O relógio da parede marcava nove horas da manhã quando Helena entrou em sua sala. O salto alto ecoava no piso frio como um aviso para todos: ela não estava de bom humor. Não havia dormido, e a noite em claro havia deixado marcas discretas sob os olhos. Ainda assim, mantinha a postura impecável. Ninguém jamais a veria fraca. Sobre a mesa, estavam empilhados relatórios e contratos que precisavam da assinatura de Estevão. Helena passou os olhos por eles e respirou fundo. O silêncio do escritório parecia zombar dela, lembrando-lhe que ele não estava ali. — Silêncio traiçoeiro. — murmurou, sentando-se. Desde o desaparecimento de Estevão, a empresa caminhava sobre uma linha tênue. As bolsas de valores oscilavam, os acionistas pressionavam por respostas, e rumores cresciam como ervas daninhas.

