1 mês depois
Viver ao lado do Ezequiel tem sido um verdadeiro tormento, jurei que ele era a escolha certa para minha vida, para que eu pudesse seguir meu caminho ao lado do senhor, orei e pedi confirmação, a irmã Luzia revelou que seriamos lideres, um belo casal, mas parece que isso não vai acontecer.
Confesso que estou tentando me esconder, quase não saiu de casa, na verdade, saiu para ir ao culto e depois volto para minha casa, pois ele me vigia 24 horas e afirma que eu preciso ser submissa, que não posso trabalhar que essa é função dele e que meu papel é lavar, passar e servi ele na cama.
Servi ele na cama era uma merda, sentia nojo toda vez que ele me tocava, subia em mim feito um animal, se movia forte me machucando e gozando rápido, sem me dar nenhum prazer, tão diferente do Lucca que me dava beijos ardentes, me enlouquecia. Mas essa foi a minha escolha, não posso voltar a trás, pois na igreja não existe divórcio, eu preciso orar bastante e suplicar a Deus que me ajude, pois eu preciso de força, pedi que ele mude o Ezequiel também.
Aproveitei que ele não estava em casa para arrumar tudo, ele tinha deixado 50 reais para que eu preparasse um feijão. Tomei um banho gelado, coloquei um vestido longo que cobria as pernas e os braços. Prendi meu cabelo em um coque e logo em seguida sair de casa para ir na vendinha.
Seguir caminhando em silêncio, para a minha surpresa, o Lucca estava na praça, sem camisa, com um sorriso lindo no rosto conversando com as mulheres levianas do morro, de longe ele me avistou e seu humor mudou, o clima ficou estranhos, seus olhos queimaram minha pele e o meu coração bateu apertado, por um segundo imaginei se tinha a possibilidade de voltar para os braços dele, se dava para eu gritar que não estou feliz e que desejava ficar do lado dela, mas sabia que isso não era possível, portanto, olhei para o céu respirando fundo e pedindo força a Deus.
Seguir para a vendinha, comecei a fazer o meu pedido, ele apareceu apenas para me provocar, eu conhecia muito bem aquele homem. Nunca iria deixar passar as coisas.
— Ou dona Vilma, coloca uma cerveja para mim e a princesa aqui — declarou se sentando e puxando uma p**a para o colo dele.
Naquele momento meu coração acelerou, eu senti ciúmes. Não queria ver ele com outra, a cena era dolorosa demais para mim. Olhei para frente antes que os meus olhos se entregassem. Discretamente enxuguei uma lagrima teimosa.
— Irmã Melissa, sua conta deu 60 reais — falou a atendente.
— Droga, eu só tenho 50, pode colocar os 10 na conta do Ezequiel? Quando ele chegar vai… — fui interrompida pela chegada repentina do Lucca.
— Que feio, Melissa! Pendurando a conta? — perguntou sorrindo.
— Lucca… O que pensa que tá fazendo? Por que se aproximou de mim? — perguntei com a voz tremula.
— Toma os 10 reais — ele me entregou como se fosse nada.
— Não posso aceitar, o seu dinheiro é sujo e aceitar é compactuar com o seu pecado — declarei com a voz triste.
— Tudo bem, senhora certinha. Esqueci que tem alergia a pecado e eu sou o próprio d***o. Desculpa, só tentei ajudar. Ou dona Vilma, a minha cerveja — pediu voltando a atenção dele para afrente.
Meu coração acelerou na hora, como eu iria sobreviver ele estando perto, não era possível que eu ainda estivesse tão apaixonada, tão maluca de amor por esse homem.
— Dona Vilma, eu não vou levar nada — sair dali apressada.
Enquanto caminhava pelo morro, as lagrimas molharam meu rosto, eu queria gritar alto, falar que estava sofrendo, que tinha saudades dele, mas não tinha como, eu escolhi isso, fiz esse homem sofrer e talvez ele nunca me perdoe por tudo o que aprontei com ele.
— Droga, por que me casei com o Ezequiel? Eu fiz tudo errado na minha vida — falei me sentando no sofá.
Não queria me sentir desse jeito, queria esquecer o Lucca para sempre, talvez, continuar nesse morro seria difícil para mim, talvez eu não consiga vê-lo com outra do mesmo jeito que ele conseguiu conviver comigo e o Ezequiel.
Me ajoelhei perto do sofá, só me restava orar e implorar a Deus para que ele me ajudasse a não cair em tentação de jeito nenhum.
— Meu Deus, eu escolhi o Ezequiel, tudo que acontece na nossa vida é da sua permissão. O senhor permitiu que ele entrasse na minha vida, foi o seu proposito, o Lucca é um enviado do d***o para destruir a minha vida e eu preciso lutar contra isso, preciso me aproximar do meu marido e ama-lo condicionalmente, por favor, me ajude a amar o meu marido, eu te imploro que me ajude, pois eu vou fazer minha parte, vou tentar ser uma boa mulher para o meu marido — falei aos prantos.
Eu de fato tentaria agrada-lo, me arrumaria para esperar por ele, tentaria ser mais participativa no sexo, iria fazer de tudo para nós dois alcançar a felicidade.
Enxuguei as lagrimas e me levantei indo até a cozinha, iria usar os ingredientes que tinham na geladeira para fazer um macarrão de forno, com queijo e presunto, arrumei a nossa mesa deixando as coisas organizada, em seguida fui ao quarto, tomei um banho e vestir uma camisola transparente para espera-lo.
Fiquei ansiosa esperando pelo Ezequiel, passaram-se alguns segundos e ele apareceu, jogou a bolsa no sofá, tirou o sapato e deixou espalhado na casa e eu fui recolhendo as coisas.
— Ezequiel, eu fiz um jantar especial, quero que a nossa noite seja especial — sussurrei sem graça.
— O que você tem de especial para mim? — questionou e eu grudei nossos lábios.
— Muita coisa, um jantar a luz de velas e em seguida, podemos ir para o quarto, fazer amor feito dos loucos, o que acha? — perguntei forçando um sorrido.
— Gostei da ideia, eu preciso de você — falou beijando meus lábios.
Esse era o certo, ficar com o meu marido e tentar ser feliz ao lado dele, pois o Lucca é passado e não deve me afetar nunca mais nessa vida.