O apartamento parecia menor do que nunca. Não porque tivesse encolhido, mas porque havia coisas demais ocupando o espaço entre nós duas. Palavras engolidas, gestos m*l resolvidos, lembranças que já não cabiam mais ali. Charlotte andava de um lado para o outro como um animal enjaulado, os passos marcando o ritmo da própria ansiedade. Eu permanecia sentada no sofá, imóvel, acompanhando cada movimento seu com os olhos. Minhas unhas afundavam no centro das mãos, pressionando a pele até arder. Era um hábito feio, eu sabia. Um lembrete físico de que eu ainda estava ali. — Me desculpa — ela diz, finalmente, sem me encarar. — Por favor. Eu fui uma i****a. Uma filha da p**a i****a e ciumenta. Eu me senti traída… mas você também mentiu pra mim. A palavra mentiu fica suspensa no ar, pesada. — Eu

