Gritar para Dentro

1185 Words

A madrugada se estendia sobre a cidade como um véu pesado. Helena estava sozinha em seu quarto, deitada sobre lençóis que cheiravam a perfume caro, mas que para ela não tinham nenhum consolo. A escuridão parecia viva, respirando ao ritmo da sua inquietação. Virava-se de um lado para o outro, os olhos fixos no teto. A mente latejava. Queria gritar, mas não havia som. Só um aperto no peito, um nó que crescia a cada lembrança, a cada derrota recente. Pegou o travesseiro e o pressionou contra o rosto, como se o tecido fosse capaz de abafar o grito que insistia em nascer. O grito não saía da garganta — saía de dentro dela, dos ossos, do sangue, de cada lembrança que Estevão havia revirado. — Maldito… — murmurou contra o tecido, até sentir a respiração falhar. Levantou-se de repente, os pés

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