembra do advogado que te falei?
Dulce – Sim, o que tem ele? – Olhando para a tv
Ucker – Hoje eu fui almoçar com o meu pai e quando cheguei ao restaurante, esse advogado estava ao que parece se despedindo do meu pai
Dulce imediatamente olhou para mim com os olhos arregalados
Dulce – E ele te viu?
Ucker – Não, não me viu
Dulce – Você perguntou para o seu pai? Se sim, o que ele falou ? – Se ajeitando na cama
Ucker – Ele disse que não conhecia aquele cara, que estava só pedindo uma informação
Dulce – Hum...- Pensativa
Ucker – O que foi? Você acha que o meu pai está metido nisso?
Dulce – Talvez sim
Ucker – Porque ?
Dulce – Só o fato de tê- lo visto com o advogado que tentou soltar as meninas não é o suficiente para você ao menos achar é suspeito?
Ucker – Não sei – Desanimado
Dulce – Ucker – Engole seco - Tem algumas coisas que talvez você precise saber sim sobre o sua família e eu prometo te contar tudo quando eu estiver 100% recuperada
Ucker – Porque não me conta? Que tantos segredos você guarda?
Dulce – Eu juro que vou contar tudo para você, juro!
Ucker – Estou vendo que não vou ter opção além de esperar, não é?
Dulce – Confie em mim, por favor
Ucker – Está bem
Nossos olhares se cruzaram de uma forma diferente que eu não sei explicar. Dulce sempre teve um olhar marcante, mas hoje parecia estar ainda mais bonito e sua boca estava sendo uma verdadeiro convite para beijá – la
Me aproximei um pouco mais, senti meu coração acelerar e posso apostar que Dulce sentia o mesmo, estávamos tão próximos que eu já sentia sua respiração um tanto quanto acelerada. Nossos lábios já se tocavam e um beijo calmo se iniciava. Era diferente e eu não sei explicar, não era igual aos beijos ardentes que dávamos antes de t*****r, mas ambos eram ótimos na mesma medida. Aos poucos nossos línguas dançavam entre si, mas logo paramos quando ouvimos o ranger a porta
Maria Paula – Mamã