O dia seguinte começou carregado de uma tensão quase palpável. Desde cedo, o prédio da empresa parecia respirar de maneira irregular, como se todos os funcionários percebessem que algo estava prestes a explodir. Nos corredores, cochichos discretos se espalhavam, olhares atravessados surgiam quando Helena passava, e até os mais experientes evitavam permanecer no mesmo ambiente por muito tempo. O confronto que vinha sendo evitado nos últimos encontros estava prestes a acontecer. Helena entrou em seu escritório às oito em ponto, vestindo um conjunto preto impecável, os saltos ecoando como martelos contra o piso frio. Ela segurava uma pasta de couro sob o braço, o olhar fixo, o queixo erguido. Já havia ensaiado mentalmente cada palavra, cada frase que pretendia lançar como faca afiada contra

