Carolina Smith
Depois de uma manhã cheia de compras e passeios, caminhamos pelas ruas, aproveitando o charme de Paris e rindo das nossas próprias piadas. O calor estava leve, e o clima perfeito para um almoço em um dos muitos bistrôs da cidade. Jenifer me levou a um restaurante bem famoso, daqueles que tem sempre uma fila de espera e onde as pessoas fazem questão de ser vistas, mas com um toque despretensioso que a tornava ainda mais especial.
Quando entramos, o lugar estava elegante e cheio de energia. Jenifer falou animadamente sobre o menu, enquanto eu olhava ao redor, maravilhada. O ambiente era moderno, mas com aquele charme parisiense clássico, e as mesas de fora eram perfeitas para o tipo de dia que estávamos tendo. Foi então que, ao passar pelo salão principal, eu reconheci uma silhueta familiar — Louis.
Ele estava em uma mesa no canto, bem no centro do restaurante, com um homem ao seu lado, e um sorriso genuíno no rosto, parecia bem próximo do homem que estava com ele, e ele estava tão imerso em sua conversa com o homem à sua frente, que não notou minha presença.
Jenifer, com seu jeito espontâneo, parecia completamente à vontade. Quando ela viu o homem que estava com Louis, seus olhos brilharam.
— Ah, aquele ali é Ryan, amigo de longa data — disse ela, apontando para o homem ao lado de Louis, que era tão bem-vestido quanto ele. Ryan era um homem com um sorriso irreverente e parecia muito à vontade, conversando com Louis com a mesma naturalidade com que cumprimentaria um velho amigo.
Jenifer seguiu rapidamente e foi cumprimentá-los, e eu, um pouco desconcertada, a segui com um sorriso tímido. Ryan, ao perceber nossa aproximação, olhou para Jenifer com um sorriso largo.
— Jen! Não acredito que você está aqui! — ele exclamou, levantando-se para abraçá-la.
Eu, sem saber exatamente o que fazer, sorri timidamente e cumprimentei os dois. Louis, por outro lado, me olhou de forma desconcertante, como se me visse de uma maneira completamente nova, os olhos passando de minha cabeça até os pés de uma forma que me fez sentir um frio súbito na espinha. Ele sorriu e fiz o mesmo.
Depois de cumprimentar eles, Jenifer me puxou para uma mesa do lado de fora, na área de um jardim encantador que dava para a rua. As cadeiras eram confortáveis, e o ambiente tinha uma vibe tranquila, quase mágica.
Sentadas, Jenifer parecia não notar o desconforto que eu estava tentando disfarçar. Ela estava tão animada para contar suas últimas aventuras de trabalho que m*l percebi o tempo passar. Só quando ela fez uma pausa na conversa, eu me senti à vontade para contar o que aconteceu no dia do evento.
— Jen, você não vai acreditar… Você sabe aquele homem que estava com seu amigo?
— Claro! Louis Beaumont, um homem famosíssimo aqui em Paris. O que tem ele? — perguntou curiosa.
— Ontem eu trabalhei em um evento em que ele estava e em um momento de distração, acabamos nos esbarrando e por pouco eu não caí, minha sorte foi que alguém me segurou… — comecei, tentando resumir a situação que ainda me deixava um pouco envergonhada.
Jenifer me olhou, curiosa.
— Como assim? E quem foi que te segurou? — ela perguntou, com um sorriso travesso no rosto.
Eu engoli em seco antes de responder.
— O… o Louis. Foi ele quem me segurou.
Jenifer arregalou os olhos.
— Não! Você está brincando! Isso parece até coisa de comédia romântica! — ela exclamou, rindo alto. — Quer dizer, sério, vocês se trombaram, e ele foi o cavaleiro galante que te segurou para não cair? Como um filme de Hollywood?
Eu ri, um pouco envergonhada, mas a verdade é que, mesmo que tivesse sido uma situação desconfortável, o jeito como ele me segurou ficou gravado na minha mente. Algo sobre o modo como ele olhou para mim, com aqueles olhos tão intensos, parecia mais… significativo do que eu gostaria de admitir.
— Pois é, foi bem isso — respondi, tentando manter a leveza, embora eu não conseguisse parar de pensar no jeito como ele me olhou depois disso.
Jenifer sorriu para mim, com um brilho maroto nos olhos.
— Eu tenho que admitir, isso tem um toque de romance da velha escola — disse ela. — Vai que ele começa a te olhar de uma maneira diferente a partir de agora?
Eu ri da brincadeira dela.
— Até parece que eu vou ver ele novamente pra que ele possa me olhar diferente — digo rindo e ela arqueia a sobrancelha.
— Você acabou de ver ele, garota! O destino é coisa louca!
