Capítulo 35

1271 Words
July: Após falar com Murilo, corri para fora, em busca de Cristine, que me esperava ansiosamente. Ao vê-la, me aproximei rapidamente, ainda sentindo uma mistura de alívio e confusão. — O Túlio entrou, não te viu, fica tranquila — Cristine me assegurou, e eu suspirei aliviada. Mesmo sem ter feito nada de errado, a sensação de culpa era estranhamente forte. — E aí, rolou alguma coisa? Aproveitaram que eu não estava lá para atrapalhar? Ele beija bem? — Cristine indagou, seus olhos brilhando de curiosidade e um sorriso travesso nos lábios. — Claro que não, Cristine! — Respondi, incrédula com sua insinuação, mas não pude evitar um sorriso. — Ele só queria pedir desculpas pelo que aconteceu aqui fora. Agora está tudo resolvido entre a gente. — Car@lho, July! Fiquei aqui de vigia pra você me dizer isso? Pensei que estivessem lá dentro se pegando, e você me vem com essa desilusão. Que decepção, amiga! — Cristine falou, fingindo desapontamento, e eu não pude conter o riso. — Você é hilária, Cristine! Eu ainda tenho namorado, lembra? E o Murilo é amigo do Túlio — respondi, ainda rindo, mas com um toque de seriedade. Cristine me olhou com um sorriso m@licioso, balançando a cabeça. — Só você mesmo, July. Perdendo uma chance dessas com um gato como o Murilo. — Você é maluc@ — afirmei, com um tom de diversão. — Ele é meu amigo, e agora estou em paz — havia uma leveza nas minhas palavras, uma tentativa de manter a conversa leve. — Você sabia que amigos também podem se pegar? — Ela me lançou um olhar travesso, seus olhos brilhando. — E vou te dizer, é ainda mais g0stoso — ela deu uma risadinha. — Desde que ambos desejem e sejam solteiros para fazer isso, pode ser que sim, pode ser que seja ótimo, mas esse não é o meu caso — eu tentava manter a seriedade, mas um sorriso escapava pelos cantos da minha boca. — Então agora você só precisa dar um fora no seu namorado ridículo, porque a fim de você o Murilo já está, e você também está bem gamada na dele. Então bora agilizar isso e aproveitar, tenho certeza que vai ser fogo vocês dois, aquele lá, sim, vai te fazer desejar ter sua primeira vez — Cristine falava com uma convicção que só o álcool podia proporcionar, seus gestos largos e expressivos. — Cristine! Deixa de ser louc@ e para de falar besteir@ — a puxei pelo braço, trazendo-a para perto, tentando contê-la. — Chega dessa conversa, acho que o álcool subiu na tua mente com força — ela gargalhou, um som alegre e contagiante. — Eu te amo July, te amo muito, mas você precisa pegar logo ele, aquele homem quer muito você. Vamos lá amiga, você precisa beijar aquela boquinha linda, precisa me contar como é a pegada daquele g0stoso — ela falava com um entusiasmo tão genuíno, que era impossível não rir, apesar do absurdo das suas palavras. — Você não tem jeito mesmo, isso não vai rolar, esquece — eu abracei ela, um gesto carinhoso, tentando transmitir segurança. — Está passando m@l, Cristine? — A voz de Murilo surgiu de repente, nos fazendo virar. Ele estava ali, com um sorriso amigável e um olhar preocupado. — Não, ela está bem, ainda não começou a me dar trabalho, né amiga? — Questionei divertida, enquanto Cristine concordava com um aceno de cabeça. — Realmente hoje eu estou me comportando muito bem, mas me fala aqui, Murilo, se eu começar a dar trabalho para a July, você pode ajudar ela a me levar embora? Aí você aproveita o embalo, leva ela para casa e a coloca para dormir? Mas tem que ser de conchinha — as palavras de Cristine saíram antes que eu pudesse impedi-la. Eu a belisquei na cintura, tentando silenciá-la, mas