Dulce Maria
2 dias haviam se passado eu estava nesse momento colocando as bolsas no carro, havíamos decidido ir até San Miguel de Allende investigar algumas coisas e conversar com familiares das meninas que haviam sumido. Disse " havíamos decidido " pois Christopher também vai, mas claro, no carro dele.
Dulce - Ju, você trouxe tudo o que você vai precisar? Não está esquecendo nada?
Juliana - Não, está tudo certo
Dulce - Ok
Olhei mais uma vez minha bolsa e a de Maria Paula para ver se estava faltando algo, mas não estava faltando nada. Fechei o porta malas, dei a volta no carro, arrumei a bebê na cadeirinha, entramos e enfim seguimos viagem. Seriam aproximadamente 3 horas de viagem.
Aproveitei a viagem para ouvirmos música e conversar bastante com Juliana, expliquei para ela as medidas protetivas de segurança: somente sair do hotel com a minha autorização ou minha presença. Essa era uma regra que estávamos seguindo no meu apartamento também, com o adendo de que estavam proibidas também de sair na varanda.
Juliana - Pode deixar que não vamos nem sair do quarto - Se ajeitando no banco
Dulce - Assim espero! Sei que você gostaria de sair, porém nesse momento eu preciso zelar pela segurança da minha filha e até mesmo pela sua
Juliana - Porque está dizendo isso? - Engole seco, assustada
Dulce - Não posso dizer, mas temos que tomar todas as medidas protetivas
Juliana - Está bem
Ele se virou para a bebê que estava totalmente elétrica, mordendo sua boneca de borracha e querendo conversar com todo mundo
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Eram aproximadamente 18:30 quando finalmente chegamos ao hotel onde ficaremos hospedadas, conversávamos com a recepcionista a respeito do nosso quarto quando ouvi uma voz atrás de mim me chamar, aquela voz rouca inconfundível com aquele perfume maravilhoso
Dulce - Eu não acredito que você também vai ficar nesse hotel - Cerrando os olhos
Ucker - É o único da cidade
Respirei fundo e me virei para ele, estava um tremendo de um gostoso usando calça jeans, camisa social com um suéter por cima, óculos de sol e o cabelo enrolado e bem arrumadinho.
Ele sorriu para mim, veio em minha direção para falar com a recepcionista mas antes fez questão de dar um beijo no meu pescoço, me levando do inferno ao céu em questão de segundos
Ucker - Eu quero fazer o Check- in e pegar as chaves do meu quarto, por favor - falando para a recepcionista
Dulce - Não está vendo que eu estou na sua frente? m*l educado!
Recepcionista - Não tem problema, eu já estava finalizando o seu check- in Sra Dulce - Sorrindo e olhando para o computador - A reserva de vocês foi feita pelo Sr Parker, você ficará no quarto 212 que tem 1 banheiro e 3 camas de solteiro e o Sr Christopher ficará no 213 com um banheiro e uma cama de casal
Dulce - Está bem
Ela falava isso já me entregando de volta os nossos documentos. Enquanto isso eu podia ouvir Christopher conversar com ela sobre assuntos totalmente aleatórios e no fim, chamar ela pra sair
Dulce - Você não perde tempo mesmo né?
Ucker - Viemos aqui a trabalho mas se tivermos umas horinhas de diversão eu vou aproveitar
Dulce - Você é muito cachorro
Ucker - Está com ciúmes, Dulce Maria? - Me fitando
Eu nada respondi, as vezes ficar em silêncio evita muita coisa. Como haviamos trazido também alguns notebooks e pastas, pedimos a ajuda de um funcionário para que nos ajudasse a levar até nossos quartos. Estávamos dentro do elevador quando Maria Paula insistiu para vim no meu colo
Maria Paula - Mamã - Esticando os bracinhos
Arrumei as bolsas no meu ombro e a peguei antes que começasse a chorar. Enquanto eu conversava com a minha filha percebi um olhar um tanto quanto curioso de Christopher para a gente e aquilo estava me deixando sem graça. E isso seguiu - se até o momento em que estávamos nas portas de nossos quartos, o funcionário já havia ido embora e confesso que estava me incomodando
Dulce - Porque está me olhando tanto ?- Ajeitando ela no meu colo
Ucker - Nada, só que você fica ainda mais linda e mais gostosa do que já é, sendo mãe
Dulce - Você já foi melhor nas cantadas
Ucker - Então quer dizer que você gostou?
