Helena acordou com uma sensação estranha naquela manhã. A claridade entrava pelas cortinas do quarto de hotel, mas o que realmente a despertou não foi a luz — foi uma intuição. Algo estava errado, algo no ar denunciava que o cerco contra ela se fechava ainda mais. Vestiu-se devagar, escolhendo um conjunto de alfaiataria cinza, frio e calculado. Olhou para o espelho e tentou se convencer de que ainda tinha poder. No fundo, sabia que sua maior arma não estava mais na sedução, nem no discurso imponente, mas em quem poderia ainda lhe ser fiel. Foi então que pensou em Verônica. Verônica era mais que uma amiga — havia sido confidente, cúmplice, parceira em tantas batalhas. Sempre disposta a ouvir, sempre pronta a oferecer conselhos e até mesmo a acobertar decisões questionáveis. Helena acredi

