Helena acordou antes do sol. A madrugada ainda sussurrava sombras, e o vento frio entrava pelas frestas da janela como se quisesse lembrá-la de que nada ali era seguro. Ela se levantou devagar, o corpo pesado pelo sono maldormido, mas a mente acesa, inquieta. A cada dia naquela casa se tornava mais claro: a fúria não bastava, e o silêncio, embora poderoso, também não podia durar para sempre. Vestiu-se sem pressa, escolhendo um vestido escuro, discreto. Passou as mãos pelo tecido como quem veste uma armadura. Ao se olhar no espelho, não viu a mulher derrotada dos últimos dias, mas também não reconheceu a Helena altiva de antes. Viu algo novo, um intermédio perigoso: uma mulher que começava a compreender que o poder se mede não apenas pelo domínio, mas pela paciência em saber quando atacar.

