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1252 Words
"Se um dia uma brisa leve e suave tocar seu rosto, não tenha medo, é apenas minha saudade que te beija em silêncio." (...) Chegamos em casa um tempo depois do cinema. Nós ainda paramos em algumas barracas do lado de fora, comer alguma coisa porque eu estava morrendo de fome. A sensação de vazio ainda continua  em mim. Não sei, mas... É como se eu tivesse esquecido de algo muito importante, e seja lá como eu fui parar fora do cinema, tem a ver com isso. - Boa noite. - Bruno falou e nos deixou na porta de casa - Vocês são excelentes companhias. Tomara que possamos sair outra vez para nos divertir. - Falou exclusivamente olhando em meus olhos. Fiquei sem graça fitando o chão enquanto era encarada. - Concordo. - Olivia disse sem deixar escondido seu sorriso, que podemos dizer, um sorriso s****o. - Tome cuidado com seus amigos - Falou Bruno. Soou mais como uma indireta pra mim. - Boa noite. Ele saiu de nossa vista e entrei em casa furiosa. - Eu não queria ir Livia. - Me joguei no sofá - E que história é essa de ficar de papinho com ele? Você tem namorado... - Santo Deus Mari, ele é um amigo... - Acho que não. Estavam quase se pegando em minha frente aqui e no cinema. - Olha não vou discutir. E além do mais, eu e Renan estamos quase terminando. Ele com essa crise de ciúmes não me deixa mais escolha. - Ciúmes com razão minha filha - Revirei os olhos e me levantei, caminhando até a cozinha - Talvez você devesse... Dar uma pausa... - Como é? - Ela perguntou pasma. - Nem vem com essa de como é. Você namorou três vezes seguidas em seis meses Livia! Acho que deva parar um po... - Melhor do que não ter ninguém... - Falou baixinho. Olhei pra ela sem acreditar que tinha escutado isso. - Eu sou sua amiga. Estou falando para o seu bem. Agora, eu não tenho ninguém porque não quero, sei me virar muito bem sozinha - Falei emburrada, bebendo um copo de água para ter paz em meu quarto logo depois. - Aposto que o George nesse momento estaria falando o mesmo que eu... Ela disse isso fazendo o meu peito inflar. Deixei o copo cair de minha mão na pia. Fitei o chão e fechei os olhos com força, repreendendo meus pensamentos e dores mais profundos ao escutar esse nome. Me virei para ela já com os olhos marejados. - Como você ousa falar o nome dele? O que deu em você Olivia? Não deveria estar citando nomes de mortos assim. Ela me olhou e deu de ombros. Tem algo errado e eu sei disso, só não entendo o que é. - Olha eu vou subir. Perdi todas as vontades de fazer o que eu queria aqui. Falei a deixando me observar enquanto subia para o meu quarto correndo. Abri as gavetas anfurecida a procura da minha foto tão preciosa. Ela tem que estar aqui, onde mais eu esconderia? Abri todas as caixas que encontrei pela frente, mas não achei. As fotos antigas de quando eu era criança estavam todas no álbum de fotografia, mas não a que eu quero realmente. Me sentei na cama entristecida, sem saber mais onde procurar. Como foi que sumiu assim? Limpei algumas lágrimas que desciam de meus olhos ao pensar no meu irmão gêmeo e na minha família.  Aquela foi a pior noite da minha vida... a noite que eu virei órfã. Eu não me lembro de nada do que aconteceu, mas foi nessa noite em que perdi o meu irmão e meus pais. Na verdade, eu nao me lembro nem de como eles três eram no geral. Quando tento pensar nos seus rostos, uma nuvem n***a aparece tapando os meus pensamentos. Acordei do tranze ao ouvir um barulho no banheiro. Olhei para o lado e vi a porta aberta, com minha blusa no chão, estranho. Eu tinha deixado a porta fechada ao sair de casa. Levantei e fui até o banheiro ver o que era, mas não reparei em nada diferente do normal. Aproveitei para lavar o meu rosto com a água da pia pra tentar esquecer outra vez essa história e seguir em frente. Peguei o pano ao lado e enxerguei meu rosto, respirando fundo e prendendo a respiração um pouco nos pulmões. Isso sempre me dá um pouco de relaxamento. - Cansada? Virei pra trás em um ato de susto. Um homem estava parado na minha frente. - Quem é você? Como entrou aqui? - A pregunta não é essa. - O homem na minha frente respondeu. Sem blusa e apenas com uma calça preta colada, ele carregava um sorriso no rosto, junto com olhos de dar medo. Como ele entrou aqui? É um ladrão? Meu coração disparou no peito ao ver que não tenho saída alguma. - Saia do meu quarto agora. - Apontei para a porta do banheiro. - Não. - Falou cruzando os braços - Só vou se for com você. - O que? Mas quem você pensa que é? Não te conheço. Faça o favor de sair antes que eu chame a poli... Ele me calou com os seus dedos e encostou seu corpo no meu. Tentei em meio a chutes sair de perto, mas ele é muito forte, parece que nem sentiu minhas joelhadas em suas partes baixas e nem meus socos. Joguei algo de vidro que peguei ao lado que quebrou em sua pele, sem fazer arranhão algum. Soltou um sorriso assustador e encostou nossos narizes e sua testa na minha. Seus olhos penetraram o meu de uma forma intensa, tão intensa que fiquei sem saber o que fazer diante aquele olhar verde e amedrontador. - Está na hora de ir - Falou por fim. Vi ele fechar os olhos e relaxar, saindo de trás das costas, um par de asas enormes e negras, ocupando quase todo o espaço do banheiro. Meus olhos pularam pra fora do rosto e meu grito que rasgou a garganta foi abafado por sua mão em minha boca. Fui envolvida em suas asas negras que exalavam um cheiro me deixando tonta, sem nenhuma forma de me mover, fazendo um buraco no teto com o próprio corpo e saindo por ele em uma velocidade incrível. (...) Noite... Estou a caminho da casa de minha protegida. Saí para pegar um ar já que falei com ela hoje a tarde em um encontro... Não tão bom. Por motivos... De p******o, tive que apagar suas memórias. É muito perigoso deixa-la sabendo que eu existo. Outros seres podem querer tirar isso a limpo, então achei melhor faze-la esquecer, mesmo contra a minha vontade. Avistei a casa a poucos metros de mim e desci. Abri a janela de seu quarto e entrei. Sei que não preciso abrir a janela pra entrar, mas as vezes dá vontade de fazer o que os humanos fariam. Mas o que... Mariana não está no quarto. A cama está intacta e nada no quarto está fora de lugar, a não ser... A porta do banheiro estava aberta e alguns cacos de vidros estavam pra todo lado que eu olhava. O que aconteceu aqui? A torneira estava ligada e nenhum sinal de ninguém, ouvi apenas Olivia cantarolando lá de baixo. Um pedaço de algo caiu em cima de mim. Ao olhar pra cima, me assustei. Um buraco enorme no teto. Isso não pode estar acontecendo... Não é possivel! A acharam?
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