Helena entrou na sala como se fosse um furacão tentando provar que ainda tinha força. O salto batia no mármore com um compasso irritado, denunciando cada passo seu. O silêncio dos demais era cortante: empregados fingiam não ver, alguns diretores desviavam o olhar, e até as paredes da mansão pareciam encolher diante da tensão que ela carregava. Estevão estava sentado à cabeceira da mesa longa, analisando alguns documentos. Não se levantou, não se apressou em disfarçar nada, apenas ergueu os olhos lentamente, como quem já previa o ataque. — Vai continuar me ignorando, como se eu fosse uma figurante nesta casa? — a voz dela ecoou, firme e ferida. — Não estou te ignorando — ele respondeu com calma. — Estou trabalhando. A serenidade dele foi a faísca para que a chama dela crescesse. Helena