No fundo ela estava certa. Mas eu sabia que isso era irreal demais para pessoas como eu.
Em pouco tempo um garçom veio até nós e fizemos nossos pedidos. Enquanto os pedidos não chegavam, ficamos conversando sobre os acontecimentos recentes de nossas vidas.
— E como vai sua vida amorosa? — perguntei curiosa, enquanto dava um gole em minha água.
— Péssima! Nunca dei muita sorte para homens! Mas, já me adaptei a ideia de ter apenas sex0 casual!
Ri do seu conformismo. Não consigo imaginar Jenifer sendo negada para alguma coisa. Ela é extremamente atraente, alta, magra, cabelos cumpridos castanhos, diria que tem o corpo de uma modelo, talvez se não fosse para área do marketing, daria para ser uma ótima modelo.
— E você? Algum pretendente? — perguntou curiosa.
— Estava namorando antes de vir para cá, mas ele acabou terminando comigo — disse e vejo sua cara de surpresa.
— Ele não sabe o que está perdendo!!
— Na verdade… acho que o relacionamento não estava mais funcionando, então não julgo ele — comentei e ela assentiu.
Nossos pedidos chegaram e começamos a comer. Com certeza a culinária era um forte em Paris, não havia um lugar se quer que eu tenha ido e que a comida não fosse boa.
Enquanto comemos, vi duas figuras se aproximare. Ryan e Louis, Louis estava mais afastado, conversando no celular, enquanto Ryan se aproximou da nossa mesa.
— Estou indo, garotas! Bom te ver, Jen! E um prazer conhecer você, Carolina — ele diz e dou um sorriso simpático. — Inclusive amanhã darei uma festa, caso estejam interessadas, estão convidadas para ir.
— Claro! Você sabe que não perco uma! — Jenifer diz animada — O que acha, amiga?
— Por mim tudo bem — respondi sorrindo.
— Ótimo, vou mandar o convite para Jenifer, nele contém o endereço — Ele diz sorrindo e se despede com um aceno, se afastando de nós e entrando no carro com Louis.
Ele parecia estressado enquanto falava no celular, o carro aos poucos se afastou de nós e voltei minha atenção para Jenifer, que estava olhando o celular com um sorriso no rosto. Ela parecia empolgada com o convite de Ryan, e logo pude entender o motivo. Ela me mostrou a tela, onde a mensagem dizia:
“Festa na piscina amanhã à noite. Vai ser um luau com música boa, comida e, claro, ótimas companhias. Estilo de vestimenta: descontraído, mas elegante. Hora: 19h, não faltem!”
Jenifer fez uma expressão animada e olhou para mim, os olhos brilhando com entusiasmo.
— Vai ser perfeito para a gente curtir mais juntas, relembrando os velhos tempos. Eu já estou pensando no que vou vestir — ela disse, com um sorriso de orelha a orelha.
Eu sorri de volta, sentindo uma leve ansiedade crescer dentro de mim. Não era como se eu fosse uma frequentadora de festas, especialmente desse tipo, mas a ideia de estar em um evento à beira da piscina, com uma música legal e um clima mais relaxado, me parecia tentadora. Além disso, com Jenifer ao meu lado, parecia que seria difícil não me divertir. Eu queria aproveitar ao máximo a oportunidade de estar em Paris e conhecer mais sobre a cidade, as pessoas, e quem sabe, até me soltar um pouco mais.
— Hmm, acho que vou precisar de um bom vestido para essa ocasião — falei, tentando esconder um pouco da minha insegurança. — Você tem alguma sugestão do que eu poderia usar? Não faço ideia do que vestir.
Jenifer riu, colocando o celular de volta na bolsa.
— Claro que sim! Vamos dar uma passada nas lojas depois do almoço e te ajudar a escolher algo incrível. Vai ser como nos velhos tempos, só que em Paris! — ela respondeu, e parecia tão animada que acabei me contagiando com sua energia.
Eu dei um sorriso tímido, tentando afastar a sensação de nervosismo que estava começando a crescer. Não sabia se estava pronta para ver Louis novamente, ainda mais em um evento desse tipo, mas a ideia de estar com Jenifer e talvez conhecer mais pessoas me deixou curiosa.
— Ok, então — concordei. — Vamos fazer isso.
Eu respirei fundo, pensando que talvez fosse um bom momento para dar uma chance a algo novo. Afinal, Paris era sobre se reinventar, não é?
Enquanto continuávamos a conversar sobre os planos para o resto da tarde e a festa, meu olhar se perdeu por um momento em direção à rua, como se esperasse ver algo ou alguém. Mas logo me lembrei que ainda tínhamos o dia todo pela frente, e que, talvez, a noite na piscina fosse uma forma de dar uma virada no meu próprio ritmo.