Dulce - Quer dizer que eu vou entrar para o quarto, até mais - Entrei e voltei rapidamente - Bate na porta quando estiver pronto
Não deixei que ele respondesse e entrei para o quarto junto com minha filha e Juliana porém eu não poderia demorar, eu e Christopher precisávamos ir colher mais informações e depoimentos ainda hoje. A princípio ficaremos aqui 2 dias. Como são 200 famílias e muitas testemunhas já detalhamos para a polícia local tudo o que ainda precisamos e eles vão nos ajudar a colher tudo.
Tomei um banho rápido, coloquei uma calça social preta, camisa social feminina Azul bebê com um casaco por cima, sequei meu cabelo rapidamente, passei uma maquiagem básica, nos pés calcei uma sapatilha e por fim escondi minha arma na cintura. Me sentei para brincar com Maria Paula afim também de esperar Christopher bater na porta mas já haviam passado mais de 30 minutos e nada dele aparecer
Dulce - Não é possível que ele vá se atrasar
Me levantei já irritada, deixando Juliana e Maria Paula dentro do quarto e indo em direção ao quarto de Uckermann e assim que ele atendeu vi que ele estava sem camisa, usando somente calça jeans, sapato e o cabelo estava molhado
Dulce - Christopher, estamos atrasados caramba! - Nervosa
Ucker - Desculpe eu atrasei pois meu pai me ligou. Só mais 5 minutos e eu estarei pronto
Dulce - Ok, estarei no meu quarto
Voltei para o meu quarto e quando vi já haviam se passado 10 minutos e nada do Christopher, resolvi sair novamente para chamar a atenção dele e ao abrir a porta ele estava lá
Ucker - Eu ia bater exatamente agora - rindo
Dulce - Vamos, sem papos e sem risadinhas, estamos atrasados
Fui até minha filha e me despedi rapidamente dela e de Juliana, ressaltando mais uma vez a proibição das duas de saírem. Assim que descemos e fomos ao estacionamento Christopher já estava parado em frente ao seu carro enquanto eu ainda procurava o meu
Dulce - MERDA! - Gritei
Ucker - Não está achando o seu carro?
Dulce - Não, estou brincando de esconde esconde com ele
Ucker - Olha só, não vou ficar ouvindo suas ironias, se quiser eu te dou carona, se não quiser você fica ai e atrasa tudo mais do que já estamos atrasados
Inferno, ele estava certo! Estávamos bem atrasados e a última coisa agora que eu poderia fazer era nos atrasar ainda mais procurando o carro que provavelmente eu estacionei em algum outro lugar. Bufei e entrei em seu carro.
A cidade não era muito grande então chegamos rapidamente a delegacia, onde Jackson, o delegado, já nos esperava em sua sala
Jackson - Que bom que chegaram, mas vamos deixar a conversa para depois, como vocês já haviam nos dito que precisavam de mais algumas informações e nos relatado quais seriam, já conversamos com alguns familiares e amigos - Se levanta pegando 2 pastas - E nessa pasta estão todas as informações que solicitaram com depoimentos - Apontando - E nessa outra estão os nomes e os endereços de quem ainda tem informações faltando - Apontando também - Ressalto que algumas delas são crianças
Dulce - Eu já havia notado isso, esses filhas da p**a traficam crianças também
Jackson - Sim
Ucker - Obrigado delegado, vamos sair e colher o restante das informações
Jackson - Tomara que consigamos trazer essas meninas de volta para as suas famílias e principalmente vivas
Dulce - Vamos trazer, ou não me chamo Dulce Maria! - Bati na mesa
Olhei para Christopher que sorria para mim, pegamos as pastas, dois rádios para caso precisássemos encontrar em contato com o delegado e fomos em direção ao nosso trabalho.
