O quarto do hotel parecia ter sido preparado para um conto de fadas. Cortinas brancas esvoaçavam ao vento que escapava pela sacada, pétalas de rosas espalhavam-se sobre a cama, velas aromáticas acesas perfumavam o ar. Tudo milimetricamente disposto para celebrar a união de duas almas apaixonadas. Mas ali não havia paixão. Helena entrou primeiro, observando o cenário com um sorriso de escárnio. Os organizadores, pagos a peso de ouro, haviam transformado o ambiente em um altar íntimo. Mas o que importava era a ausência do essencial: verdade. Atrás dela, Estevão entrou carregando apenas uma pasta de couro. Colocou-a sobre a mesa como quem chegava a mais uma reunião de negócios. Nem um olhar para as rosas, nem um comentário sobre o romantismo ensaiado. Apenas silêncio. — Impressionante. —

