Capítulo 8 - Liz

1070 Words
Depois daquele dia que eu liguei para Isaac eu não consigo nem dormir, estou indo de m*l* a pior no curso, até desisti dele e olha que era uma coisa que queria muito fazer, mas não consigo me concentrar, minha vida está um caos, sem contar que ele não mandou uma mensagem depois daquilo. — Liz? — Colin aparece na porta do meu quarto. — Oi? — Mamãe mandou te chamar para tomar café. — Estou sem fome, obrigada. Ele entra. — Você não jantou ontem, não está comendo direito, o que aconteceu? — Nada Colin. — Olha Liz, eu não sou o melhor irmão, mas estou preocupado, você está doente? — Ele se senta na beirada da minha cama e eu estranho ver Colin todo preocupado comigo. — O que você está querendo Colin? — Deixa de ser chata Liz, só estou preocupado. — Não estou doente. — É por causa do Isaac? — Quem te falou isso? Ele começa rir. — Ninguém tinha me falado, mas você me confirmou agora. — Eu gosto dele... — Confesso baixinho. Não sei por qual motivo eu estou me abrindo com ele, mas preciso desabafar. — Agora conta uma novidade? — Está tão na cara assim? — Sempre esteve. — Só me dei conta agora, tarde demais... — Porque tarde demais? — Ele está morando na Alemanha e eu acho que já tem outra pessoa. — Já conversou com ele? — Não. — Então não pode tirar conclusões precipitadas, converse com ele. — Você tem razão, vou ligar para ele. — Eu sempre tenho razão — Abre um sorrisinho debochado — Mas eu não estou falando de ligar e sim de ir até lá, conversar pessoalmente, resolver as coisas. — Não sei se ir lá seria uma boa ideia. — Você só vai saber se ir até lá. Ele se levanta e começa a sair do quarto. — Obrigada Colin. — Não me agradeça bastarda. Arremesso um travesseiro na sua direção e ele sai do quarto rindo. Apesar de alguns desentendimentos (coisa de irmãos), eu amo meu irmão, amo muito e ele tem razão, eu preciso ir lá, conversar com Isaac, olhar em seus olhos e saber o que vai ser de nós dois daqui para frente e se ainda existe nós dois. Saio do quarto e vou atrás do meu pai, bato na porta do quarto e minha mãe avisa que posso entrar. — Está tudo bem filha? — Ela pergunta assim que eu entro. — Sim mãe. — Seu irmão disse que você não ia descer para tomar café. — E não vou, meu pai já saiu? — Ainda não. — Vou procurá-lo então — Me viro e dou de cara com ele. — Me procurando, filha? — Sim pai, preciso da sua ajuda. — Se estiver ao meu alcance. — Pai eu preciso, eu preciso muito ir ver o Isaac, o senhor consegue isso? Uma passagem para hoje? — Falo tudo tão rápido que eu mesma m*l* posso compreender o que estou dizendo. Meu pai e minha mãe me olham confusos. — Calma filha, vamos lá... Você quer ir para a Alemanha hoje? — Isso. — Aconteceu alguma coisa com o Isaac? — Aconteceu comigo. — Com você? — Dessa vez é minha mãe que fala sem entender nada. — Depois eu explico tudo. — Não, você vai explicar agora e aí sim a gente conversa sobre você ir até ele. Respiro fundo, não vou ter outra saída, meu pai só vai me ajudar depois que eu contar tudo... ou quase tudo. — Eu e Isaac sempre fomos amigos, mas antes de ele ir embora para a Alemanha acabamos ficando — Meu pai arregala os olhos — Ele se declarou, eu estava confusa, na minha cabeça eu o amava apenas como meu melhor amigo, mas eu estava enganada, muito enganada. — E aí você descobriu que o amava de outra forma? — Minha mãe pergunta com um sorriso singelo no rosto. — Sim mãe, eu o amo, eu o amo muito e não posso perdê-lo... Por favor pai, me ajuda — Suplico. — Arruma suas coisas, vamos sair daqui uma hora. — Uma hora? — Praticamente grito animada — Obrigada pai, eu te amo, te amo muito — O abraço forte e dou muitos beijos em suas bochechas. — Vou ligar para o Ítalo e pedir o jato emprestado. Saiu correndo para arrumar minhas coisas, arrumo tudo, tomo um banho, me arrumo e desço com minhas coisas. — Vamos filha? — Você também vai? — Pergunto ao meu pai. — Mais é claro, não sei qual vai ser o rumo dessa conversa, jamais te deixaria sozinha lá. Sorrio. Meu pai é sensacional! — Tchau filha, qualquer coisa liga para a mamãe e cuida do seu pai, tá bom? — Tá bom mãe, te amo! — Também te amo. Seja feliz! É tudo que eu desejo mamãe, ser feliz, ser feliz ao lado do homem que eu amo e sempre amei. Viajo com um frio enorme na barriga, não sei o que vai acontecer, mas tudo que eu quero é poder dizer tudo que eu realmente sinto, olhando em seus olhos, mesmo que esse seja nosso fim para sempre. Durante a viagem eu converso com meu pai, conto melhor sobre eu e Isaac e ele parece compreender. — Eu deveria quebrar a cara daquele moleque. — Papai... Eu não tenho mais quinze anos. — Infelizmente minha filha, é difícil aceitar que você já é uma linda mulher — Acaricia minha bochecha. — O Isaac é um homem bom. — Sim minha filha, ele é. E sempre foi apaixonado por você, sempre. — Você sabia? — Era visível, desde pequeno. — Eu que fui uma boba mesmo, ele não está errado em ter ido embora. — Não, não está. — Papai — O repreendo — Você está de qual lado? — Brinco. — Você quer que eu fale como pai ou como homem? — Como pai você vai ficar do meu lado mesmo eu estando errada? — Ele concorda — Então fale como homem — Peço. — Eu também iria para longe. Ele se declarou, você não retribuiu, acho que seria muito doloroso para ele continuar aqui, então a melhor coisa foi se afastar. — Verdade. Espero que ele não tenha me esquecido. — Não tem como te esquecer princesa. Abraço papai e passo a viagem toda assim, agarradinha com ele.
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