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A primeira pessoa que estávamos conversando era Rosélia, mãe de Tauane, uma adolescente de 13 anos que havia sumido em uma data próxima da de Anahí, Manoela, Maria Eduarda, Andreia e das demais 199 meninas e mulheres que haviam sumido
Dulce - Você se lembra com detalhes como foi que ela sumiu? Onde estavam e o horário?
Rosélia - Eu lembro que eram umas 20h, estávamos na única hamburgueria que tem no centro da cidade, aguardávamos a chegada dos nossos lanches quando ela disse que ia no banheiro. Minutos depois vimos de longe alguns caras a levarem, tentamos correr mas nada adiantou - Chorosa
Engoli em seco e olhei para Christopher de canto de olho, poderia ter acontecido a mesma coisa comigo e minha filha se ele não estivesse ali no momento certo.
Dulce - Pode nos dar algumas fotos dela?
Rosélia - Com certeza.
Ela limpou o rosto e se dirigiu até o um porta retrato que tinha ali com foto da filha, retirou a foto e nos entregou
Ucker - Obrigado, Rosélia
Dulce - Bom, por enquanto é isso, qualquer notícia que tivermos vamos avisar.
De repente eu senti Rosélia me abraçar fortemente e a voltar a chorar, suplicando para que encontrássemos a filha dela. Eu tive que me segurar muito para não chorar junto.
Dulce - Vou trazer a sua filha de volta, eu prometo!
Ela sorriu em meio a lágrimas, nos levou até a porta e nos despedimos.
Como precisávamos somente de informações para completar os depoimentos que os familiares e amigos já haviam dado, nossas visitas não estavam sendo tão demoradas, mas sim cansativas.
Dulce - Estou exausta, nossa senhora! - Me alongando
Ucker - Eu também confesso que estou cansadão
Já havíamos conversado com aproximadamente familiares e amigos de 18 vítimas, eram 22h e eu volto a dizer que estava exausta. O mais estranho de tudo isso é que a maioria dos parentes e amigos que viram a vítima sumir, disse que estava na hamburgueria ou próximo dali.
Estávamos entrando no carro para voltarmos ao hotel quando Christopher começou a falar
Ucker - O que acha de comermos algo antes de irmos para o hotel?
Dulce - Christopher não é porque estamos conversando civilizadamente que dá o direito de você me chamar para jantar, eu tenho uma filha que está trancada no hotel, sabia?
Ucker - Uma pena, pois eu acharia o máximo ir comer um lanche na única hamburgueria do centro da cidade
Captei! p***a, porque eu não havia pensado nisso? Era tudo o que precisávamos
Dulce - Já entendi, vamos!
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Chegamos a lanchonete, que por sinal estava bem cheia, nos sentamos em uma mesa enquanto Christopher passava algumas informações ao delegado pelo rádio
Christopher - Ok Jackson, fique alerta!
Ele olhou para mim e ficamos em silêncio até o garçom chegar e anotar os nossos pedidos. Eu pedi um X- tudo e Christopher pediu um X - Picanha
Ucker - Você nunca pede algo diferente do X- tudo, não é?
Dulce - Os anos passam, as comidas prediletas não - Dando de ombros
Ucker - Estou vendo mesmo, não mudou nada
Dulce - Talvez não mesmo, só me tornei mais mulher, afinal agora eu sou mãe
Terminei de falar, vi um tumulto acontecer, dois caras passaram próximo a nós com uma criança e logo atrás podíamos ouvir a mãe gritar " DEVOLVE MINHA FILHAAA ".
Dulce - É AGORA! VAMOS ATRÁS! - Gritei
Saímos correndo em direção ao carro, o carro deles também estava saindo, mas diferente de Christopher, eles saíram cantando pneu. Christopher parecia estar muito ocupado mexendo no celular ao invés de dirigir
Dulce - Christopher larga esse celular e acelera essa merda! - Nervosa
Ucker - Dulce você as vezes parece que esquece que é investigadora, você não era assim
Dulce - O que você quer dizer com isso?
