O silêncio vem primeiro. Não aquele silêncio tranquilo, mas um vazio pesado, como se o som tivesse sido arrancado do mundo. Meu corpo permanece imóvel, colado ao colchão, enquanto o peso some aos poucos. Não sei dizer quanto tempo passa. Minutos? Segundos? Parece tudo igual. Ouço passos. A porta se abre e se fecha de novo. Diego diz alguma coisa, mas as palavras não chegam até mim. Elas se perdem antes de fazer sentido. Continuo olhando para o lençol branco, amassado sob meus dedos. Branco demais. Limpo demais. Meu corpo não responde. Quando tento me mexer, só consigo um tremor leve, quase imperceptível. Minha respiração está curta, irregular, como se meus pulmões tivessem esquecido a função básica de puxar o ar. Inspiro pela boca, o gosto é metálico, estranho. Meus olhos ardem, mas

