Helena sempre acreditou que o toque era uma ferramenta. Não tinha nada a ver com carinho, afeto ou entrega. Era uma arma de sedução, de domínio, de poder. Quantas vezes ela não havia usado seus próprios gestos, sua proximidade, o calor da pele, apenas para dobrar um homem e transformá-lo em marionete de suas vontades? Para ela, toque era controle. Mas agora, diante de Estevão, aquele homem que parecia feito de rocha, o toque era um vazio. Uma ausência. Um muro que ela não conseguia transpor. Naquela manhã, os dois estavam na mesma sala de reuniões, revisando relatórios de contratos antigos deixados por seu pai. Estevão lia cada documento com calma quase irritante, e Helena observava suas mãos. Eram grandes, firmes, mãos de quem conhecia o peso do trabalho e não se intimidava com esforç

