Helena estava diante do espelho do quarto, mas não se reconhecia. A mulher refletida ali parecia mais velha, mais cansada, mais humana. Não havia a mesma postura altiva, nem o sorriso calculado que aprendera a usar como máscara. Havia apenas olheiras fundas, lábios trêmulos e uma serenidade que não nascera da vitória, mas da rendição. Naquela manhã, não sentiu vontade de vestir o salto mais alto ou o vestido mais caro. Pegou uma calça simples, uma blusa neutra e prendeu o cabelo em um coque improvisado. Pela primeira vez em anos, não tinha energia para sustentar a personagem que criara. No caminho para a empresa, o carro deslizou pelas avenidas, mas Helena estava alheia ao movimento, aos semáforos, aos olhares de motoristas apressados. Seus pensamentos giravam em círculos. Durante meses,

