O escritório estava mais silencioso do que de costume naquela manhã. Talvez fosse apenas impressão minha, mas desde a conversa com Edgar na noite anterior tudo parecia ter um peso diferente. Como se as coisas familiares, o barulho dos teclados, o telefone tocando, o murmúrio das pessoas conversando nas salas de reunião, tivessem se tornado mais nítidas. Ou talvez fosse apenas falta de sono. Eu havia passado metade da noite acordada, olhando para o teto do quarto e tentando organizar pensamentos que simplesmente não queriam se organizar. As palavras de Edgar voltavam sempre para o mesmo lugar. Coincidências demais. Eu empurro a porta de vidro da minha sala e deixo a bolsa sobre a mesa. Pela janela consigo ver parte de Manhattan já completamente acordada. Carros atravessando as avenida

