A manhã da cerimônia chegou envolta em um silêncio pesado. O céu estava encoberto, como se até o sol tivesse se recusado a brilhar para aquele dia. Helena observava o próprio reflexo no espelho do quarto do hotel. O vestido branco pendia de seu corpo como uma armadura — impecável, luxuoso, mas sem alma. Não havia alegria, nem expectativa. Apenas um dever que precisava cumprir. Ao seu redor, as arrumadeiras iam e vinham, ajeitando detalhes, murmurando elogios forçados. Helena não ouvia nada. O zumbido em seus ouvidos abafava qualquer palavra. Apertou os dedos contra a penteadeira, sentindo o frio do mármore. “Uma boda sem amor”, repetiu mentalmente, quase rindo da ironia. Do outro lado da cidade, Estevão também se preparava. O terno cinza-escuro caía sobre seus ombros com perfeição, mas o