Ucker - p***a, se sairmos correndo atrás deles, eles vão perceber e nosso plano vai por água abaixo, pensa um pouco c*****o! Nós como agentes temos sistema de rastreamento da polícia no nosso celular e inclusive eu já estou rastreando, vamos até lá calmamente
Novamente ele estava certo, merda! O que está acontecendo comigo? Será que fiquei burra e esqueci como um agente deve agir nesses momentos ? Encostei com tudo no banco, estava nervosa comigo mesma e principalmente com a situação
Dulce - Eu vou fazer picadinho deles
Peguei um papel qualquer que estava no porta luvas e comecei a rasgar
Ucker - c*****o Dulce você está rasgando a documentação do carro
Dulce - f**a- se, tira outra!
Ucker - Não vou discutir sobre isso, mas quem vai pagar a 2º via dos documentos será você
Dulce - Pago até a 5º se quiser, desde que chegamos logo no lugar
Eu olhava o celular de Christopher para acompanhar o rastreio enquanto ele dirigia. Durante esse tempo eu vi chegar mensagens de pelo menos umas 4 mulheres, sendo nenhuma delas Marian.
O rádio tocou avisando que a escolta já estava próxima, só aguardando o nosso aviso.
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20 minutos depois enfim chegamos, por nossa sorte era uma rua deserta, que tinha um único galpão. Eu estava tão nervosa que saí rapidamente do carro, Christopher fez o sinal para a escolta e nós estouramos o portão
Dulce - FBI! POLÍCIA! QUERO TODO MUNDO DEITADO NO CHÃO - Apontando a arma
Tinha alguns degraus de escada a nossa frente, descíamos apontando a arma para todos e a cena que eu via me cortava o coração:
Haviam pelo menos 50 crianças ali, algumas costuravam, outras embalavam, haviam crianças também deitadas em colchões em péssimos estados, e todas estavam visivelmente cansadas, desidratadas e doentes.
Tinham ali aproximadamente 4 adultos e todos estavam armados
XX - Acha que temos medo de vocês, Dulce Maria?
Dulce - Juan? - Mirando a arma pra ele
Ucker - Você conhece ele ? - Apontando a arma
Dulce - Infelizmente sim, mas outra hora eu te explico
Juan - Isso mesmo, não é hora para explicações, até porque não haverão explicações, sairão daqui mortos
Dulce - Você é um grande piadista, olha em quantos estamos
Juan - Não tenho medo
Ucker - Se eu fosse você, teria! - Apontando a arma
Notei que as crianças nos olhavam com medo e não era para menos, afinal estávamos todos armados
Dulce - CRIANÇAS SAIAM POR FAVOR! - Gritei
Juan - NÃO SAIAM, NÃO É PARA NINGUEM SAIR!
Ucker - PODEM SAIR SIM! SAIAM POR FAVOR, NÃO QUEIRAM VER O QUE VAI ACONTECER AQUI! E FIQUEM TRANQUILAS QUE LÁ FORA TEM MAIS POLICIAIS E VOCÊS ESTARÃO SALVAS - Gritando também
Alguns dos policiais que ali estavam foram até elas e as ajudaram a ir para fora, algumas não estavam em condições de andar de tão debilitada
Juan - Vocês estão pagando para ver, vou matar vocês! - Dizia nervoso
Dulce - Ver o que?
O filha da p**a virou a arma, mirou contra um dos policiais que ali estavam e atirou. Inferno!
Olhei para Christopher, que olhou para mim também fazendo sim com a cabeça. Eu olhei para os policiais que estavam próximos fazendo um sinal para eles também
Dulce- Acho que quem vai morrer são vocês, bye
Mirei em sua cabeça e atirei.
Mais alguns tiros foram disparados e todos, digo todos foram neles. Estavam mortos
Dulce - Conseguimos!
Sem perceber e ao me deixar levar pela emoção eu abracei Christopher fortemente e comecei a chorar compulsivamente, era um misto de alegria e alívio por ter salvo aquelas crianças mas também por tristeza em imaginar tudo o que Anahí pode estar passando.