ela apenas gritou. — Ela tá brincando — eu disse, rindo para Murilo, tentando amenizar a situação. — Ai July, isso doeu — Cristine fez uma careta, fingindo dor. — Eu adoraria fazer isso, Cristine — ele disse, olhando para mim com um sorriso que me fez perder o fôlego por um segundo. — Adoraria poder ajudar, então se precisar é só me chamar. — Adoraria me levar embora ou colocar a July para dormir? — Cristine continuou, ignorando meu olhar repreensivo. — Cristine! Ficou doid@? — Eu estava brava agora, mas Murilo apenas riu, achando graça da situação. — Não considere, por favor, o álcool já começou a bagunçar o raciocínio dela — me desculpei, tentando disfarçar minha própria agitação. — Fica tranquila July, se precisar de ajuda me fala — Murilo disse com simpatia, começando a se afastar. — Você não pode falar essas coisas, Cristine — eu disse, um tom sério tingindo minhas palavras. — O que ele vai pensar de mim? — Meu coração batia rápido, preocupada com a impressão que Murilo poderia ter. — July, ele sabe que eu estou brincando — Cristine tentou me tranquilizar, mas seu sorriso não alcançava os olhos, sinalizando que ela entendia a gravidade da situação. — Não, amiga, você não pode fazer isso. É sério, por favor não faça novamente. Ele pode pensar que é sério — minha voz era firme, quase implorando. Cristine me olhou, a preocupação agora clara em seu olhar, e segurou minhas mãos com delicadeza. — July, me desculpe, eu não fiz por m*l. É que olhar vocês dois juntos agora, me faz ver o quanto vocês têm tudo a ver um com o outro. Mas eu não quero de jeito nenhum te prejudicar, não falei isso para te deixar constrangida — seus olhos brilhavam com um arrependimento sincero. — Eu sei, amiga, está tudo bem, mas não faça mais isso — minhas palavras eram suaves, tentando aliviar a tensão entre nós. — Não vou mais fazer, é sério amiga, me desculpe — ela me abraçou, um gesto que selava sua promessa, e juntas caminhamos até a cozinha. Lá, Murilo, Túlio e Marcelo conversavam animadamente sobre futebol. Marcelo nos ofereceu uma bebida, que aceitamos, e Túlio, com um movimento rápido, pegou minha mão e me puxou para perto dele. Eu não pude evitar, meus olhos procuraram os de Murilo, que, surpreendentemente, fizeram o mesmo. — O Marcelo disse que hoje só vamos sair daqui se estivermos bem bêbados — Túlio comentou, com um sorriso malicioso. — Então a Cristine já está liberada — afirmei. Túlio repousou a cabeça em meu ombro e olhou para Cristine, que fez uma careta engraçada em minha direção. — E você? Quando vai ficar bêbada? — Túlio perguntou, um brilho de travessura nos olhos. — Para ser bem sincera, eu não me dou muito bem com bebidas, então acredito que não vai demorar — tentei manter o tom leve. — Isso é um bom sinal — Túlio disse, lançando um olhar cúmplice para Marcelo e Murilo. Eu segui seu olhar, encontrando o de Murilo, que rapidamente se desviou, tomando um longo gole de sua cerveja. — Por que um bom sinal? — Perguntei, a curiosidade pulsando em minha mente. — Nada de mais — Túlio respondeu, sua voz tranquila, mas seus olhos dançavam com um segredo não revelado. — Então por que está todo entusiasmado? — Insisti, sentindo uma estranha mistura de curiosidade e apreensão. — Por nada, meu amor. Vamos lá para fora, aqui está quente — ele chamou, com uma calma que não correspondia à agitação em seus olhos, me guiando para fora, enquanto segurava minha mão. Ao passar por Murilo, nossos olhares se encontraram mais uma vez, um silêncio expressivo preenchendo o espaço entre nós.
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