Depois daquele dia que eu liguei para Isaac eu não consigo nem dormir, estou indo de m*l* a pior no curso, até desisti dele e olha que era uma coisa que queria muito fazer, mas não consigo me concentrar, minha vida está um caos, sem contar que ele não mandou uma mensagem depois daquilo.
— Liz? — Colin aparece na porta do meu quarto.
— Oi?
— Mamãe mandou te chamar para tomar café.
— Estou sem fome, obrigada.
Ele entra.
— Você não jantou ontem, não está comendo direito, o que aconteceu?
— Nada Colin.
— Olha Liz, eu não sou o melhor irmão, mas estou preocupado, você está doente? — Ele se senta na beirada da minha cama e eu estranho ver Colin todo preocupado comigo.
— O que você está querendo Colin?
— Deixa de ser chata Liz, só estou preocupado.
— Não estou doente.
— É por causa do Isaac?
— Quem te falou isso?
Ele começa rir.
— Ninguém tinha me falado, mas você me confirmou agora.
— Eu gosto dele... — Confesso baixinho.
Não sei por qual motivo eu estou me abrindo com ele, mas preciso desabafar.
— Agora conta uma novidade?
— Está tão na cara assim?
— Sempre esteve.
— Só me dei conta agora, tarde demais...
— Porque tarde demais?
— Ele está morando na Alemanha e eu acho que já tem outra pessoa.
— Já conversou com ele?
— Não.
— Então não pode tirar conclusões precipitadas, converse com ele.
— Você tem razão, vou ligar para ele.
— Eu sempre tenho razão — Abre um sorrisinho debochado — Mas eu não estou falando de ligar e sim de ir até lá, conversar pessoalmente, resolver as coisas.
— Não sei se ir lá seria uma boa ideia.
— Você só vai saber se ir até lá.
Ele se levanta e começa a sair do quarto.
— Obrigada Colin.
— Não me agradeça bastarda.
Arremesso um travesseiro na sua direção e ele sai do quarto rindo.
Apesar de alguns desentendimentos (coisa de irmãos), eu amo meu irmão, amo muito e ele tem razão, eu preciso ir lá, conversar com Isaac, olhar em seus olhos e saber o que vai ser de nós dois daqui para frente e se ainda existe nós dois.
Saio do quarto e vou atrás do meu pai, bato na porta do quarto e minha mãe avisa que posso entrar.
— Está tudo bem filha? — Ela pergunta assim que eu entro.
— Sim mãe.
— Seu irmão disse que você não ia descer para tomar café.
— E não vou, meu pai já saiu?
— Ainda não.
— Vou procurá-lo então — Me viro e dou de cara com ele.
— Me procurando, filha?
— Sim pai, preciso da sua ajuda.
— Se estiver ao meu alcance.
— Pai eu preciso, eu preciso muito ir ver o Isaac, o senhor consegue isso? Uma passagem para hoje? — Falo tudo tão rápido que eu mesma m*l* posso compreender o que estou dizendo.
Meu pai e minha mãe me olham confusos.
— Calma filha, vamos lá... Você quer ir para a Alemanha hoje?
— Isso.
— Aconteceu alguma coisa com o Isaac?
— Aconteceu comigo.
— Com você? — Dessa vez é minha mãe que fala sem entender nada.
— Depois eu explico tudo.
— Não, você vai explicar agora e aí sim a gente conversa sobre você ir até ele.
Respiro fundo, não vou ter outra saída, meu pai só vai me ajudar depois que eu contar tudo... ou quase tudo.
— Eu e Isaac sempre fomos amigos, mas antes de ele ir embora para a Alemanha acabamos ficando — Meu pai arregala os olhos — Ele se declarou, eu estava confusa, na minha cabeça eu o amava apenas como meu melhor amigo, mas eu estava enganada, muito enganada.
— E aí você descobriu que o amava de outra forma? — Minha mãe pergunta com um sorriso singelo no rosto.
— Sim mãe, eu o amo, eu o amo muito e não posso perdê-lo... Por favor pai, me ajuda — Suplico.
— Arruma suas coisas, vamos sair daqui uma hora.
— Uma hora? — Praticamente grito animada — Obrigada pai, eu te amo, te amo muito — O abraço forte e dou muitos beijos em suas bochechas.
— Vou ligar para o Ítalo e pedir o jato emprestado.
Saiu correndo para arrumar minhas coisas, arrumo tudo, tomo um banho, me arrumo e desço com minhas coisas.
— Vamos filha?
— Você também vai? — Pergunto ao meu pai.
— Mais é claro, não sei qual vai ser o rumo dessa conversa, jamais te deixaria sozinha lá.
Sorrio. Meu pai é sensacional!
— Tchau filha, qualquer coisa liga para a mamãe e cuida do seu pai, tá bom?
— Tá bom mãe, te amo!
— Também te amo. Seja feliz!
É tudo que eu desejo mamãe, ser feliz, ser feliz ao lado do homem que eu amo e sempre amei.
Viajo com um frio enorme na barriga, não sei o que vai acontecer, mas tudo que eu quero é poder dizer tudo que eu realmente sinto, olhando em seus olhos, mesmo que esse seja nosso fim para sempre.
Durante a viagem eu converso com meu pai, conto melhor sobre eu e Isaac e ele parece compreender.
— Eu deveria quebrar a cara daquele moleque.
— Papai... Eu não tenho mais quinze anos.
— Infelizmente minha filha, é difícil aceitar que você já é uma linda mulher — Acaricia minha bochecha.
— O Isaac é um homem bom.
— Sim minha filha, ele é. E sempre foi apaixonado por você, sempre.
— Você sabia?
— Era visível, desde pequeno.
— Eu que fui uma boba mesmo, ele não está errado em ter ido embora.
— Não, não está.
— Papai — O repreendo — Você está de qual lado? — Brinco.
— Você quer que eu fale como pai ou como homem?
— Como pai você vai ficar do meu lado mesmo eu estando errada? — Ele concorda — Então fale como homem — Peço.
— Eu também iria para longe. Ele se declarou, você não retribuiu, acho que seria muito doloroso para ele continuar aqui, então a melhor coisa foi se afastar.
— Verdade. Espero que ele não tenha me esquecido.
— Não tem como te esquecer princesa.
Abraço papai e passo a viagem toda assim, agarradinha com ele.