Noah não parou mais. As páginas viravam quase sozinhas, como se o livro tivesse decidido o ritmo por ele. Não havia mais pausas para respirar, nem goles de uísque. Só leitura. Só queda. Até que o texto mudou de temperatura. Ele sentiu antes de entender. O baile. Reconheceu pela primeira linha. O ginásio estava enfeitado demais, luzes demais para alguém que queria desaparecer. O vestido verde era simples, mas eu tinha escolhido com cuidado. Verde porque ele disse uma vez que combinava comigo. Eu fiquei no canto, como sempre. Noah fechou os olhos por um segundo. Abriu de novo. Continuou. Quando o garoto se aproximou, eu achei estranho. Ele sorriu, perguntou meu nome. Antes que eu respondesse, ouvi a voz que eu conhecia melhor do que a minha própria. — Ei cara, cuidado. Vai que as

